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MANCHA QUE REVELA O IMATERIAL


A priori, parecia ser uma manhã de domingo como outra qualquer para a família Cardinalli.

Giovanna acordou mais tarde, tomou seu café, checou e-maills e começara a preparar o almoço. Aos olhos de sua família nada diferente nas ações por ela realizadas, mas se algum deles estivesse acostumado a fazer linguagem corporal, quem sabe poderia ter evitado o que se sucedeu.

Tudo começara na madruga, os “pesadelos”, empurravam-na a favor de um abismo que ela própria havia criado. Seu verdadeiro eu interior conduzia a implosão. Tudo que até o presente momento havia lhe ferido, todos os sonhos que foram sepultados dentro de si por conta de palavras e atos de outrem, enfim, tudo que atrasava e desviava sua missão terrena, agora se findava, neste misto de realidade e fantasia.

Giovanna acabara de acordar e ao abrir as janelas se deparou com um cenário chuvoso e nublado. Dentro de si, nada coruscava, também! Seria um complô do universo para provocá-la?  Seus sentimentos afloram e começa a praticar ações mecanicamente, contudo, seu corpo todo está tenso, as inquietações cutucam-na.

E Giovanna divaga!
Fiz tudo errado...
Em que rua me perdi?
Será que meus sentimentos viraram meros objetos? Um paralaxe? Será? Seria isso possível?

De repente, um barulho próprio de partida de motor veio da garagem. Ainda deu tempo de seu filho vê-la fazendo a curva da estrada.

A família recebe pelos Correios, dias depois, um embrulho que continha uma mancha vermelha, seguida da palavra adeus no lugar do remetente. Antonio, mesmo sentindo seu coração lacerado, em um bater feroz de lágrimas conseguiu ligar o Blu Ray.


E cada membro da família Cardinalli, sentiu de forma singular aquele vídeo, afinal, como bem citou Octávio Paz em um de seus livros. " A floresta das significações é o lugar da reconciliação". 

Claudiane


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5 comments:

Dulce Morais said...

Claudiane,
Um conto pungente. Desperta interrogações profundas!
Obrigada pela sensibilidade!

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danka maia said...

Ai que tudo! Perfeito, o título ficou no tom!

Nádia Santos said...

Um conto intrigante que nos leva a reflexão. Parabéns! Um bj

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=> Só quadras

claudia cavalcanti said...

As coisas mais definitivas acontecem numa manhã qualquer, sem avisos, lindo vídeo também, bjs

Diego D' Avila said...

Momentos de despedida geram interrogações em quem está do lado de fora, não sei se foi a intenção, mas ficou muito interessante não explicar os porquês. Combinou demais com esta música do Teatro Mágico, que sou fã. Abraços Caludiane.

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