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Muros...

Ferdinand Pire


Muitas vezes a dor dos muros endurece

a centelha dos afagos há muito guardados,
ensurdece a alma minando a ternura,
cala a voz dos toques e beijos nunca alcançados.

Eles separam sem nada saber das tormentas,
permanecem na inércia, no fundo clamam por cair,
desfalecem as vontades algemando as mãos,
imprimem no breve o infindável.

Galgá-los nas entregas e arrebatamentos,
torna-se mister para a ausência dos lamentos,
tateá-los em fuga atravessa o árido torpor.

Salgar os olhos nos sabores do peito desata-os,
lança-os soturnos na inexistência,
dos fragmentos que teimam, o amor, converte-os em pontes.



Cris Campos

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6 comments:

Dulce Morais said...

Cris,
Há muros e há pontes, há lágrimas e há afagos, há mágoas e há esperança, há versos e há poesia...
"Deem-me a fome para que eu saiba o que é estar saciado..."
Adorei!
Bjs

Carlos Moraes said...

pulando muros ou construindo pontes, estamos sempre a vencer obstáculos nos caminhos do amor... bjs

Diego D' Avila said...

O amor, ponte indestrutível (como cantava Chorão). Cris, nos presenteando com um soneto, belíssimo, diga-se de passagem. Não deixemos muros nos trazerem dores. Você sempre remaneja muito bem as palavras, já disse, mas repito, adoro seu jeito de escrever, você fala muito bem de um determinado sentimento, é praticamente uma perita do amor, rs. Abraços Cris.

danka maia said...

Muros, obstáculos...e no fim o amor sobressaliente!
Parabéns!

Isa Lisboa said...

Por vezes erguemos muros sem querer...

=> Instantâneos a preto e branco
=> Os dias em que olho o Mundo
=> Pense fora da caixa
=> Tubo de ensaio

claudia cavalcanti said...

Isa, acho que a poesia tem muita força para derrubar estes invisíveis muros que bloqueiam nossos sentires, bjs

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