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Se quiséssemos, seríamos...

Fidel Garcia

Mesmo com os reveses da vida tenho conseguido respirá-la com um certo desembaraço. Apesar dos prognósticos desfavoráveis evidenciados pelos acontecimentos, tudo tem caminhado de forma tranquila, sem maiores consternações. Nesse enredado da minha existência tem vento suave e fresco que me traz um delicioso sossego no meu rotineiro desassossego. Ele enche meu coração de uma leveza inexplicável despertando em mim os pensamentos que anseiam presenças ausentes. Meu corpo dispara em pulsações que não entendo, mas que aceito e me delicio. O cheiro dele é brando e mexe comigo de uma forma lenta, o que me faz lembrar que o poder daquilo que nos envolve não está no intempestivo e sim no que se mostra suave, que vai chegando aos poucos, e sem alarde preenche todos os espaços. Ele perturba de calmaria meus mares revoltos com uma serenidade que me embriaga. Esse vento manso encosta em mim palpitando meu coração, me imprimindo na mente o entendimento do que é agregar, do que é metade, do que é ser, da dimensão que pode alcançar um simples sentir quando ele é despojado de qualquer pretensão. Vento manso e franco que me leva leve para perto dos raios do sol reinando absoluto, sopra forte pra mostrar que pode também virar tempestade, mas logo ameniza seus ares se revelando brisa serena de novo, dessas que balançam ternamente as brancas cortinas da vida. Ele me lembra sorriso de alma que nasce tranquilo e vai se abrindo até toda a face tomar. Parece em mim um samba canção, que balança meu corpo lapidado pelo querer. Desgrenha meus cabelos entrando toda manhã pela janela, soprando as folhas velhas do dia anterior que ficaram espalhadas no chão da varanda. Sibila em meus ouvidos me fazendo serrar os olhos num sonho diurno de vontades infinitas de tudo com ele. Me pousa na pele penetrando pelos poros se escondendo no meu ser impregnando minha alma da beleza que a alma dele irradia, que não se revela em reflexos e sim no brilho colorido do olhar. Qualquer desgosto ou presságio de tristeza são para longe de mim lançados quando me envolta por ele fico em pensamentos. Ele me torna melhor, me faz querer ser, superar, me atavia de desejos de bem querer, me permite, me recebe e me vê como digna mesmo quando não sou. Assim desajeitada desfilo diante de Deus meus sorrisos desengonçados de um coração apaixonado que ri sem medo e sem medida, esperando que ele enlace meu destino à esse plácido vento que diariamente me visita e que mesmo sem rumo ou direção, para mim nasce em endereço certo, e que nada mais é senão, VOCÊ. 



Cris Campos



"Se quiséssemos ser apenas felizes, isso não seria difícil."
 (Barão de Montesquieu)

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6 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Uma prosa, que vai nos abraçando,refrescando, num remexer leve e ao mesmo tempo vigoroso. Chegamos ao destino, numa infinita tranquilidade,característica própria, de quem aprendeu a viver.

Dulce Morais said...

Cris,
Li e reli... cheirei e me deliciei... provei e gostei... integrei no peito e entendi... e que mais haverá a dizer além de: obrigada pela viagem!
Grande beijo! :*

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Gilberto de Almeida said...

Que delícia esse vento pacífico e amoroso! Que ele vente, vente, vente em serena tempestade de entendimento e conforto...

eder ribeiro said...

Sabemos que o querer é relativo, contudo, Montesquieu tem razão. Os ventos sempre nos leva ao endereço certo qdo movidos pelo amor. Bjos, querida Cris.

claudia cavalcanti said...

...perturba de calmaria meus mares revoltos..para mim isto é a essência deste poema. Ter alguém capaz de nos fazer sentir assim é mágico.Não tenho mais nada a acrescentar depois desta metáfora, só: MUITO BELO, bjs

Kizy Lee said...

Encantador, narrado de maneira que , senti como se tivesse sentindo o que você narrava...

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