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Bom dia para ele era Boa noite


"Observador" é um nome fictício de um ser dessa estória.
Casado com filhos.
Era precisamente 06h:00  de uma manhã qualquer e, em um prédio de mais de
cem apartamentos, em uma das janelas, um homem olhava para uma passarela
que une a entrada do edifício até a calçada de rua principal.

Uma extensão de 30 metros por onde obrigatoriamente entram e saem as pessoas.

"Observador" olhava as crianças que saiam para a escola no seu primeiro turno:
Umas sozinhas iam. 
Outras através de uma condução...  o ônibus escolar 
As demais acompanhadas pelos pais que saíam para o trabalho e as deixavam na escola.
Essas ultimas eram pegas na saída da escola com um de seus parentes ou pela empregada familiar.

Mas entre os que ele observava, dos quais não conhecia pessoalmente, procurava imaginar ou definir até as profissões de cada um;  pelo menos assim imaginava:

Aquele de terno e gravata é um Advogado, um Gerente de banco ou um Diretor de uma empresa; aos Médicos e Enfermeiros na roupa branca que usavam; 
os com camisas de manga curta ou social com os punhos dobrados são Engenheiros pois, a ciência exata é mais precisa nos cálculos do que na vestimenta.

Assim o "Observador" agia; mas o real gosto dele, era pelas mulheres, que se tornava mais difícil em definir.

Repito, que ele olhando as pessoas  do alto de seu apartamento, resolveu dar um significado para cada uma delas.

Aquela a PALMERINHA com sua elegância queria alcançar o céu; a BOMBOM, cheinha de corpo era uma doçura; a APRESSADINHA tinha um ar da graça com seu passo miúdo e rápido; a INGLESINHA tinha o andar nos controles dos segundos;
a PREGUIÇOSA tinha um passo de tartaruga; a MORENA com o seu balançar acordava qualquer sonolento;
a PROFESSORINHA pelos livros dispensa tudo.
Em uma dela ficou a PREFERIDA que sempre olhava para trás e para cima que, embora não fosse para ele...     lhe apetecia em dar um adeusinho.
Em uns deixava escapar sua análise e admiração.

Mas o leitor, claro, vai indagar mentalmente.

Poque ele não faz parte desse grupo passante e, assim, pode até conhecer  os moradores de seu prédio.

Bem... eu que estou escrevendo a sua estória, vou responder por ele.

Na janela ele fumava um cigarro após ter ingerido um café bem quente.

Ele havia acabado de chegar em casa.
Trabalhava a noite.
E, ao  despedir-se de sua mulher logo em seguida
Em vez de BOM DIA, deu BOA NOITE.
E foi dormir.

mochiaro//rio de janeiro










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3 comments:

JG Costa said...

Já trabalhei a noite e o meu sentido das coisas ficava totalmente alterado. Bela estória. Abraços.

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Quando meu filho mais velho nasceu fiquei uns 3 anos sem trabalhar , nesta época concidentemente meu marido trabalhava na Varig de madrugada e passei também a fazer tudo na madruga. Digo se tivesse que colocar roupa na máquina , passar , faxinar etc...Morava em apartamento, coitado dos meus vizinhos.

Amei o conto.

Isa Lisboa said...

Na realidade, nunca sabemos o que se esconde atrás desses rostos desconhecidos... Mas é interessante tentar adivinhar...!

Isa Lisboa
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