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Certos caminhos...


Como consequência de nossas experiências de vida muito podemos aprender e muito provavelmente nunca aprenderemos, apesar delas. O aprendizado tem seu peso estabelecido à medida que nelas nos aprofundamos.

Alguns horizontes que se revelam em nossa existência, por vezes, devem ser apenas admirados. Por mais ardente que seja em nós a vontade de explorar todas as nuances que neles vislumbramos, incorremos na possibilidade de não distinguirmos suas verdadeiras cores e, tomados por desordem visual, encontrarmos uma paisagem desfigurada.

Alguns caminhos são tão longos e exaustivos e ao percorre-los incessantemente, aprendemos a conhecer, em razão disso, cada pendor que deles faça parte. Conseguimos, em certo ponto da caminhada, visualizar todos os detalhes que eles carregam e sabemos que, necessariamente, acabaremos por experimenta-los se neles continuarmos.

Algumas lições nos são inculcadas da forma mais difícil, às custas de muita dor e lágrimas; outras, em sentido contrário, aprendemos com toda placidez, como a leveza de uma folha que pelo vento é carregada até que chegue, langorosa, ao chão. De uma ou de outra, há que se haver algum proveito que, ao longo do tempo nos traga mais discernimento.

Outros caminhos são repletos de delícias e sabores, oferecidos sem nenhum ônus no decorrer deles. Ao prová-los, abre-se diante de nós um novo mundo, e como crianças saímos saltitantes a examinar e descobrir cada pormenor que nos encanta. Confiamos a eles tudo o que somos, sem medos, tão somente por causa da inocência inerente às crianças que sempre acreditam no que, com doçura, lhes é revelado. Esse estado pueril de alma, independe de tempo de vivências, podemos atingi-lo em qualquer época da vida.

Para todas as direções de vida as quais experimentei, alguns ensinamentos ficaram guardados em cantinhos bem especiais dentro de mim. Sei que a muitos,  pouco interessa meus aprendizados, no entanto, aqui os revelo, não com intenção de ensinar algo, mas apenas para repeti-los nas palavras registradas no papel, e nesse processo tentar reavivá-los dentro de mim.:

- cada um de nós deveria descobrir mais de si mesmo, com honestidade e sinceridade, sem receio das prováveis decepções que possamos sofrer com esse conhecimento, e, independente do resultado, conseguirmos amar-nos;
- nem sempre colheremos onde plantamos, e talvez nunca venhamos a colher;
- nosso ego não deve ser esquecido, mas, menos ainda, superestimado, o perigo o ladeia, sempre;
- repartir sempre enaltece nosso espírito, por mais que sejamos maus;
- nunca conseguiremos obedecer o ideal, nossas paixões quase sempre prevalecem, e quando não, amargamos frustrações para toda vida;
- honra é algo que devemos atribuir, nunca buscar;
- honestidade produz compensação, ainda que nunca seja reconhecida;
- toda moral subjaz aos valores que nos são ensinados, por conseguinte é totalmente variável;
- entregas, dor e solidão se intensificam ou amenizam à medida em que a  elas nos entregamos.
- intimidade, seja ela qual for, deve ser tratada com polidez, afabilidade e reserva, e ao compartilha-la devemos estar sempre cientes de tudo e todos os envolvidos e que há um preço, muito alto, a se pagar e que nem sempre conseguiremos.

Há tanto ainda a transbordar em meu coração e mente que poderia elencar, mas por aqui fico, não me pergunte porquê, apenas me perdoe por ainda estar aprendendo.


Cris Campos


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7 comments:

Carlos Moraes said...

deixe o rio correr, encher, transbordar... assim são os rios em formação, àqueles que se mantém calmos em seus leitos, correm para o mar já correndo para a morte...

claudia cavalcanti said...

Bela imagem e lindas palavras para falar neste poema sobre o que a vida já te ensinou, a imagem do mar nos mostra o quanto é infinito e profundo este aprendizado,Bj Cris

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Cris, você não está sozinha nesta grande escola. Que crônica edificante.

As frases abaixo produziram um explosão em meus pensamentos
Alguns horizontes que se revelam em nossa existência, por vezes, devem ser apenas admirados. Por mais ardente que seja em nós a vontade de explorar todas as nuances que neles vislumbramos, incorremos na possibilidade de não distinguirmos suas verdadeiras cores e, tomados por desordem visual, encontrarmos uma paisagem desfigurada.

nem sempre colheremos onde plantamos, e talvez nunca venhamos a colher;

Obrigada pela partilha desta joia.
Bjs no seu coração.

Dulce Morais said...

Cris,
Num blog que eu sigo, leio uma frase muitíssimo sensata:
"Tenha paciência, Deus ainda não me terminou".

É isso mesmo, não é? A minha avó, que se aproxima dos 90 anos, ainda me diz: "Aprendo todos os dias, e assim deve ser."

Certas lições têm um preço elevado, mas acredito que todas valham a pena..

Cris, fizeste-me reflectir muito! Obrigada!
Grande Beijo!

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Isa Lisboa said...

Cris, que linda crónica! Que cada um de nós não deixe nunca de aceitar e buscar a aprendizagem. E que saibamos reflectir sobre o que a vida nos ensina de forma tão sublime como a que aqui nos deixa!

Beijos

Isa Lisboa
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JG Costa said...

A vida é um eterno aprendizado! Sábias palavras amiga! Abraços!

Cris Campos said...

Obrigada a todos pelas belas palavras! Gr. Bj.!

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