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Lá vai a menina...

O simples poema abaixo, escrito em 2010, foi por mim restruturado, para ter uma dimensão mais aceitável, no tocante à quantidade de palavras, não de conteúdo. A versão original os amigos podem ver clicando AQUI
A inspiração veio da impressionante distância que existe entre as classes sociais, onde um nada tem...
JGCosta





Lá vai a menina...


Lá vai a menina passeando no shopping
Exigindo celular e brinquedo importado
Levará barbies rosa e Kens de smoking
Entre artigos de luxo dos mais variados

Lá vai a menina de conversível na rodovia
Perguntando se pode escolher um pingente
A mãe concorda, mas limita uma quantia
E arranca da filha um olhar descontente

Lá vai a menina na estação abarrotada
Agarrada à sua mãe para não se perder
Pediu uma boneca que dê gargalhada
A mãe nada prometeu, na feira iriam ver

Lá vai a menina de volta para o barraco
Para brincar com o irmãozinho de dominó
Desenhado e recortado de um papel opaco
Com o vestido azul comprado num brechó

Lá vai a menina cansada na beira da estrada
De mãos dadas com a mãe no longo caminho
Vai contando os passos de mais uma jornada
Sonhando brincar com sua boneca de milho

Lá vai a menina com um triste olhar perdido
Sob o sol chamejante limpa a sua face suada
Não sonha com nada, nem sabe o que é isso
Pois se agarra com força ao cabo da enxada

Lá vai a menina dona de um olhar inocente
Tem mais sorte que as outras, assim imagina
Pois no céu onde vive todo o dia é um presente
Ao confortar os corações dessas outras meninas...

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3 comments:

Isa Lisboa said...

Fico sempre tão triste quando me lembro que ainda há meninas que não têm sonhos, por terem crescido depressa demais...
Não é possível ficar indiferente a este poema, obrigada por o ter partilhado!
Bom domingo!

Isa Lisboa
=> Instantâneos a preto e branco
=> Os dias em que olho o Mundo
=> Pense fora da caixa
=> Tubo de ensaio

✿ chica said...

Lindo,Jol. Impossível não nos emocionar! abração,chica( que bom que aqui consigo comentar!)

claudia cavalcanti said...

Lndo JGCosta, o que nos reconforta é que não sabemos quem é feliz. Só uma delas? Talvez seja a que menos se espera! Bjs

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