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NUNCA FALE COM ESTRANHOS com Danka Maia



  A história que narrarei é baseada em fatos reais, e aconteceu na cidade vizinha a minha, Rio Bonito no final da década de noventa.Prepare-se! É uma daquelas!

   Mariá era menina tímida e acanhada.Desde criança vivia pelos cantos,sempre a espreita, a sombra ora dos móveis ora de sua mãe Lucia. Que não se conformava com duas coisas em sua vida: Como o comportamento de sua única filha e com a miséria que a família vivia. Lucia era de origem muito humilde,porém ambiciosa, a gravidez de Mariá se dera por essa razão, a garota era filha de um renomado empresário da Região dos Lagos e que para evitar maiores escândalos pagava-lhe um aluguel num casa razoável e uma pensão,mas jamais assumira a paternidade da  filha bastarda.Entretanto para uma mãe tão gananciosa aquilo era ínfimo,pouco demais perto do que acreditava que merecia. Lucia se entranhou por caminhos perigosos e a filha fez um único pedido, e de repente viu a vida das duas mudarem indo do nada ao tudo como se fosse um lindo passo de mágica. Mariá estudava no melhor  colégio da região e os boatos a boca pequena era que o pai  oferecera melhores condições a ela e sua mãe, no entanto, a verdade um dia apareceria.
Sete anos se passaram.
Agora a menina era uma bela adolescente com seus dezessete anos que desabrochara para beleza e autoconfiança, contudo, lá dentro de si por alguma razão que não podia explicar sentia-se a mesma menina feia, tímida e desengonçada que foi  durante a infância.
Quem mora em cidades pequenas como a minha sabe bem disto.Não há muita oportunidades de lazer, muito menos quando se tem dezessete anos e quer descobrir o mundo e vivê-lo tão intensamente.
Os organizadores da cidade anunciaram um baile.
Uma espécie de cópia barata dos bailes americanos onde se escolhe rei e rainha da noite dos sonhos. Mariá empolgou-se e suplicou a mãe para que fosse, logicamente que a Lucia não interessava apenas a ostentação financeira almejava também a de sua única filha. Ela gostava de exibir que o triunfo as sobreveio com grandiosidade. O vestido da adolescente foi comprado na Capital, na cidade e adjacências não se falava de outra coisa que não fosse o tal baile.
Na noite em questão tudo se tornou um grande alvoroço.Jovens de toda parte vieram e ali entraram certos de uma noite marcante e inesquecível, e sim eles teriam.
 Foi por volta da Dez horas que um veículo extremamente requintado ,vermelho parou em frente do clube e ofuscou todos que ali estavam.De cara podia se afirmar que definitivamente era alguém muito, muito longe dali. Quando os sapatos lustrados de vinil foram postos para fora do carro com um rapaz loiro, alto, barba por fazer, jaqueta de couro e estilo James Jean saiu simpático e fazendo amizade de pronto com todos. Definitivamente, tratava-se de gentleman.
Lá dentro do baile as meninas não falavam de outra coisa.Ele pagou rodadas de bebidas para todos sem exceções, e ia de garota a garota pedir uma dança.A cada um que saia de seus braços, o deslumbramento era fulgente:
_Ele é lindo!- cochichavam umas com as outras, exceto uma Mariá.Ele a ignorou o tempo inteiro, e lá dentro de si, não houve como a menina feia e tímida não sentir-se lixo outra vez.
Faltavam sete minutos para as doze badaladas, sim o baile só se daria até aquele horário, as coisas eram assim naquele tempo.Foi quando desnorteada e completamente deslocada Mariá viu uma sombra imponente e o riso mais lindo do mundo aproximar-se dela.Sem dúvidas, um homem belíssimo e de porte majestoso.Beijou-lhe a mão e a indagou educadamente com uma voz aveludada:
_Me concede sua última dança?
A mocinha sorriu acanhada e feliz por recuperar a autoestima, consentiu então guiar-se por ele.Todos olhavam e comentavam que belo casal faziam.Todavia, a pergunta era, quem era aquele rapaz tão formoso tanto quanto misterioso?
_Achei que não ia me convidar para dançar.- ela admitiu enquanto rodopiavam na música lenta pelo salão.
Ele sorriu jocoso e objetou:
_Quis deixa-la para o final.
Encabulada Mariá replicou:
_Sério? Mas por que?
_Porque você será a única que sairá comigo deste lugar Mariá.- A adolescente estranhou o fato do moço saber seu nome e rindo devolveu:
_Como sabe quem eu sou?
Ele emudeceu continuando a bailar com ela.
_Quem é você?- perguntou a menina curiosa e foi neste instante que o relógio badalou meia-noite e o jovem lindo descontinuou seus passos a fitou com um olhar  que lhe arremeteu um desconforto instantâneo e um frio correu de sua espinha a nuca.
_Você saberá... Agora!- E ali diante dela e todos os presentes , ele foi tomando uma forma desconexa, uma fumaça tomou conta de todo ambiente,as pessoas começaram a correr, gritavam:
_Fogo! Fogo!- Mas na verdade, apenas uma névoa invadira sinistramente o recinto trazendo com ela um odor proeminente de enxofre enquanto aquele moço transformou-se numa figura horrenda cujo os pés pegavam fogo.Absorta, Mariá simplesmente desmoronou sucumbindo ao chão.Não suportara o que seus olhos contemplaram. Diante da entidade que olhou todo pânico a sua volta restou sair pela parede dos fundos do Clube.
Houve gritos e pessoas se feriram assim como outras foram intoxicadas, agora o local era tomado de chamas colossais por todo perímetro. Mariá foi retirada as pressas por um grupo de voluntários e levada para o hospital local.Entretanto,após quatorze dias internada no C.T.I, ela não resistiu,não aos ferimentos ,seu corpo não tinha nenhum,mesmo assim  veio a óbito.
Por dias não se falava em outra coisas em toda região que não fosse deste fato.Dias depois, a fim de esquecer ou apaziguar o proprietário mandou reformar todo clube e principalmente a mancha negra que ficou por onde o tal ser atravessara.Mas para surpresa de todos, pintava-se a parede num dia, e no outro jazia lá a a marca do tijolo como se tivesse sido derretido,como se jamais fosse retirada.
Meses depois, a mãe desesperada  Lucia, procurou a Delegacia dizendo que era responsável pela morte da filha, que deveria ser indiciada por Homicídio Culposo, quando não se há intenção de matar. O delegado que arquivara o caso porque não havia como explicar aquela conjuntura mesmo diante de tanto tempo de experiência tentou serenar a mãe inconsolável:
_Dona Lucia, a senhora não tem culpa de nada.Foi uma tragédia, uma fatalidade e...
Ela o interrompeu e descreveu o caso.Afirmou ter feito um pacto com uma entidade num ritual cigano sete anos atrás para ter dinheiro e reconhecimento social.A entidade aceitara mas pedira a alma de sua única filha como forma de pagamento.Julgando-se mais esperta que a mesma, Lucia dera uma condição e a entidade aceitou.Para a menina deu uma ordem que resumia-se a uma fatídica citação.Assombrado com o que a mãe relatara inda que em prantos e soluços o delegado perguntou:
_Que citação deu a sua filha Dona Lucia?
A mulher se calou, olhou para o nada,limpou os olhos e redarguiu:

_NUNCA DANCE COM UM ESTRANHO.

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2 comments:

Carlos Moraes said...

... eu nem sei dançar... a narrativa, como sempre, é envolvente... bjs

Dulce Morais said...

Danka!
Um conto surpreendente, um final muito interessante!
Adorei ler e ... tomarei mais cuidado da próxima vez que um estranho me convidar para dançar... :)

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