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Circo...

Mudava de roupa,
mudava os cabelos,
trocava o batom,
e colocava a cara na rua
pra quem quisesse ver,
pois sabia que poucos 
poderiam ver-lhe de verdade.
Não tinha qualquer receio,
fazia os seus de palhaços
dia sim e o outro também,
afinal sua vida secreta
era apenas um circo
de palavras imbecilizadas.
Buscava incessante
ser o centro da atenção,
de quem a apalpou um dia
e depois cuspiu-lhe a cara.
Não importava-se com isso
sentia-se saciada
com as poucas migalhas
jogadas em sua boca
nas margens escuras.
Estar ao bel prazer dos ventos
e se oferecer de bandeja,
era sua maior realização de perra  abandonada.

Cris Campos


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3 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Este Bel prazer quero bem longe de mim.

Incrível, tenho uma pessoa bem próxima vivendo este triste espetáculo. Enquanto ela própria não se conscientizar será Apenas...

Dulce Morais said...

Cris,
É uma triste pista, e uma cena bem organizada que o espectador pouco atento poderá distinguir. Mas para quem tenta ler além da maquilhagem, que poderá então descobrir?
Beijinhos, Cris!
Como sempre, adoro ler-te!

Isa Lisboa said...

Cris,

Todos conhecemos personagens (reais) assim. E o mais triste de tudo é a infelicidade que escondem por debaixo dessa maquilhagem...!
Gostei muito do seu poema!

Um beijo

Isa Lisboa
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