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GAIOLA DA LOUCAS


No mundo das aparência, ser não é o essencial, essencial é aparecer, ou parecer que é. Conheço gente que leu Henry Miller (Sexus, Plexus, Nexus – e Anais Nin) , Bukowski (poemas), Knut Hansun (A Fome), Gorki (o contista, o romancista, o dramaturgo), Kafka ( o Processo da absurda Metamorfose no Castelo, e inspirador do realismo-fantástico)... eu vivi como eles, à margem, à merda, ao sabor da vida crua... também como Vinicius (o Poetinha), e Byron (o ultra-romântico), Castro Alves... mas ele morreu eu não... tornei-me burguês, um vil burguês ao olhar da burguesia, porque um burguês não nasce pronto – se fosse assim Rousseau estaria errado em sua afirmação de que o homem nasce bom! -, é formado, moldado pela ambição dos pais, pela sua própria ambição, sua falta de complacência, os exemplos dos ricos, e muita propaganda e marketing. Acho que nem é mesmo uma escolha sua – Sartre me entenderia, nesses tempos subliminares – ser burguês, é uma aceitação, um lugar-comum, uma covardia, logo, um ato de sobrevivência. O burguês é bem aceito no mundo burguês, esse em que há fome, violência, deturpação, usurpação e hipocrisia... vá contestá-los a la Oscar Wilde, Flaubert, e também sairás processado (o primeiro por homofobia, o segundo por ter revelado o que as mulheres burguesas fazem enquanto o marido capitaliza)... poderá ser processado mesmo depois de morto – recentemente um burguês russo, agora que oficialmente há lá burgueses, antes apenas os membros do partido comunista eam burgueses!!!, depois de agir como o idiota que é, processou Dostoiévski alegando estar sob influência de  Míchkin... ser burgês é ter direito à essa ambiguidade, e a todos os demais direitos que o dinheiro pode comprar... amo os burgueses por isso, por não me julgarem enquanto eu fizer parte de sua turma, e se eu sair para a margem, aquele espaço freqüentado pelos malditos – Plínio Marcos (dramaturgo), Jards Macalé (musico), Jorge Mautner (musico e escritor), acabo voltando mesmo com a grana curta... dizia eu que amo os burgueses, e sei de gente mais radical que eu que os amava também: Ernesto, El Che, segundo sua mulher, na bonomia caseira era um declarado burguês, e amava sê-lo (não estou aqui denegrindo o mito. Como ele mesmo disse, podia ser aventureiro, mas era daqueles que arriscavam (até perder) a vida para provar suas verdades), o que um burguês jamais faria... o que quero dizer é que sou um vil burguês, porque não sou burguês e vivo como, me satisfaço assim, aceito, me conformo e deixo a vida seguir um rumo amorfo e refalsado... com um bom burguês, em sua vida de travesti, onde o mundo só é maravilhoso quando está enfeitado de sua mais glamurosa drag queen...

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3 comments:

Dulce Morais said...

Carlos,
Ao ler, lembrei o seguinte:

"São tão simples os homens e obedecem tanto às necessidades presentes..."
Maquiavel

Gostei!

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Fabiana Ávila said...

Perfeito! Me lembrou Arnaldo Jabor...

DianaBalis Lemos said...

Amigo , ter e ser, lembranças do vivido, um mundo sofrido, que cancela as passagens compradas pela via que segue de medo da fome. E ela existe. Bom dia, beijos. Adorei.

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