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Almas enfadonhas

/O mundo condena os solitários
Não respeita sua redenção
Nem os gritos dos convalescentes,
Mas a ponte se estende para os livres
e santificados/

/Uma mortalha consola as almas enfadonhas
E os olhos queimam feito uma estrela magnifica,
 O sopro divino improvisa um percurso próprio/

/A arte dos nobres cuja ascendência é intempestiva
Foi censurada nas palavras dos herdeiros do conhecimento
Consolo em lágrimas, aguas tranquilas, um profundo esquecimento,
Cristalizado pelos mistérios da alvorada/

/O estandarte da doença triunfa na praça dos mortos
Nas geleiras cortantes se encontra todos nossa
Bravura onde animais se farejam sedentos/

/Aprendei, desde já, precisais beber o amargo do trágico,
Imagem turva extasiada- um ardor doloroso no deserto
O fardo que agora lhe pesa enlaçando seu espírito com redes eclesiásticas /
Por Claudio Castoriadis 
Ilustração: Thayne Albano

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4 comments:

Dulce Morais said...

Claudio,
O que parecem redundâncias, da vida, dos dias ou das palavras, aparece aqui como uma multiplicidade de possibilidades e evidências.
É, claro, necessário beber o amargo para poder desfrutar do doce... mas acredito que seja possível escolher esse amargo, pela forma como encaramos e recebemos o olhar alheio...
Profundo, belo e muito, muito bom!
Abraço!

Gilberto de Almeida said...

Onde vejo a transcendência, fecho os olhos e contemplo... O esforço de entendimento a nada conduz! O silêncio interno, as águas tranquilas... Aí está a resposta! Admiro esse seu estilo, Cláudio!

Claudio Castoriadis said...

Penso e respiro um ar semelhante ao seu Gilberto. Tem algo peculiar no seu imaginário.

Claudio Castoriadis said...

Dulce tem uma facilidade não apenas de identificar pessoas com ideias e mil afins como encanta nas palavras derramadas formando versos!!

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