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AUTOBIOGRAFIA


quero ler sua biografia
ela me disse às três da manhã,
eu publiquei ontem, eu disse
então atualize, ela disse
deixe eu ter algo de novo
e a virei de costas para me aprofundar onde nunca estivera antes...
hoje eu acordei feliz
o sol brilhava e havia flores
depois o carteiro chegou com a conta de luz
e fiquei triste,
hoje eu acordei triste
o sol já amanhecera
depois chegou um e-mail dizendo que os ônibus estavam em greve
(não é greve de motorista? pensei)
mas sem ônibus não fui trabalhar
e fiquei feliz...
essas condições são assim, variam a cada dia
a cada minuto
a cada momento
estou feliz e triste
entediado e excitado
viado e puto
amplo e nulo
estou em tudo, sempre
ou nunca estou nem aí prá nada

e cadê minha obra?
quem se importa?
a obra faz o fato ou o fato faz a obra?
conta o ato e não a palavra
e meu poema é comprido e grosso e gosmento
e não tenho títulos de doutor, credor, comendador
nem floreio textos com figuras
nem encho meu curriculum vitae com firulas,

poesia, minha cara
é um verso depois do outro
alguém lê
alguém gosta
alguém posta
e amanhã ninguém se lembra!
o autor quer ser lembrado?
compre um banco em praça publica
não compre publicação
que poeta que é bom morre de fome
e ninguém fica sabendo.

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4 comments:

Nina Sayeg said...

Carlos,sua poesia hje me lembrou a narrativa de Orígenes Lessa,O Feijão e o Sonho,onde o poeta se divide entre o cotidiano da conta d luz e a necessidade de escrever,como beber água e se alimentar,O que dizer?As contas chegam,o amor requer cuidados,onde a conta d luz apaga o brilho da noite anterior,a vida continuna com as greves,o trabalho urge,entramos nos poetas ultra-sromântciso,sentar em um banco e morrer d fome...o q importa ,o fato faz a obra ou a obra faz o fato?Um questionamente q talvez não sejamos amplos ou logicistas demais p responder.Morrer d fome,sim,os poetas morrem d fome,há poetas em esquinas,como músicos q s manifestam,,enquanto a vida passa ao lado deles.Talvez ,onde a estrofe s inicia com letra minúscula e cadê minha obra possa resumir a minimização perene da arte.Outro questinonamento,um discurso direto,e o autor quer ser lembrado?Creio que sim,creio q não,todas as estrofes iniciadas por letras minúsculas sinalizam as dicotomias entre acordar feliz e se enrigecer diante do dia a dia.Puto e viado,outra antítese,puto por que o sexo é como o verso,o fato(falo)grosso se disponibiliza a venda,depois,como uma meretriz,satisfaz os leitores e ninguém s lembra,ou viado,por que o falo(fato)importa menos do que os poemas penetrados em cada um d nós?A eterna dúvida,o eterno martírio dos escritores,sim,os leitores s lembram,assim como algumas prostitutas são inesquecíveis,assim como a inspiração faliana é fato-caneta de um poeta que se importa ou não.Ler sem dar tempo d respirar,sem titulçações,sem flores ,mas elas existem,pq estão no seu poema grosso,gosmento...e doutores,sim,os poetas o são,da alma...

Dulce Morais said...

Sempre muito interessante e criativa a sua poesia, Carlos!

Edna Rosa said...

Carlos,querido!
Em nosso cotidiano metódico ou aleatório,sempre há um ensejo tênue. Linhas instigantes em que, o seu eu... o questiona, o afirma, o aproveita, o alerta, enfim, o sensibiliza para o exato momento, seja positivo ou negativo.
Já dizia o saudoso Vinícios de Moraes...´´A vida é arte do encontro, embora haja muitos desencontros pela vida.´´
Mas, poucas e sábias palavras são entrelaçadas para compor um majestoso cotidiano. E você Carlos,não meramente,nos envolve com seus pensamentos e sutilezas, que só um poeta tem a essência de expressá–las. E eu, discreta leitora, fico apenas em leves acenos, ao meio da gritante platéia. Parabéns por todos os escritos! Poesias, poemas, ou deliciosos fragmentos são sempre encantadores, quando poetizados por você.

Bom feriado!
Carinhoso abraço.

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Carlos, se poeta que é bom morre de fome. O mesmo não acontece com seus leitores pois recebem alimentos de grande valor nutricional.
Bjs no seu coração.

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