Bodas de caderneta
Seu Antônio anotava tudo na caderneta. Hoje anotava os números de ontem; amanhã, anotaria os de hoje e assim sucessivamente. Mas o número que atualizava naquele instante tinha algum significado. Sabia que tinha, mas não lembrava qual! Descontando o tempo de namoro e de noivado, eram onze mil seiscentos e oitenta e sete brigas até a véspera. O que significava isso? Não conseguia atinar! Mas, de repente, como se visse um fantasma (ou como se fosse um!), Seu Antônio empalideceu! Onze mil seiscentos e oitenta e sete brigas! Como poderia ter se esquecido? Se suas contas estavam corretas... Sim! Isso mesmo, hoje completariam trinta e dois anos de casados!!! E ele não havia comprado nenhum presente. Seu Antônio aproveitou e adiantou as anotações do dia seguinte: onze mil seiscentos e oitenta e oito brigas!
Gilberto de Almeida
06/09/2013
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4 comments:
Gilberto, fez-me sorrir... e pensar... porque se houve tantas brigas, será por se amar demasiado?
Gostei deste conto!
Abraço!
Penso que, antes de ser uma história de amor, Dulce, é uma história de sofrimento contido e resignado... O pobre do Seu Antônio contava o tempo de casados pelo número de brigas que tinham tido... Tinha virado rotina... Pode isso?
:)
Há quem faça essas contagens, sim... Outros que não apontam na agenda, mas que a elas se habituam também...
Um conto muito original, Gilberto!
Obrigado, Isa! É uma infelicidade, mas é um fato! Brigas acontecem. A conciliação verdadeira é mais rara!
:)
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