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UMA MESA PARA DOIS Por Danka Maia




Acordei com a seguinte menção no celular:

_Estou falando com o senhor Henrique?

_Sim, sou eu. -Rebati prontamente sentando-me a cama limpando meus olhos enquanto com Rose, minha esposa, que jazia ao meu lado tentava compreender tudo aquilo._Querido, o que foi?

Era o Delegado Fonseca, com um tom na voz de evidente preocupação. Não quis de cara contar-me do que enfim travava-se, somente pediu para que fossemos ao nosso restaurante. Definitivamente algo estava errado.
Foi o tempo de  nos ajeitarmos ,apanhar as chaves  do local e do automóvel e seguirmos em direção ao estabelecimento. Sim, estava nervoso. Aquela reforma tinha custado anos de nossos esforços, eu na vinícola da família e ela como chefe de cozinha em renomado restaurante na Capital. Viver naquela cidade tão pequena, onde a mesma placa do máximo de rodagem também era  a mesma de quantidade de habitantes ,fora opção nossa,opção de vida, de criar os filhos que ainda não tínhamos, de envelhecer , de seguir adiante. Sim, o vilarejo ficava as margens da Rodovia dos Amarantes, também conhecida como Estrada para o inferno, pois seu final era num precipício e ao lado o único cemitério que pertencia a Vila, cujo vale a lembrança tinha muito mais habitantes que no lugarejo. A inauguração  fora um sucesso, pessoas das cidades adjacentes vinham para  conhecer o "Hell's Kitchen"  e tornavam-se clientes assíduos que convidavam outros  mais.Logo a Estrada do Inferno passou a ser conhecida como a Rodovia do " Hell's Kitchen".

Quando desci do carro notei que os alarmes do restaurante estavam á tona, parecia que tinha sido invadido por  alguém,vi o pânico nos olhares do Delegado e dos dois policiais que ali estavam consigo.Rose, ajudou abrir a porta e tentei resguarda-la atrás  de mim.Não sabíamos o que realmente sobreviera sobre o estabelecimento.

Os policiais procuraram.

 Procuraram tudo. Entretanto, nada foi encontrado. Tudo permanecia no mesmo lugar que horas antes deixamos quando fechamos as portas. O delegado me lançou aquele olhar, quando se  intui o que viu, porém a boca se receia de falar o que a mente produziu.

_Mas Delegado, por que desconfiaram que alguém havia  invadido o restaurante?- Minha esposa indagou sem nada perceber.

_Bem, estávamos na ronda de sempre, e ao passarmos na frente de seu estabelecimento um dos meus homens  viu duas pessoas sentadas naquela mesa.-Apontando para o canto esquerdo do lugar,onde uma mesa sempre pronta ficava como todo as outras,  no entanto curiosamente  ninguém jamais aceitara ou pedira para estar nela.- _Mas ao nos ver, saíram correndo para o fundo do espaço numa rapidez muito assídua, o que nos chamou muito atenção e em seguida os alarmes dispararam ,porém ao redor, nada nem ninguém foi encontrado.
Meus cabelos da nuca até o braço esquerdo arrepiaram-se por todo.Durante as reformas coisas estranham sucederam.Cinco construtores desistiram da obra por presenciar atividades sobrenaturais atreladas a imagem de um homem, que intitularam o senhor de negro e uma mulher que apelidaram de Milady devido a finesse de sua vestimenta,entretanto,eram distintos entre si,ele lançava um olhar maldoso,agressivo e horripilante.Ela era serena,doce e sempre com um leve sorriso no rosto,contudo ininterruptamente juntos. Eu e Rose jamais os vimos em tempo algum.

Depois que a polícia foi embora, decidimos olhar com mais detalhe o ambiente. Sim, tudo estava ali.Todavia, a sensação de que éramos observados do mesmo modo, o tempo todo nos entrelaçávamos um como o porto seguro do outro. Ronda feita, Rose me confessou algo que até aquele preciso instante desconhecia:

_Amor, tenho algo que já algum tempinho estou para lhe contar.

Espantado pela natureza da revelação naquela situação indaguei-a:

_E o que é?

Rose desviou o olhar de mim, semelhava recear alguma reação inóspita de minha a parte, mas foi à frente:

_Logo que compramos o restaurante, uma moça do vilarejo veio me procurar e me contou uma história muito macabra sobre o local. Na época não ideia, cri que nossos sonhos eram mais fortes que qualquer maldição de cidade do interior.

_Maldição?- repliquei sobressaltado.

_Sim. A tal mulher narrou-me entre sussurros que o lugar era assombrado. De mau agouro. Parece que há muito tempo atrás um casal comprou  todo este acre de terra e construiu uma casa para si e no fim dela o cemitério somente para eles.Amavam-se demais,queriam passar a eternidade lado a lado como a vida terrena.Todavia, ela veio a pega-lo em traição com uma mulher casada da cidade e em seguida se matou.Não suportando o episódio, ele do mesmo modo deu cabo a sua.Parece que era um homem muito rude,não muito quisto na Vila.E desde do fato,é que a Rodovia passou a ser chamada como Estrada para o inferno devido a tragédia. que os abatera.Eles passaram a ser vistos sempre de mãos dadas no cemitério vagando entre os demais túmulos e pessoas vem de longe para conhecer a história deles.

_Rose, espera mesmo que acredite nessas lendas de caipiras?- irritei-me.

_Querido... Observe os fatos. Os problemas nas reformas, as aparições e hoje!

_Aonde quer chegar?- Não intui de cara o que ela queria expor.

_Acho que devíamos repensar sobre o Hell's Kitchen .

Abandonei imediatamente a chave do restaurante e ignorei a colocação de Rose. Para mim era inconcebível cogitar tal hipótese depois de tanto esforço e trabalho. Voltamos para casa calados. Dias se passaram até que o incidente adveio, estava fechando o caixa quando do nada um cinzeiro de vidro simplesmente estourou ao meu lado. Entenda o objeto não caiu, não era leve, era denso e facilmente explodiu quase ferindo minha face. E mais uma vez aquele o ar gélido percorreu meu corpo. Ao olhar em minha visão periférica do canto esquerdo eu o vi, como um raio ele saltou de onde jazia, uma massa negra, pesada e flutuante, mas sombrio e obscuro. Jogou-me contra a parede com uma força gigantesca. Um grunhido saiu de si:

_Vá embora... Desista... Morte!

Contudo não me intimidei. Tentava me desvencilhar de seu ataque, mas parecia que todo minha seiva não resultava em nada.Ele me paralisou e foi então que a vi, vindo, flutuando em minha direção.Seu semblante era tranquilo,apaziguador.E ali dominado entendi sua voz:

_Preciso que fique Henrique,ou serei obrigada a ceifar a vida de Rose.

E fui então que compreendi.Ela era o mal e o senhor sombrio na verdade queria  avisar-me de seu intuito.E num flash vi que fora Milady quem o traira,que o local da mesa sempre pronta mas nunca usada jazia a cama de um outro tempo quando ali era o seu lar.

E me rendi.

Hoje a rodovia volveu a ser a Estrada para o Inferno.Meu restaurante demolido.O cemitério voltou a ser a principal atração da Vila.
Milady passeia com o senhor de Negro entre os túmulos deixando-se ver pelos visitantes do macabro ambiente quanto a mim, restou-me ver as lágrimas de Rose sobre a lapela de minha lápide.






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1 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Gostei demais desse conto. Henrique realmente amava Rose. Quantos fariam o mesmo que ele?

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