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Carta ao Pai Natal - Um Natal Especial



Querido Pai Natal,

Foi necessária a ideia da minha amiga Susete e este pequeno desafio, para que volte a escrever-te depois de tantos anos de silêncio.


Sabes? Nunca deixei de pensar em ti. Mas este ano foi especial, pois penso em ti já há muitas semanas. Não. Não é apenas por causa da organização do desafio neste cantinho que me é tão querido e que acolhe autores que se tornaram amigos. É também porque conheci o homem que foste até ontem. 

Sim. Aquele que foste até ontem, que se prepara há meses para entrar na tua pele a partir de hoje. Hoje já és tu. Há 12 anos que ele se transforma em ti.


Este ano volto então a escrever-te. Mas que pedir? Não costumo pedir nada, ou apenas o indispensável. Mas esse, felizmente, não me falta. Lembro-me de uma história do Pai Natal* em que um menino te pedia:

- Pai Natal, podes dar um beijinho ao meu pai por mim?
- E onde está o teu pai, meu menino? - perguntaste.
- Está no Céu, Pai Natal. - respondeu o pequenino.

Por isso, este ano, venho pedir-te para dares um beijinho àqueles que também lá estão e que enchem o meu coração de saudades, especialmente nesta época do ano;

À menina que acompanhou os primeiros anos da minha vida, um beijinho para dizer que o tempo não apaga o vazio que ela deixou.

Ao companheiro que me ofereceu o melhor de mim, um beijinho para dizer que o amor não se apaga, nem com os anos, nem com a ausência.

Ao amigo que perdeu coragem, um beijinho para lhe dizer que os braços estão mais vazios sem o seu sorriso.

À amiga que desesperou, um beijinho para dizer que os domingos de passeio nunca foram iguais desde ela.

Ao querido companheiro que se juntou a eles há pouco, um beijinho para dizer que, se a ferida da ausência não sarou, os versos dele acompanham-me cada dia e tornam a mágoa suportável.

Obrigada, querido Pai Natal, por dizer-lhes o que eu já não posso.

Mas, se não for pedir-te muito, também queria pedir-te algo para todos aqueles que me rodeiam.

Aos amigos que atravessam dificuldades, gostaria de pedir-te que leves um grande saco de coragem e a minha amizade concentrada num abraço.

Aos que são felizes, uma embalagem de sinceridade para lhes dizer que ela se fabrica e que só depende de nós conservá-la.

Estes são os meus pedidos pessoais, querido Pai Natal. Mas, ainda tenho algo que gostaria de te pedir.

Gostaria que levasses ao Mundo, ao habitantes desta Terra tão frágil que nos acolhe, a sensatez, a razão e empatia necessárias para o tornar um lugar mais seguro, um lar mais acolhedor.

Já te pedi muito, Pai Natal. Sei que sou uma sonhadora e que ainda tenho desejos utópicos. Mas isso também faz parte da realidade... 

Para terminar, quero deixar-te um beijinho nessas tuas doces barbas brancas e dar-te muita força para o trabalho que te espera. 

Feliz Natal para ti, Pai Natal.

Dulce Paula


Nota.: Para os leitores que acharem misteriosos os primeiros parágrafos desta missiva, conheçam o meu amigo que há 12 anos se transforma em Pai Natal para a felicidade dos pequenos e dos grandes durante o último mês do ano: Severino Moreira

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3 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

.
Pura humildade e gratidão.
Uma missiva digna de milhares de aplausos , emocionei-me do princípio ao fim.

Beijos .

Cássia Torres said...

Sensacional!

Amei :)

Isa Lisboa said...

Dulce, quando o Pai Natal ler esta carta não vai conseguir evitar emocionar-se, assim como eu não consegui!

Este post dispensa muitos comentários, vou apenas dizer-te que está lindo e agradecer-te não só por o teres partilhado, mas também por partilhares a tua amizade comigo!

Um beijinho grande!

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