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TUDO TEM SEU PREÇO por Danka Maia




A última estrofe de Nelson Gonçalves tocava quando o fim do começo se iniciou.

Eu já derramei um rio de lágrimas,

Muitas vezes chorei minhas mágoas

Só porque eu te amo demais...

Olha amor, dediquei a você minha vida inteirinha

No meu sonho de amor fiz você à rainha

E você vem falando em separação...

Meu amor, olha amor...

Antes que seja tarde o arrependimento,

Eu não quero ouvir mil desculpas, lamentos,

Porque tudo que eu fiz foi pra te ver feliz.


E o meu mundo terminou assim:

_ Tudo tem seu preço. -Não cri naquele momento, naquela frase, no tom de voz empregado, em aceitar que o que chamei de amor tornara-se então o meu algoz. A vida poderia ser como um cinema, mas infelizmente nasceu a realidade.

 Sabia que mais ou menos dias essa avalanche desmoronaria sem nenhum respeito em meio a minha alma,fazendo meu coração tornar-se pedra quando foi feito para ser músculo.

Não saber parar de amar é como não saber parar de comer,você sabe que saciou-se porém fica o desejo do prazer, de ter o gosto revolvendo na boca.A maior prova de lealdade de uma mulher traída é optar em continuar fiel ao seu traidor,Disse Nelson Rodrigues. Pois para mim a maior lealdade é aquela que dispensa provas de superação. Meu traidor jamais saberá o tamanho do abismo que jogou porque pouco importa o diâmetro deste abismo,o que dói,rói e destrói, foi ter me jogado lá, e não há palavras no universo suficientes para que possa expressar essa agonia, esse pranto seco e engasgado cheio de enganos, suplícios e perdoas que não podem ser a atadura da sua ferida, porque o que no corpo corta é sarado, contudo o que talha diante dos seus olhos a alma rasga, lamenta,aguenta porque tem que aguentar, porém ser a mesma, jamais será.

 Esse medo de nunca mais sentir-se dono de si, com reintegração de posse, com expectativa de ser feliz e sim de cumprir como uma ordem cabal de viver uma escolha:

_ Ah senhora, Dona Vida, o que fizeste comigo nesta paixão?

Escutei vozes que me vinham como anjos sem corpos, demônios sem rostos, todos de algum modo me garantindo que ainda existia o sorrir.

Mas como?

Mas quem?


 As pessoas dizem que Deus ainda me ama, eu penso e converso com Ele, no entanto, nada fala, ninguém aparece, ninguém desce da cruz. Achei que o pior era estar no fim do túnel, ledo engano, o pior é jazer nele sem direito a luz.

Sentada nessa sarjeta vejo a indiferença humana como em si é.

Cada um vive em sua cômoda sarjeta, cada um tem suas lágrimas, seus ais, ninguém tem olhos para mim. Entretanto, cabe antes de ir, assumir o que precisa ser dito, traí meu marido, e tudo que  ele exigiu de mim foi o fim,por isso antes de fechar a porta o rompi a covardia e tive a coragem de assumir o maior erro do que me restou de vida:

_Tudo tem seu preço, eu preciso ir.
Nelson Gonçalves-Minha Rainha

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3 comments:

Dulce Morais said...

Danka,
Uma sábia do meu conhecimento dizia: "O preço de cada coisa na vida é apenas aquele que tu decides de lhe dar..."
E se fosse esse o segredo? :)
Gostei muito desta publicação. Uma dor, mas ao mesmo tempo uma libertação.
Parabéns!
Beijinhos!

Isa Lisboa said...

"Não saber parar de amar é como não saber parar de comer"... É assim mesmo, mas há algo que cura tudo, ainda que devagar, e esse algo é o Tempo!
Beijinhos, Danka!

Danka Maia said...

Obrigada Meninas Lindas de Bonitas!
Beijocas!

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