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Das lendas: A serpente

A minha beleza não disfarça
O terror de me olharem
Num instante
De onde não podem tornar;
Mas em mim só perde
A alma
Foto: Vadim Stein
Quem o escolhe:
Não chamo ninguém
A meus tristes domínios.
É a Glória quem os traz
Chegam empurrados
Pela inconsequente audácia,
E quando meus mil olhos
Os ouvem
Ao submundo então pertencem.
De tantos que me manda
Deve ser fácil ao Mundo
Fazer heróis.
Mais fácil a mim
Torná-los pedra:
Não preciso encurralá-los
Basta-me que me olhem.
E a cada nova estátua
Que crio
Mais a serpente se apodera
Se algum dia não a fui
Já não sei.
E que me importa?
Que importa aos heróis?
A alguém?

- Quem sou eu? -


#Das lendas

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4 comments:

Dulce Morais said...

A nós próprios pertencemos... mas guardamos sempre no nosso intimo o temor inexplicável do olhar que outros podem sobre nós deitar...
Adoro os teus versos, Isa!

Isa Lisboa said...

... e talvez medo do que veremos reflectido nesse olhar e do que o reflexo nos pode fazer...!
Obrigada, Dulce!

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Isa, o bacana da poesia é que ela é interpretada e sentida de "x" maneiras. Lembro-me que uma vez perguntaram ao Drummond sobre o que significava a pedra nesses versos "No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra..."
Ele respondeu era realmente uma pedra, em uma rua de Itabira-MG.

"Chegam empurrados Pela inconsequente audácia, E quando meus mil olhos Os ouvem Ao submundo então pertencem". Remeteu-me a classe dos políticos.
Bjs.

Isa Lisboa said...

Sim, Clau, é verdade que a poesia pode ser interpretada das formas mais variadas. É uma das coisas que mais gosto nessa arte!
E achei muito interessante a forma como você leu essa pedra na estrada, de meu poema! ;)
Beijinhos

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