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Depois...


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É exigir demais de si mesmo querer ser feliz numa cidade entre pessoas que têm costumes e práticas das quais se discorda. Quando insistimos em aí viver, sentimos a felicidade escoar por entre os dedos; não deixamos de ser inconformistas, mas, somos inconformistas infelizes e deprimidos.

É preciso algum tempo para perceber isso e mais algum ainda para alçar voo. Sabemos que é possível ser feliz e acreditamos que sabemos como. É simples, basta sair da cidade; afastar-se do contato diário, constante e desgastante com as pessoas e coisas. Ousado? Sim, é ousadia! Mas o que mais pode fazer um homem se sua vida no meio de outros lhe é destruidora?! Deve ele persistir em viver na cidade, conseguindo tréguas esporádicas entre longos períodos sufocadores e inibidores de suas potencialidades humanas latentes?!

Deve-se procurar o próprio habitat. Veja as plantas. Todas são vegetais, mas, cada qual só se desenvolve plenamente dentro de seu próprio ambiente, com suas condições ideais de luz, temperatura e pressão. Por que só o homem não pode buscar suas condições ideais para melhor se desenvolver? Até mesmo as outras espécies animais têm seu conjunto de circunstâncias, físicas e geográficas, que oferece condições favoráveis à vida e ao desenvolvimento pleno. Veja-se o pinguim, o urso polar, o mico-dourado... Por que se exige do homem que ele viva sempre em cidades, entre pessoas? Não, isto não está certo. É antinatural, desumano, imoral e destruidor da Vida a que todos temos direito.

Ah! Como é difícil libertarmo-nos dos grilhões colocados em nossas mentes, através dos ensinamentos para vivermos uma vida coletiva, onde o que importa é a felicidade do grupo, o imposto que se paga, o produto que se vende e o dinheiro que circula de mão-em-mão... o lucro...

Ir para um lugar onde possa ouvir o próprio coração e alimentá-lo com o verdadeiro alimento. Nunca é tarde demais. Certas coisas acontecem que nos empurram ou vão ao nosso lado para tal lugar. Às vezes vamos sós, às vezes - talvez mais felizes - vamos acompanhados.

Finalmente iria viajar! Abriu o porta-malas do carro, já com a bagagem arrumada e atirou para um canto os livros e a pasta cheia de provas para corrigir, mas só faria isso depois da viagem, um pouco antes das aulas na universidade recomeçarem. Agora, depois que dera a última aula do semestre, iria realizar o seu grande sonho, aquele que sonhara desde a juventude – há quantos anos? -, mas, por falta de dinheiro não realizara: comprar um jipe e com a bagagem necessária e suficiente para poder parar onde e quando quisesse e sem depender de nada, partiria...

Mas, eis que veio o casamento, os filhos e as responsabilidades e, com isso, o sonho foi engavetado e fechado à chave do esquecimento. Raras vezes se lembrava, mas aí alguém ligava a televisão, vinha o jornal, a novela...

Mas, agora, chegara a sua hora e vez. Sua esposa e o casal de filhos – quinze e dezesseis anos – partiram uma semana antes para a casa dos pais no sul. Ele ficara de ir duas semanas depois. Abaixou a janela de lona da traseira do jipe, afivelou bem e estava pronto para ir. Finalmente estava pronto!

Já sentado diante do volante seu olhar estendeu-se para além do horizonte e lá permaneceu.
EP.Gheramer

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8 comments:

Gilberto Fernandes Teixeira Teixeira said...

"Depois..." De analisar todas as circunstâncias da tão desejada viagem; ele arrumou suas malas e colocou lá dentro todos seus anseios e sonhos, fechou o bagageiro e acelerou seu potente Jipe rumo ao seu destino geográfico guiado apenas pelo GPS do seu coração.

Aline Andra said...

O difícil é partir, mas "nunca é tarde demais".
Adorei!

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

"Ir para um lugar onde possa ouvir o próprio coração e alimentá-lo com o verdadeiro alimento. Nunca é tarde demais. "

Nunca é tarde para abrirmos nossos olhos espirituais e ouvir a canção do nosso coração. De um tempo para cá venho alimentando um sonho de fazer mochilão e que bom que meu marido topou . Agora só temos que entrar em acordo , quero litoral pois amo mar, praia e ele prefere serra , muito verde e cachoeira.
Beijos no seu coração.

B. said...

Muito bom! As vezes precisamos nos desligar de toda essa voracidade e caos urbanos. As vezes a simplicidade das coisas e da natureza nos faz mais felizes.

E.P. GHERAMER said...

"Ir para um lugar onde possa ouvir o próprio coração e alimentá-lo com o verdadeiro alimento. Nunca é tarde demais. "
Muito lindo isso, Claudiane!
FAÇAM ISSO!!!

E.P. GHERAMER said...

Tem razão, B. Grato por seu Comentário!
Grande abraço!

Dulce Morais said...

EP, ainda hoje escrevi a um amigo dizendo: "O ser humano habitua-se a tudo... esse não é o problema. No entanto, habituar-se a algo que não está certo ou a algo que não é bom, é o pior que possa acontecer à nossa alma..."
Adorei o seu conto!
Abraços!

E.P. GHERAMER said...

Verdade, Dulce - é a morte em vida!

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