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...os dois se tornem...

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- (...)
- E quanto às mulheres, o que pensa o solitário? Não sente falta delas? – perguntou o velho, demonstrando interesse pelo rumo que a conversa tomava.
- Pois bem. Se quiser mesmo saber, vou dizer o que nunca disse por receio de não ser entendido. Veja bem. Enquanto eu crescia em estatura e aprendia com os homens comuns a ser igual a eles, eu acreditava que o homem existia para a mulher e esta para ele. Entretanto, hoje, quando paro para pensar sobre isso, vejo que poucas mulheres eu encontrei, na maior parte das vezes, o que achei foram fêmeas.
- Mas, mesmo sendo uma fêmea, um homem não necessita dela, isto é, não é justamente este um aspecto que não pode ser desconsiderado e, por outro lado, também a fêmea não necessita do homem como um macho? – replicou o velho.
- Sim, porém, o homem precisa, em primeiro lugar de uma mulher e, em segundo, de uma fêmea. E dessa forma também acontece com a mulher. – respondi.
- Mas não é isso o que se observa no relacionamento dos homens aos quais você chama de comum? – perguntou o velho.
- Sim, pode parecer que sim, mas, se olharmos com atenção, veremos que tal relação – somente no nível de macho e fêmea – não se tem mostrado satisfatória para ambos; nenhum dos dois têm sido satisfeitos completamente e isso acontecerá sempre, enquanto cada um estiver sendo usado somente como objeto de satisfação sexual, pois, a vida não se resume somente a isso, há mais coisas envolvidas... Sempre que nos ocuparmos, em demasia, de um só aspecto envolvido no relacionamento, estaremos relegando a planos secundários todos os demais. E a satisfação advém da soma de todos eles, nunca apenas de um só.
- Então o solitário – continuou o velho -, conforme você o define, não tem nem a satisfação parcial que vem com o ato sexual com a fêmea ou com o macho, se o solitário for mulher... – continuou o velho.
- Não necessariamente. Num bar, numa esquina, em qualquer lugar, um dia ou outro o solitário pode satisfazer esse aspecto. Porém, é bom notarmos que mesmo assim, na realidade, isso não o satisfaz... Porque a satisfação de um deve ser conseguida com a mesma pessoa que lhe satisfaça todos os demais aspectos.

- Quer dizer – continuou o velho – que a apenas relação sexual com diferentes fêmeas ou machos não é suficiente para a realização plena, isto é, na medida em que ela está, intrinsecamente, ligada também à satisfação das demais necessidades... – falou o velho.
- Sim, penso que é isso e mais outras coisas. Quando duas pessoas estão numa relação sexual apenas como macho e fêmea, nada mais há nesta união, senão a busca do prazer, do orgasmo. São dois seres estranhos que se usam mutuamente. Por outro lado, quando um homem e uma mulher estão fazendo sexo, há muito mais coisas envolvidas e é esta a diferença entre sexo e amor. Nesta última, aparentemente igual à outra, cada um pensa no outro, pois, um conhece o outro e, o que é mais importante que tudo, é que cada qual está consciente de que está proporcionando prazer ao outro e é aí que reside a sua realização. Já entre a fêmea e o macho, cada um está procurando apenas o seu próprio prazer.
- Então, o que dizer sobre o que é uma fêmea ou um macho para o solitário? – perguntou o velho.
- Dentro deste contexto, isto é, isoladamente, eles nada mais são do que algo que os deuses criaram para a distração dos humanos. A fêmea conhece a mente do macho, o que ele pensa e o manipula a seu bel prazer... - dizia eu quando fui interrompido pelo velho.
- Ora, mas é o macho que pensa que manipula a fêmea...
- Em primeiro lugar, um homem nunca quer manipular uma mulher e isso porque ele é um homem e ela uma mulher; somente machos e fêmeas se enganam a esse respeito. A fêmea sabe perfeitamente o que o macho quer, isto é, o seu corpo e, por isso, carrega o macho de um lado para outro a tiracolo, enquanto ele pensa que é ele quem faz isso. Porém, há que se observar que numa relação assim, um não é melhor que o outro; podemos dizer que ambos se merecem. - respondi continuando do ponto em que fora interrompido.
- Sim, mas mesmo o solitário carrega dentro de si a sensualidade. Os seres humanos são todos assim. Ela vive dentro de cada um e suscita tempestades e muito mais. O humano a traz em seu coração e nele ela arde. E isso, tanto no macho e na fêmea quanto no homem e na mulher. Conheces esse mistério?! O coração humano é um campo de batalha...
- Sim, meu amigo tem todo razão. É por isso que ela existe, pois, é a força e a expressão plena da necessidade de um relacionamento em que ambos se completem, isto é, em que os dois se tornem um.
 (...)

#Fragmentos
EP.Gheramer

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4 comments:

Dulce Morais said...

Ah, EP, se as relações pudessem sempre ser acompanhadas daquele sentimento que une na perfeição e que nada exige...
A relação física, quanto a ela, chegaria como a pontuação, como a coroação dessa relação... e não como objectivo e fim em si...

Adorei este pequeno conto!
Parabéns!

E.P. GHERAMER said...

Sabe, Dulce, no passado - bem distante - eu ficava pensando se vale à pena lutar por este tipo de relação...Hoje, Dulce, eu tenho a certeza que vale - nem que seja por mim!
Um grande abraço e obrigado pelos seus Comentários em minhas postagens; eles me dão a certeza de estar sendo entendido.

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

"Sempre que nos ocuparmos, em demasia, de um só aspecto envolvido no relacionamento, estaremos relegando a planos secundários todos os demais. E a satisfação advém da soma de todos eles, nunca apenas de um só. "

E,P gostei demais deste texto e temos que lutar sim para trilharmos sempre esse caminho do equilíbrio.
Abraços

E.P. GHERAMER said...

Vamos fazer isso, Claudiane... E sem nunca desistir!
Um grande abraço!

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