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Um caipira entre bandidos

Uma poesia escrita por ocasião das Festas Juninas de 2011.
JGCosta


Clique na imagem para ver de onde ela veio!



Outro dia estava sossegado lá em casa
Quando ligaram pro meu celular
Nem perguntei quem era, nem nada
E falei que eu não ia pra nenhum lugar
Disseram então que eu mandasse brasa
Pois para a quadrilha eu agora ia entrar

Dei endereço e a referência da rua
E vestido a lá Mazzaropi eu aguardei
Até um bigode fiz na minha cara nua
Num golinho de conhaque me esquentei
Já passavam vários minutos das duas
Quando no opala do grupo eu entrei

Estavam todos bem disfarçados
Mas não pareciam nada caipiras
Olharam-me com os olhos virados
Não houve quem deles que não rira
Na certa escolhia era o convidado
O traje que para o baile vestiria

Perguntei onde estavam as donzelas
Eles falaram que dentro do banco
Bom, desde que fossem belas
Tomar-me-ia até chá de tamanco
Eu não esperava era mulher tais aquelas
Com blazers azuis e bordados em branco

Esperava entrar num grande arraial
Enfeitado com fogueira no meio
Havia somente bandeirinhas num varal
Mas as bombas estouraram tal num tiroteio
O estampido para o alto foi o sinal
Que pra festa nenhum daqueles veio

Foi quando me deram uma grande sacola
Que percebi que estava na parada errada
Meu parceiro armado empunhando uma pistola
Chamava os bancários a toda hora de cambada
E mesmo a gerente que era uma senhora
Não escapou de quase levar uma coronhada

Tudo aconteceu muito rapidamente
Ninguém se feriu e voamos no mundo
Os meus “amigos” ficaram contentes
Da minha boca nem um sorriso mudo
Já pensavam em comprar seus presentes
Eu imaginava onde ia dar aquilo tudo

No final dividiu-se igualmente todo dinheiro
Eu atuei meu bom papel até o fim
Fiz de conta que esse trabalho não era o primeiro
Enquanto via uma cova no fundo do meu jardim
Não sei como não perceberam o cheiro
Do medo que exalava em enxurrada de mim

Chamando-me de caipira foram embora
Graças ao meu reconhecido talento
E apesar do sol forte que até o matuto cora
Eu tremia tal uma vara verde no vento
Creio que passou bem mais de uma hora
Para eu conseguir entrar lá pra casa adentro

Não houve nenhuma Rosinha no bailão
Nem vinho quente, pipoca ou cocada
Assim eu que esperava um quentão
Acabei por engano caindo numa roubada
Tive que desaparecer do quarteirão
Tive que por o pé de vez na estrada

O fruto do roubo que ficou comigo
Mandei por correio ao banco de volta
Nem queria lembrar o momento vivido
Nem encostei o dedo numa só nota
Já bastava ter dançado como bandido
Num baile sem música feito idiota

Aprendi com isso tudo uma grande lição
Que eu carrego hoje para todo lugar
Não ir topando tudo só por diversão
Não espalhar o meu número do celular
A sorte nem sempre é uma opção
Geralmente quem sempre ganha é o azar

O que aconteceu com o resto da quadrilha?
Eu não sei e nem quero mais saber
Só espero que não sigam a minha trilha
Pois esse bobo aqui teve que crescer
Por causa deles deixei pra trás a família

Esse caipira já não tem mais nada a perder...

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1 comments:

Dulce Morais said...

JG, li os seus versos como se fossem o fruto de um sonho... ou pesadelo... é difícil dizer...
Mas gostei da originalidade!
Parabéns!

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