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De Copérnico à Pós-modernidade


     
                      
          Se o Tempo fosse um caminhão de mudança carregado de pensamentos e valores, eu diria que na última curva da estrada as amarras se romperam e, desde então, ele veio perdendo sua bagagem de tal modo que, hoje, os móveis que ainda transporta, não são suficientes para mobiliar a nova casa para onde o homem pós-moderno se mudou, de modo a lhe proporcionar conforto com o que restou. Não pode mais remontar o mundo povoando-o com as ideias, pensamentos e valores que foram perdidos pelo caminho e nem consegue, com os que lhe sobraram, arrumar o novo ambiente de maneira a fazê-lo sentir-se bem.
     Assim, encontra-se numa situação de completa desorientação e ao sabor das intempéries que não cessam de trazer novas informações sem saber onde colocá-las no seu novo ambiente; acometido de uma sensação de desorientação que pode leva-lo ao desespero, ao mesmo tempo em que não vê sentido para sua própria vida.
     Este o retrato do homem moderno. O que sobrou não é suficiente para dar-lhe o mínimo de segurança; sente falta da cadeira, da cama e do fogão... Mas, antes, é preciso redescobrir o fogo e reinventar a roda diariamente, num constante renascer. 
     Ao contrário do que possa parecer, o homem da Pós-modernidade não se encontra estagnado. Está em seu processo natural de transformação e desenvolvimento que – periodicamente – o faz passar por crises agudas, obrigando-o a repensar o mundo que está num constante devir. Daí a necessidade de renascer a cada novo dia para, como diz Lyotard, “mobilizar em favor da sobrevivência as forças lúdicas, rebeldes e por natureza resistentes àquilo que pretende apresentar-se como definitivo.




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8 comments:

Dulce Morais said...

EP,
É uma reflexão profunda que nos propõe aqui:
O mundo moderno nos oferece tanta informação, tantas possibilidades que, a maior parte do tempo, não sabemos para onde nos dirigir.
Houve épocas em que a nossa liberdade de escolha era limitada ou inexistente. Hoje, todos queremos a liberdade - ignorando muitas vezes o que ela significa de responsabilidade - e acabamos por escolher mal por não nos conhecer o suficiente, passando o resto da vida esfomeado do que poderíamos ter t(s)ido.
Adorei a leitura e esta reflexão que, certamente, não ficará por aqui.
Obrigada!
Abraço!

E.P. GHERAMER said...

Ter ou Ser? - Eis a questão!
Grato por seu Comentário enriquecedor.
Um carinhoso abraço, Dulce!

Isa Lisboa said...

Uma alegoria muito bem pensada, EP!
Um abraço

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

E.P seu texto é riquíssimo. Em relação ao valores,faço um trabalho de formiguinha com alunos que passam por mim.Creio que ainda há tempo de recuperá-los .

mochiaro said...

Tal como você descreve no inicio as perdas dos que nos foram presença num passado, hoje não nos oferece acessos e nem lugar, caso ainda presente ficassem.
No aperto, até no ambiente ofertado, ficamos espremidos dentro da modernidade cruel á destruir as construções seguras dos idos tempos onde não se falava em modernidade.
Mas, como você mesmo expressou tem o processo da transformação e nos faz lembrar os dizeres de Antoine Laurent de Lavoisier (Paris, 26 de agosto de 1743 — Paris, 8 de maio de 1794) por ter enunciado o princípio da conservação da matéria: Na natureza nada se cria ou se perde tudo se transforma. Logo, tudo que existe provém de matéria preexistente, só que em outra forma.
Infelizmenate teremos que vivenciar com essas mudanças que dentro da modernidade tem o seu valor real e utilidade.
Mas que tem um sentimento, que seja até em museu mental, no princípio das coisas hoje existentes.
Dira até que a vida é um circulo, tal como eu poetei nesse blog com o título de Em Círculo. Temos um inicio e voltamos à origem zerando tudo, preso por um raio que seja até imaginário. Muitos são felizes em ter angariado essa expseriencia passada o que faz comprender as mudanças; o que não acontecem, infelizmente, com a nova geração, que depende da alta tecnologia, no aceite quase que lhe é ofertado.
Muito bom seu texto
Um abraço

E.P. GHERAMER said...

Caro mochiaro.
É bem verdade que as mudanças “têm o seu valor real e utilidade.” Ao mencionar seu Poema EM CÍRCULOS despertou minha curiosidade e fui até lá beber da fonte. Achei muito interessante a mesma ideia geral, dita por você, de uma forma poética, como passo a citar:
“Assim me fez sentir que não adianta partir,
sem destino e preso ao mesmo raio que me faz girar.
Voltarei sempre à origem de nossos desejos.”
Grato por sua atenção ao tecer este seu relevante Comentário.
Um grande e forte abraço!

E.P. GHERAMER said...

Cara Claudiane.
Sei muito bem do que está falando quando diz que faz “um trabalho de formiguinha com alunos...”. Enquanto exerci o magistério, também fiz a minha parte e bem sei que não é coisa fácil, mas, também sei que não conseguimos deixar de fazê-lo. Quando exercemos um trabalho que amamos – estou falando especificamente do Magistério, embora sem excluir qualquer outro que fazemos com amor - há uma força que não nos deixa desistir e muito menos cansar. De todas as fases de minha vida, posso dizer que lecionar foi uma das melhores.
Obrigado por seu Comentário.
Um carinhoso e fraterno abraço, Claudiane!
PS: Parabéns por seu trabalho de formiguinha!

E.P. GHERAMER said...

Seu Comentário está dizendo que consegui passar meu pensamento sobre o assunto.
Obrigado, Isa.
Um grande, fraterno e carinhoso abraço!

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