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Desintegração de posse

Aquele que

       pensava que

               tinha

               um carro,
               uma casa,
               um paletó,
               uma guitarra,

               uma pessoa querida,

               dinheiro no banco,

um dia ficou

               sem carro,
               sem casa,
               sem paletó,
               sem guitarra,

               sem uma pessoa querida,

               sem dinheiro no banco.

E seu desespero foi ouvido
muito além de tudo isso,

porque ele

       vivera para

               seu carro,
               sua casa,
               seu paletó,
               sua guitarra,

               sua pessoa querida,

               seu dinheiro no banco.

E, sem o que acreditava possuir,

       ao contrário, compreendeu-se

       possuído.

E agora chorava,

       porque continuava a pertencer 

       ao que nunca teve.


Gilberto de Almeida
29/05/2014.




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8 comments:

Dulce Morais said...

Gilberto,
Lembrou-me de uma canção em francês : "J'ai pris les choses et les choses m'ont pris" (Peguei as coisas e as coisas me pegaram).
É isso mesmo, não é? Afinal, nada somos se não vivemos para o que está dentro de nós... tudo o resto, é artifício...
Adorei!
Abraços!

https://www.youtube.com/watch?v=7oNV2KIhYko

Gilberto de Almeida said...

É bem isso, Dulce. Damos às coisas do mundo material um poder sobre nós que só existe porque o concedemos. Assim, somos prisioneiros do que desejamos. Um grande abraço.

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

No corre corre em obter elementos materiais acabamos por descuidar
da nossa verdadeira porção.
Abraços.


mochiaro said...


Pensava que... Uma criação mental na origem dos fatos que se tornam inexistente
Um dia ficou... Sem os inexistentes nos fatos voltando a origem.
Vivera para... Dedicou a criação inicial numa vivencia inexistente
.
Inexistente criativo x inexistente possuído

E agora chorava... Um gotejar nos olhos com a perda dos inexistentes

Maristela Ormond said...

Eaqueceu-se de que tudo nesta vida é somente um empréstimo e o materialismo exacerbado e apegado no poder pode ser uma queda sem fim. Muito lindo e verdadeiro.Adorei!

Gilberto de Almeida said...

Verdade, Claudiane, há algo em nós do qual habitualmente descuidamos, algo que é verdadeiramente importante!

Gilberto de Almeida said...

Bela interpretação, meu amigo Mochiaro. Enriquece o poema! Obrigado!

Gilberto de Almeida said...

Muito bem falado, Maristela. Tudo nessa vida é somente um empréstimo... E como nos escravizamos ao que não nos pertence...

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