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Conversa entre poetas Josué Brito e Isa Lisboa

Josué Brito para Isa Lisboa

Todos nós descobrimos a poesia de um modo, seja em um momento bom ou um momento ruim na vida. Como e quando você descobriu e qual o modo que essa descoberta afetou a sua vida e o seu estilo?
Bom, eu escrevo desde cedo. Mas comecei a escrever prosa poética, pois era o estilo em que as palavras fluíam. Depois de começar o blog, comecei a ler uma série de autores talentosos da blogoesfera. Neles se incluíam muitos poetas, que escrevem no estilo livre (sem rima). Decidi então experimentar. Fui tentando escrever as ideias que tinha, mas mudando um pouco o ritmo, para "poetar" a ideia, ao invés do texto solto da prosa poética.


                                                                                                         Josué Brito
Você é portuguesa e como sabemos Portugal é um país onde encontramos diversos poetas de expressividade internacional, e também é a terra do fado. O que você acha que a poesia hoje representa para Portugal e para o mundo? E você concorda que com o tempo os poetas e fadistas perderam espaço na sua pátria?
Sem dúvida, Portugal ofereceu grandes poetas. Da mesma forma também grandes fadistas! Creio que a poesia tem vindo a perder algum do seu lugar – em Portugal e no Mundo - tendo vindo a ser substituída por outras formas de escrita e de expressão. No entanto, Portugal tem belíssimos poetas contemporâneos, e a poesia continua a existir e a ter leitores. Já quanto ao fado, não tem já o espaço da sua origem, ou até bem conhecida Amália, mas a nova geração de fadistas (por exemplo, Mariza, Ana Moura, Camané, entre outros), tem dado um novo fôlego a esta forma de cantar tão nossa, e que tão bem casa com aquela palavra que só na língua portuguesa existe: a saudade! Apesar de tudo, acredito que ainda exista poesia e fado - como se cantava num fado: “Tudo isto existe, tudo isto é fado!”

Quais são seus ídolos e seus sonhos que você pretende realizar com sua poesia?
Um dos meus poetas favoritos é sem dúvida Fernando Pessoa. Especialmente a poesia que assinou em nome próprio e a que assinou como Álvaro de Campos. Os temas destas poesias são muito ricos e a forma como ele os explorava na sua poesia toca-me muito enquanto leitora. Para, além disso, toda a questão da heteronímia e a forma como ele a vivia sempre me fascinaram imenso! Também gosto muito de Nuno Júdice, Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyner…! Isto apenas para citar alguns, de entre os mais conhecidos. Os meus projetos na área da escrita são, sobretudo de aprender mais e… experimentar, experimentar, experimentar! Tenciono manter o meu blog pessoal, bem como as participações em blogs coletivos, como o Tubo de Ensaio que nos recebe! Quanto a outros projetos, certamente existe vontade de ir mais além. Gostaria muito de ver as minhas palavras impressas, mas por enquanto ainda é cedo para falar de detalhes. Mas ideias existem, e caneta e papel também não faltam, para apontar o que a inspiração vai trazendo!

Como sabemos vivemos um período onde a poesia varia de poeta para poeta, tudo que já tivera que ser produzido, já foi. A nossa poesia contemporânea oferece tudo que pode ou não, qual sua opinião. Você acha que ainda podemos atingir outro patamar?

A literatura foi evoluindo ao longo dos anos, em conjunto com a expressão dos tempos, com os anseios e interesses das gerações e dos povos. Se há ainda mais para dar na nossa poesia? Por vezes faço essa pergunta a mim própria, em relação à minha escrita… Na realidade já tanto, foi escrito, que poderei eu ainda escrever de novo? E depois no momento seguinte, a inspiração me faz escrever algo novo, um novo sentimento me puxa para o papel. Por isso, acredito que haverá sempre algo novo para escrever, tal como uma nova música para fazer, um novo quadro para pintar. E, se não fecharmos a porta à nossa veia poética, então, talvez atinjamos, sim, outro patamar. Pelo menos vale a pena sonhar com isso!

Não somos reconhecidos pela poesia, atualmente, poucos são. Você já pensou alguma vez em desistir defronte as dificuldades da nossa literatura?
Na realidade não pensei desistir. Mas a verdade é que para mim essa resposta é fácil, visto que não escrevo por profissão. Escrevo como hobby e isso me dá algum conforto em relação a esse tema. Mas acredito que quem  faz da literatura a sua profissão não deve desistir!
Ainda há muitos leitores no mundo, e que apreciam estilos variados.


Isa Lisboa para Josué Brito

Como você descobriu o gosto por ler e por escrever poesia?
Creio que eu jamais descobri, eu nasci com o gosto para poesia. Eu infelizmente não guardo muitas memórias, mas segundo relatos escrevo poesia desde os meus 08 anos. Entretanto o estilo que adotei mais recentemente tem uns dois anos. Eu sempre fui um ávido leitor de prosa, até hoje dos mil livros que li apenas 2% correspondem à poesia. Comecei a escrever poesia muito antes de ler poesia. Mas com o aprofundamento no estilo lírico resolvi ler poesia e desde então me apaixonei por Cecilia Meireles, Carlos Drummond, Shakespeare, Fernando Pessoa entre outros clássicos do nosso estilo. Costumo dizer que não descobri a poesia, a vida me levou a poesia... O estilo lírico foi o único modo autentico que descobrir para me expressar.

Você me falou da sua admiração pelo fado português. Para além de ouvi-lo, você se atreveria a cantá-lo? Ou outro estilo? Na realidade, o que gostaria de saber é se você pratica alguma outra forma de arte, além de sua bela poesia?
Eu sou uma pessoa muito atrevida, e de vez em quando me atrevo a cantar um bom fado, uma bossa nova... Além disso, faço desenhos, é uma forma de expressão que adotei em concomitante com a poesia. Faço um pouquinho de todo o tipo de arte. Como você, gosto de experimentar, descobrir coisas novas. Mas sou mesmo é poeta. É poesia, o prazer de "brincar" com a nossa língua riquíssima é o que me move.

Existe algum tema e/ou forma de escrita que você ainda não tenha explorado e que gostaria de abordar?
Gosto de explorar de tudo um pouco, gosto de brincar com as diferentes forma de escrever, entretanto tem uma que exploro hora e quando, não sendo tão frequente, é a métrica, gostaria de escrever mais sonetos clássicos, e poemas metrificados, não há nada melhor do que trabalhar com regras e fazer uma obra-prima.

Já antes falamos dos seus ídolos! Bom, o desafio que tenho para lhe propor agora é o seguinte: Imagine que poderia passar um dia inteiro com um deles? Quem seria e o que gostaria de lhe perguntar?
Queria passar um dia inteiro com Fernando Pessoa. Gostaria de perguntar para ele duas coisas; "Valeu a pena?" e "Qual o seu segredo?”.

Se você fosse um livro, qual seria?
Seria algum desses livros pouco lidos das velhas bibliotecas e que ninguém nunca entende. Acho que seria uma enciclopédia filosófica.


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6 comments:

Isa Lisboa said...

Josué, foi um enorme prazer participar desta "Conversa no Tubo" com você! Foi muito bom poder conhecê-lo um pouco melhor! :) Obrigada por esse momento!
Um abraço

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Josué ,bacana você desenhar. Nunca pensou em divulgar nesse espaço?

Isa, adorei as perguntas formuladas por você.

Um abraço carinhoso para os dois.

Maristela Ormond said...

Nossa que bacana ficou isso! Inclusive deu um "up" para que eu não deixe de tentar nunca enquanto admiradora da poesia e da arte em geral. Amei essa entrevista. Beijos aos dois.

Gilberto de Almeida said...

Josué e Isa, foi um grande prazer ler esse bate-papo entre vocês dois. Como disse a Maristela, "deu um up". Muita poesia na vida de vocês dois!

manuel marques Arroz said...

Parabéns ,gostei imenso de conhecer mais um pouco de vocês.Bem hajam.

Isa Lisboa said...

:) Obrigada a todos! Fico muito feliz que tenham gostado de ler esta nossa conversa! Um abraço enorme a todos!

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