Powered by Blogger.
RSS

ESCRITOS DE UM POETA.

ESCRITOS DE POETA.
(Maristela Ormond. Crônicas).

               O poeta não escreve necessariamente aquilo que sente. Por vezes, pensa em fazer feliz aquele que o lê.
               Uma palavra que surge durante o seu dia, de um amigo, sei lá, ou até a cena de um filme, levam o poeta a versejar.
               Muitas pessoas acreditam piamente que determinado texto que leem de alguém conhecido ou mesmo desconhecido é parte integrante da vida intima ou social da pessoa que o escreve, porém isso não é verdade.
               O texto surge como uma vontade de dizer algo a alguém que você mesmo não tem ideia de quem seja não importa. O que importa é que ele saia de dentro de sua mente, doentia ou sadia, mas se concretize numa folha de papel.
               Muitas vezes acontece de escrever e depois de fazer a leitura parece algo inconsistente, um absurdo até... Então aparecem as trocas de palavras, as trocas de rimas que tendem a piorar a situação... Como sempre digo, seria cômico se não fosse triste! Mas é assim mesmo que acontece.
               Alguns escritos ficam por anos dentro de uma gaveta, de vez em quando são lembrados e relidos. Há dias em que parece a coisa mais importante de sua vida e ganharia um premio Nobel, outras vezes a vontade de queimá-lo, destruí-lo é grande demais. Mas acredito que seja essa a saga vivida por alguém que gosta de escrever, seja ele um poeta ou não, ou minimamente que tenha vontade de ser lido por alguém, uma vez que nos dias atuais as pessoas já não têm muito interesse em ler algo e principalmente se for um texto longo...

               Então fico eu pensando nesse momento: O que eu queria mesmo com essa crônica? A quem desejo atingir? Bem, já que quem escreve algo escreve para alguém, talvez você que esteja me lendo agora possa sentir e responder essa questão colocando em suas mãos um lápis e uma folha de papel.

Imagem da Web - Google.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

4 comments:

E.P. GHERAMER said...

Não vou responder, apenas sentir e deixar uma fala de Sócrates em seu diálogo com Íon: "Pois é certo que os poetas nos dizem que é colhendo nas fontes de mel de certos jardins e vales das Musas que nos trazem as "melodias" - tal qual as abelhas também eles próprios dessa maneira voando. E estão dizendo a verdade: porque o poeta é coisa leve, e alada, e sagrada, e não pode poetar até que se torne inspirado e fora de si, e a razão não esteja mais presente. Até conquistar tal coisa, todo homem é incapaz de poetar e proferir oráculos."
Deixo meu abraço e parabéns pela agradável e bela Crônica.

Maristela Ormond said...

Obrigada E.P.Gheramer sou sua fã. Boa noite!

Gilberto de Almeida said...

Quando li o comecinho da sua crônica, Maristela, na parte em que diz que o poeta não fala necessariamente da sua vida, veio a mim um conhecido poema de Fernando Pessoa. Vou transcrevê-lo aqui:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Um grande abraço!

Maristela Ormond said...

Que lindo Gilberto, não conhecia. Adorei.

Post a Comment

Publicações populares