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SINCERIDADE


(Por Maristela Ormond)

            Sinceridade dói?
            Uso e abuso dela e posso garantir que dói e como dói... Dói porque cada vez que usamos de uma sinceridade que nos possa parecer verdade absoluta, ficamos com sentimento de termos prejudicado o outro por causa dela e sempre, ou quase sempre, temos um “insight” daquilo que deveria ter sido dito de uma forma ridicularmente atrasada... É aí que você se pune mais ainda e pergunta: “por que é que eu tive que dizer isso, e não isso no lugar?” Mas como não somos profissionais em neurolinguística, nunca imaginamos o que ela causa em nós e nos outros.
            Para algumas pessoas, principalmente aquelas que nos conhecem e compreende, a coisa pode ficar mais amena, pois há uma reflexão em cima do que foi dito, mas para aqueles que ainda não chegaram ao cerne de nosso ser, pode ser deplorável, como deplorável também é você dizer algo a alguém que mal conhece e acabar de vez com a possibilidade de um novo relacionamento ou de uma nova amizade.
            Quantas vezes nos deparamos com situações em que a pessoa está atacadíssima e com baixa autoestima e vem justamente escolher alguém sincero demais para opinar sobre a roupa que está vestindo no momento... E aí há duas opções: ou mentir ou ocultar sua verdadeira opinião para não magoar ainda mais.
            Uma vendedora de roupas e acessórios deve usar de sinceridade com seus clientes?  Ou deve deixar que compre uma peça que não combina com o corpo da pessoa em prol de sua comissão?
            Vender um eletrodoméstico é relativamente subjetivo, mas e vender uma imagem?
            Pois isso já aconteceu diversas vezes comigo e é claro que a segunda opção para um vendedor ou vendedora é a mais viável. Só que, ao chegar em casa, temos também que dar de encontro com a sinceridade daqueles que convivem conosco e ouvir por exemplo um “oh! mãe você não vai vestir isso não é? Não é mais compatível com sua idade...” E aí você pensa: “ E agora? Acabei de dar um fora...” E começa a se sentir ridícula dentro do seu “tubinho preto indefectível”.
            Sinceridade ou não, sendo sincera agora, já não sei mais se é algo que dá levar vantagem, porque de qualquer forma é uma qualidade ou um defeito que causa transtornos e comentários bons ou ruins, e sinceramente, independente de qualquer opinião, o importante é que sejamos nós mesmos e felizes. Você concorda? Sinceramente...




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4 comments:

Gilberto de Almeida said...

Maristela, vou lhe contar uma história que li num livro de Paul Brunton a respeito de uma viagem que ele fez à Índia. O autor chegou a conhecer uma criatura de elevada condição espiritual nesse país. Um mestre iogue legítimo. Houve uma ocasião em que alguns malfeitores das redondezas foram motivo de comentários por parte dos discípulos que conviviam com o mestre em sua comunidade. Os comentários sempre destacavam (com sinceridade) as atrocidades e crimes que esses malfeitores cometeram, bem como suas mazelas morais. Enquanto isso, o mestre permanecia calado. Quando, por fim, se manifestou, disse algo mais ou menos assim: "eles eram tão limpinhos... Tomavam banho todos os dias!" (também com sinceridade!). O interessante, nessa história, é que ninguém faltou com a sinceridade, mas cada um, dentro do seu nível de elevação espiritual, optou por comentar alguns aspectos e silenciar outros.

Para mim, conhecer essa história foi de grande valia...

Esse tema é complicado e esta é minha tentativa insipiente de contribuir para o aprendizado!

Um grande abraço e obrigado por colocar em pauta assunto que é tão relevante a qualquer tempo!

E.P. GHERAMER said...

Alguém já disse: “elogie em público e critique em secreto.” De qualquer modo, sinceramente, sua Crônica é maravilhosa!
Um grande e fraterno abraço, Maristela.

Maristela Ormond said...

Obrigada E.P.GHERAMER sendo você um belo cronista, fico super lisonjeada! Abraço.

Maristela Ormond said...

Amei seu comentário Gilberto, super verdadeiro, acredito que esta frase seja atribuída ao Dalai Lama " A maior sabedoria está em saber calar." Sempre lembro-me dela quando por ventura estou prestes a fazer um comentário que não seja ideal... Te agradeço pelo carinho.

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