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A música do mar

Foto: Kawika Singson
Sento-me na areia molhada e deixo que as ondas me refresquem os pés. A brisa invade-me as narinas e desafia-me a alma a dançar. É a música!
A música que o vento traz. A música que o mar canta. Não entendo a letra – quando foi que desaprendemos esta lingua? – mas oiço a melodia. É uma música que me envolve os braços e me pega nas mãos, conduzindo-me sobre as ondas, onde os meus pés flutuam, breves.
Movo-me na imensidão, o horizonte chama-me e nele me deito por momentos, aquecida pelo sol que se põe.
Sinto o corpo a esquecer-se e a alma a voar. Aventura-se entre as nuvens e salta. São feitas de algodão, tal como parecia da beira da praia. Apanha boleia do vento, não precisa de asas para voar. Pousa no galho de uma árvore, só para saber como é ser pássaro. E porque também quer ser borboleta, procura uma flor. Banha-se no seu perfume. Depois volta ao mar, mergulha e nada, rasgando as ondas. Talvez já um dia tenha sido sereia, por isso a água salgada a chame tanto.
Feliz, a alma edeita-se de novo, abraçando o corpo que dorme, calmo e sereno, na beira da praia.

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3 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Está música me veste muito bem.
Parabéns Isa.

Isa Lisboa said...

:) Obrigada, Clau!

Gilberto de Almeida said...

Que viagem, Isa! Um verdadeiro transe espiritual! Gostei das muitas figuras poéticas que você usa nesse texto! Torna-o leve e arrebatador. Obrigado.

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