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Conversas dentro do Templo do Amor!

Escrevi essa história aproximadamente dois meses antes da minha filha Nicolinha nascer, no final de 2006.

JGCosta



Conversas dentro do templo do amor!

Num lugar escuro.
Um raio de luz se forma.
Disparado em lampejos.
TUM: Mamãe, você está aí?
Somente o silêncio.
TUM TUM: Hei mamãe, é a Nicole! Você está aí?
Mamãe espreguiça e se senta.
– Oi meu amor! Eu estava dormindo, quase sonhando. Você já acordou, é tão cedinho...
TUM: É que eu queria conversar...
– Então fale meu anjinho.
Neném meditando.
TUM: Eu estava pensando. Você me disse que tem tanta coisa ruim que acontece no mundo. Eu fiquei com medo. Hoje me sinto tão protegida. Como é que vai ser no futuro?
Mamãe pensou antes de falar.
– Vai continuar sendo da mesma forma que é hoje. Continuarei te protegendo e te ensinando. Com o tempo você vai crescer e conseguirá ser tão independente que a mamãe sentirá saudades de como você é agora.
TUM: É sempre assim que as coisas são?
– Na maioria das vezes sim!
TUM TUM: Quer saber mamãe, eu não queria crescer!
– Mas por quê?
TUM: Queria continuar sempre pequenininha, pois não preciso de mais nada. Eu já tenho você mamãe!
Mamãe se emociona.
– Que lindo o que você sente meu amor, mas a vida não é assim. Eu não vou viver para sempre e você tem que crescer, pois um dia talvez venha a cuidar de mim e dos filhinhos que você tiver.
TUM TUM: Cuidar de você? Filhos?
– A vida é um ciclo sem fim que não para de se alterar. Os filhos nascem, crescem, amam, têm filhos, netos e um dia voltam para o lugar de onde vieram em forma de almas. É por isso que um dia você pode ter filhos. Quanto a poder cuidar de mim, conforme o tempo passa nossos corpos envelhecem e nos tornamos muito mais sensíveis ao meio em que vivemos e geralmente precisamos ser amparados pelos filhos.
TUM: Acho que entendi. Muito linda a vida vista deste jeito que você falou mamãe, uma coisa muito bonita mesmo.
– Tinha que ser meu amor. A vida é como uma passagem que nos foi dada pelo Criador, onde desde quando nascemos começamos a escrever a nossa história.
TUM TUM: E falta muito para a gente se ver?
Mamãe calculou.
– Até que não! Daqui uns dois meses. Você está com pressa?
TUM: Não! É bom sentir nossos corações batendo junto, como se existisse um só. É que tenho a curiosidade de sentir também meu papai, meus avós, meus tios. Você me contou que eles são diferentes uns dos outros, mas no fundo sinto que são todos iguais a você, cheios de amor e de carinho, só que cada um de um jeito.
– Nossa! Como você chegou a esta conclusão?
TUM: É que me parece difícil alguém não gostar de amar.
– Você tem razão meu amor. Todos amam e são amados de uma forma ou de outra, alguns mais outros menos. Também vejo as coisas assim. Bom, agora que já conversamos bastante vou descansar e você já sabe: quando quiser conversar mais ou precisar de mim basta me chamar.
TUM: Tudo bem mamãe.
Mamãe deita de lado.
E alguns minutos depois...
TUM TUM: Ah mamãe ia me esquecendo de dizer que eu te amo! Descansa, daqui a pouco te chamo...
Mamãe sorri feliz enquanto dorme desfrutando de um sonho bom.
A luz devagar enfraquece transformando tudo.
Num lugar escuro.
Mas agora nem tanto...

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2 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Joel, um conto delicioso,com pinceladas suaves mas diretas.
Beijo na musa inspiradora.

JG Costa said...

Está dado! Abraços!

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