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Do Terreno e Do Divino



           Na escola dos homens o máximo que conseguiram de mim foi a submissão, nunca a concordância. Nunca fui um bom aprendiz; nunca tive instintos de cordeiro. Fui eu mesmo que sempre juntou os pauzinhos; sempre fiz minha própria canoa.
      A escola é aquele lugar para onde me mandaram quando era criança, para ser inoculado contra o germe do pensamento próprio, através de aplicações terapêuticas diárias de conformismo aos padrões então vigentes que, como os de hoje, por trás da enganosa aparência de verdades, ocultam-se interesses que, no mínimo, não são os meus.
        Eu escrevo coisas por demais humanas, mas, apesar disso, eu percebo, uma vez ou outra, uma claridade que vem de regiões que podem ser chamadas de divinas. São apenas lampejos de outra realidade ainda não alcançada por minha alma, que está por demais presa a esse corpo material. Ao ler Filocteto, de Gide, Igtur, de Mallarmé, os Evangelhos, o Gênesis... sinto que venho ou estou indo para regiões divinas. Parece que os personagens falam de coisas já há muito conhecidas por minha alma. Será que nascerei para esta outra realidade que hoje, mais do que ontem, sinto perto de mim? Ou será que meu espírito está se preparando para abandonar este corpo terreno e voltar às regiões que lhe são próprias? Será necessário morrer para nascer divinizado, assim como talvez tenha sido necessário abandonar o divino para nascer terreno? Já antevejo os primeiros raios do amanhecer!
       O que mais me espanta – e extasia – não é o homem ser um ponto no universo infinito; o mais espantoso é ele trazer dentro de si a percepção deste mesmo universo.


Por EP.Gheramer

Imagem: Web

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3 comments:

Gilberto de Almeida said...

E.P., sempre que o assunto é o divino, sinto-me tentado a comentar... Sou atraído como a aleluia para a lâmpada na noite escura. Como você termina seu texto, mencionando o espanto por encerrarmos em nós mesmos a percepção sobre a grandiosidade do Universo, isso é um gérmen para inacabáveis reflexões? Por que será que isso ocorre? Como pode o virus ter a percepção da maravilha que é o organismo humano no qual se hospeda? E nós, com que finalidade nos foi dado o Dom de perceber que estamos inseridos em Algo Maior, muito maior?... Belíssima questão! O espanto instiga à busca pela Verdade!

E.P. GHERAMER said...

Caro Gilberto.
Sim, penso que podemos dizer que “é um gérmen para inacabáveis reflexões”, com a finalidade única da adoração D’aquele que é maior; enquanto este corpo que é material não se revestir do que é celestial – isto é mais do que maravilhoso. Grato por sua contribuição a este texto com este rico Comentário.

Isa Lisboa said...

Quando a alma se pergunta, esse é o primeiro passo, para o Início, creio.. :)
Abraço

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