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Safira

Foto: Kawica Singson, Lava and water on camera

Lúcio observa a estranha mulher que, descalça e de calças arregaçadas se aproxima da água. Estava ali parada, apenas parada. Parece enterrar os pés na areia molhada, um de cada vez.
Antes de descer, percorreu o rochedo que ali se ergue, parando de tempos a tempos e também ali permanecendo imóvel por uns tempos. Parecia procurar alguma coisa, mas nada havia ali para achar. À frente, só o mar e, ocasionalmente, um pequeno barco à vela.
Move-se, segue em frente. Acaba por voltar atrás, talvez surpreendida pela onda mais forte que agora veio. Imóvel, continua imóvel, apenas olhando agora para a água, em baixo.

Safira olha a água do mar a ir e vir e a forma como os grãos de areia deslizam lentamente ao seu sabor. Nunca antes tinha reparado: parecem grãos de ouro a desfazerem-se e refazerem-se na água.

Isa Lisboa

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2 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Quem sabe não ouvia o que o mar estava a lhe contar!

Beijos.

Gilberto de Almeida said...

Que imagem bacana, Isa! Os alquimistas ignoravam, mas a tão ambicionada pedra filosofal estava na poesia, e não na química. Parabéns!

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