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Paredes

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Autor desconhecido

Paredes
Juntam-se as pedras
uma a uma se reúnem
num monte indistinto.
Fabrica-se a argamassa,
com cuidado se misturam
os elementos conhecidos.
Horizontalmente se organiza a construção,
em gestos experientes ou descobertos,
uma pedra untada da cola preparada,
uma outra sobreposta
ao mesmo tratamento submetida.
Juntam-se as mágoas,
traições e desilusões
amontoadas com o tempo.
Fabrica-se o desgosto
misturado com a amargura
das palavras por dizer.
Verticalmente se ergue o edifício
em gestos repetidos,
numa tentativa desesperada
de proteger-se
das consequências das ações
que outros tomaram por si próprios.
Se a parede pode proteger
das chuvas e dos ventos,
esqueceu o pedreiro
que são necessárias janelas
para pode ver o Sol.
Se o muro pode evitar
novas dores de chegar,
esqueceu o humano
que as esperança é indispensável
para continuar a viver.
Dulce Morais

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8 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Quando inicia-se a construção estamos tão empolgados que nem paramos para pensar por exemplo, que com tempo é possível algumas rachaduras ...

O alicerce é fundamental, o resto vamos reconstruindo.

Obrigada por ter proporcionado-me riquíssimas reflexões. Beijos.

“Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada.”
Lya Luft

Dulce Morais said...

Clau,
É isso mesmo: construímos sem olhar a planta... erguemos muros sem abrir janelas...
Obrigada pela sua preciosa presença!
Beijos!

Gilberto de Almeida said...

Dulce, seu poema fez-me lembrar uma definição de Millor Fernandez para o jogo de xadrez. Ele definia esse jogo assim: "jogo chinês que aumenta a capacidade de jogar xadrez."!

Pensei a mesma coisa sobre construir paredes. A gente constrói a primeira linha de tijolos (na horizontal, como você bem colocou). Depois, quando formos construir a segunda linha, estaremos mais hábeis. Na terceira, mais ainda, e assim por diante...

A verdade é que, se quisermos, vamos ficar bons demais em construir paredes... E a pergunta é: - para quê?

Podemos ser hábeis no que quisermos!

Deus nos dá por oportunidade, inúmeras linhas horizontais (assim acredito)! Temos apenas que ir ascendendo, na vertical!

Devaneei... Você dá asas e eu vôo! Obrigado por me fazer voar! :D

E.P. GHERAMER said...

É verdade o que dizes, Dulce. E o pedreiro somos sempre nós mesmos. Há que se cuidar em ser habilidoso na construção de estes edifícios. E o que nos leva, a cada dia que passa, a procurar ser mais hábeis? É a esperança, Dulce. A tal da Esperança, que é a última a morrer - conosco.

Alexandre Cimatti said...

Mesmo com texto republicado, a volta é marcada pela fina pele da esperança, vital e inevitável, que nos protege de nossa própria falta de visão. Abraço, Dulce!

Dulce Morais said...

Gilberto,
Construamos, então, para crescer até que chegue o momento de voar... :)

E.P.,
A esperança nos habita e depende de nós não deixá-la desvanecer...

Alexandre,
É bom, por vezes, republicar algo num momento em que os versos nos falam com mais força!

Obrigada a todos pela vossa presença e comentários que tanto me emocionam!

Abraços!

Suzana Martins said...

Dulce, você escreve com a sensibilidade na ponta dos dedos. É tão bom te ler.

Estou em construção. Reformando algumas lacunas do sentir!!!

Lindo demais!!

Beijos

Dulce Morais said...

Suzana,
Continue a construção até atingir o equilíbrio... :)
Obrigada pela sua presença e comentário!
Abraço!

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