Sabiá
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Gilberto de Almeida,
Poema
Ah! Sabiá...
Sabiá, sabiá, como eu queria
ser como você!
Você no meio fio,
enquanto a vida dos outros
passa apressada
e a sua ainda
nem começou...
Você que nem nasceu ainda
e não cometeu erros,
só viveu!
Você que pode, sabiá,
- veja bem, porque esse é um conselho que lhe dou;
um conselho de quem não pode
e de quem não sabe,
mas se atreve -
você que pode, sabiá,
quando nascer pela primeira vez,
suba ao céu em linha reta,
sem parar em parte alguma:
- não descanse no poleiro
da ilusão;
negue-se a si mesmo a desventura de pousar no lodo
do egoísmo;
Esqueça o repouso passageiro
no galho da árvore venenosa
do orgulho;
mas antes de tudo isso,
porque você pode, sabiá,
quando nascer pela primeira vez,
estenda as mãos
- que terá! -
aos corações necessitados e viva
em comunhão com o céu que te espera!
Se digo isso, é porque já não posso;
já trago as cicatrizes de quem
descansou
e pousou
e repousou
e não estendeu
e não viveu!
Você que pode,
siga direto!
Nem pare para me dizer olá,
que eu, daqui, que não posso,
tentarei ser sabiá!
Gilberto de Almeida
07/11/2014
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2 comments:
Gilberto,
Não há passarinho que nos diga, de mansinho, assobiando ao nosso ouvido, o quanto seria bom para nós fazer prova de uma pouco mais de bom senso...
Mas, afinal, a vida é feita de ensinamentos... só assim avançamos...
Belíssimos versos, amigo!
Abraço!
Gilberto, são pouquíssimos os que conseguem vivenciar tal plenitude.
Seu poema de uma certa maneira mexeu comigo. Quem sabe se eu conversar bastante com os sabiás ainda no meio fio... Não terei a honra de ouvi-los cantar bem próximo.
Abraços
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