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DESAFIO DE NATAL 2014 - LIVRO DESAPEGADO - Por Gilberto de Almeida


Introdução: 

"Para que não sejam sempre os mesmos a pedir - e os mesmos a oferecer - os autores do Tubo de Ensaio - Laboratório das Artes decidiram este ano preparar presentes ao Pai Natal / Papai Noel.
São singelas prendas que desejamos aqui deixar para o velhinho de barbas brancas, para que ele saiba que merece a nossa gratidão pelo encanto que nos proporciona durante a celebração do Natal. 

Como um presente raramente vem só, decidimos também partilhar com um colega-autor do nosso blog, através da seleção de um amigo secreto, um livro desapegado. Escolhi na minha biblioteca pessoal um livro que já li e de que gostei muito, e decido enviá-lo à minha colega Maristela Ormond.

Parte I - Presente ao Pai Natal / Papai Noel:

São Paulo, 16 de dezembro de 2014,

Querido Papai Noel (desculpe-me o lugar comum, mas não sei iniciar esta carta de outra maneira),

Espero que esteja bem.

Para mim é inusitado a esta altura da vida, já na casa dos meus cinquenta e dois anos de idade, escrever-lhe uma carta.  A dúvida me assalta desde o início. A começar pelo pronome de tratamento: utilizo “você”? Uso “Senhor”? Com tantos anos de ausência, sinto-me inibido até quanto a essa questão que não deveria ter importância nenhuma.

Mas, nesta tentativa de reaproximação, contando, certamente, com a sua compreensão, optarei pela simplicidade e avançarei pelas linhas que se seguem, com a informalidade do “você”...

Assim, Papai Noel, sem mais delongas – para não alongar ainda mais o que já se prolongou por tantos anos de omissão de minha parte - vou imediatamente ao assunto:

Quando criança, aprendi que o Natal era o dia de nascimento de Jesus Cristo. E que, de tão elevado, de tão grandioso esse espírito, de tão importante a lição que Ele nos transmitiu, o Seu aniversário passou a ser comemorado em quase todo o mundo! Ensinaram-me também que você, Papai-Noel, apareceu algum tempo depois, com toda boa vontade, para tornar ainda mais feliz a celebração natalina, pois trazia presentes às crianças, numa doce lembrança da atitude venerável dos reis-magos, ao trazerem suas oferendas ao Menino-Deus.

Que coisa maravilhosa, pensei eu! Que Ser Divino deveria ter sido esse Jesus para que a humanidade continuasse a comemorar o Seu aniversário, mesmo passado tanto tempo!  E que poética lembrança dos tempos de seu nascimento, você, bom velhinho, que vem, ano após ano, presentear as criancinhas...

É claro, no entanto, Papai Noel, que a curiosidade infantil – bem como uma certa ansiedade instintiva – não permitiu que eu me aquietasse por aí. Eu tinha de conhecer mais a respeito daquele Jesus que impressionou a humanidade pelos séculos afora. E foi o que fiz. Pouco a pouco, meu conhecimento de criança foi-se enriquecendo com as belíssimas histórias a respeito d’Aquele Homem simples, porém radiante de bondade e doçura, que dizia ter vindo para os doentes, os famintos, os aflitos e os desvalidos de qualquer sorte...

E conforme eu procurava saber mais sobre a vida d’Esse Homem, descobria coisas que me acalentavam o coração. Eu percebi que Ele, como você, Papai Noel, era inteiramente dádiva, doação. Seu maior patrimônio era o amor, que entregava, indistintamente, a quantos lhe cruzassem os caminhos, na forma de palavras doces, de ensinamentos maravilhosos e de consolação para os sofredores.

Era a humildade esplendorosa...  As pessoas Lhe atribuíam um reinado, mas Ele dizia que Seu reino não era daquele mundo. Falava de um “Reino dos Céus”, onde as pessoas entrariam levando como prendas apenas as boas ações praticadas, deixando para trás os tesouros materiais, que “as traças roem, o ladrão rouba e a ferrugem destrói”. Ele nos disse para não termos duas vestes, para entregarmos a capa a quem nos pedir a túnica, para oferecer a outra face, para dar a César o que lhe pertencesse... Mostrou-nos, através do seu exemplo, que devemos viver com humildade e moderação... Enfim, Ele nos ensinou o desapego das coisas materiais, porque havia algo de muito mais importante, de Divino, a ser conquistado através do esforço permanente no bem, e que não estava no mundo exterior, mas, sim, dentro de nós!

Enfim, Papai Noel, é por esse motivo que lhe escrevo! Porque há alguns anos percebo o quanto você deve estar entristecido. Quando teve essa boa ideia de levar sorrisos aos rostos das crianças pelo mundo, no aniversário do Menino-Luz, sei muito bem que você o fez como emissário de uma abençoada intuição. O próprio Jesus nos ensinou que “uma árvore má não pode dar bons frutos” e assim, vendo a alegria na vida de tantas crianças, natal após natal, compreendo, no íntimo do meu coração, a inspiração Divina da sua iniciativa.

Acontece que essa sua inspiração iluminada, Papai Noel, vem, como o foram os próprios ensinamentos de Jesus ao longo do tempo, sendo mal interpretada em todos os lugares. As pessoas vêm se esquecendo, cada vez mais, do motivo pelo qual essa grande festa de aniversário se realiza! Era para ser um momento de alegria inspirado nas luzes sublimes que ainda emanam dos “céus” em nossa direção; era para ser uma comemoração banhada nos eflúvios divinos do Evangelho de Jesus, em que nos revigorássemos nas águas do amor ao próximo, da caridade, da fraternidade e do perdão...

Mas o que tenho visto, Papai Noel, é a antítese de tudo isso! Os preparativos para o natal têm se iniciado muitas semanas antes, não através da atitude de recolhimento espiritual, da reverência ao Sublime Aniversariante ou da a dedicação à caridade... Pelo contrário! Esses preparativos começam com as pessoas se esbarrando pelas ruas, mentes inquietas e atitude apressada, num desvario de compras, num empurra-empurra que nada tem que lembre a vida do Divino Mestre, a não ser, talvez, como referência extemporânea ao episódio da expulsão dos vendilhões do Templo... Depois, numa rotina distante da humildade e da moderação com que Jesus exemplificou Seu modo santificado de viver, abate-se uma enorme quantidade de animaizinhos inocentes - filhos de Deus tanto quanto nós próprios! - para serem servidos em abastadas ceias, realizadas não muito distante de residências onde mal existe pão e água para sustentar uma família!

E o que dizer dos presentes, Papai Noel? Sei que você está a par dos acontecimentos, mas, provavelmente, em seu trajeto pelos céus, nas noite natalinas, não imagina exatamente o que ocorre depois que deixa suas benditas dádivas para as criancinhas... Acontece que os adultos também inventaram de presentearem-se uns aos outros e isso, não por um impulso de caridade baseado no exemplo da personagem tão esquecida  desta data; não! No mais das vezes, são pessoas que de nada precisam presenteando outras, que não precisam de nada! A caridade para com os necessitados passa longe! Criou-se o costume e pronto! É mero hábito, mera convenção social! Até aí tudo bem, você me diria: o que há de mal numa convenção social? Sou forçado a concordar que não há nada de mal. As questões, Papai Noel, são outras.  Uma vez criada a tal convenção, não é raro encontrarmos as mais esquisitas distorções desses costumes: há aqueles que fazem as contas, para não ficarem em desvantagem monetária, considerando o que deram e o que receberam; aqueles que condenam pelas costas o infeliz que não pôde comprar-lhes um presente mais interessante ou mais sofisticado e, por fim, os que anseiam, de tal forma, pelos tais presentes, que fazem da celebração natalina, uma espécie de grande feira de troca de mercadorias! Nada de caridade, nenhuma oração, nenhuma lembrança ao Aniversariante... É o que se vê!

Papai Noel, diante do que tenho visto, venho sentindo certo incômodo com o Natal. E sei que você, tão dado à caridade e atento àquilo que é realmente importante, deve estar sentindo constrangimento ainda maior... Imagino-o, ao ver-se, da sua condição inicial abençoada, porém humilde, de entregador, hoje, pelos presentes que entrega, alçado às alturas de personagem principal, sendo que o “dono da festa”, o Divino Mestre, está hoje praticamente relegado ao esquecimento! Não deve ser uma situação nada confortável...

Por isso, Papai Noel, é que, neste natal, quero lhe oferecer um pequeno presente. Sei que é uma gota d’água no oceano, mas espero que esta insignificante iniciativa leve um pouco de alegria ao seu coração: neste natal, meu bom velhinho, emprestarei minha cooperação ativa ao trabalho do Aniversariante da data: procurarei uma família que se encontre naquela situação de gente doente, aflita, desvalida ou necessitada e a ela prestarei socorro. Farei uma visita, falarei do Divino Mestre, levarei suprimentos, não sei o que mais... Ajudarei, apenas, na medida das minhas possibilidades...

Assim fazendo, meu querido Papai Noel, depois de tantos anos de ausência, ao oferecer-lhe como pequena dádiva o meu serviço em favor do bem, pressinto, pela primeira vez na minha vida, que passarei um natal envolvido na sublime melodia entoada, nessa data, pelos anjos do céu... E que essa melodia nos envolverá a todos, sempre mais, nos dias do porvir...

Parte II - Livro Desapegado para Maristela Ormond

(pelas regras deste desafio, não posso revelar aqui o nome do livro)

Há dezenas de milênios, através do esforço evolutivo incansável de seus habitantes, um dos orbes do sistema planetário da estrela Capela, na constelação do Cocheiro, a 42 anos-luz de distância de nosso planeta, passava por momento evolutivo semelhante àquele pelo qual passa a Terra nos dias atuais: saía de um longo período de provas e expiações para ingressar no estágio de "Planeta de Regeneração".

A história percorre essas dezenas de milênios, acompanhando a trajetória de Ernesto, um capelino de grande capacidade intelectual, mas, infelizmente, desprovido de elevação moral à mesma altura. É fascinante comparar o estado do planeta onde se inicia a história com a realidade contemporânea no planeta Terra para, por uma inferência natural, compreender, que os caminhos das humanidades no Universo são, desde a inefáfel eternidade, inexoravelmente os mesmos, evoluindo da rebeldia à aceitação das Leis Divinas, crescendo da miséria física e espiritual ao esplendor do Amor inesgotável!

Vemos no planeta de Ernesto, apesar de ali também habitarem espíritos mais adiantados, a mesma mesquinharia material que se encontra no planeta Terra nos dias de hoje, a mesma ganância, egoísmo e orgulho espalhados por toda parte, ao lado de uma evolução científica e tecnológica, aparentemente incompatíveis com tamanho atraso moral. A mesmíssima situação que enfrentamos em nosso dia a dia no século XXI!

E, de repente, todos esses espíritos iludidos pela própria ignorância espiritual, cegos pelo egoísmo e pelo orgulho, se viram exilados para um outro Orbe, sem apelação, não como punição, mas como parte de um plano superior inexorável, porém amoroso, para que a maravilha da evolução humana pudesse continuar florescendo em Capela, quanto no planeta a que se destinavam os espíritos banidos. De novo, a mesmíssima situação que vem ocorrendo sob nossas vistas nos dias de hoje, completamente visível àqueles que se libertam da cegueira imposta pelo desinteresse espiritual.

A narrativa acompanha a trajetória de Ernesto no orbe Terreno, desde os primórdios em que o veículo carnal do ser humano não passava de um esboço simiesco e primitivo, nos tempos pré-históricos, até a época de sua encarnação na Galiléia, como conhecido personagem, nos tempos de Jesus.

E nessa trajetória percebemos a grandeza do amor de Deus pela humanidade e a grandeza do amor que um ser humano pode ter por outro. Vemos a figura de Elvira, esposa de Ernesto em sua última encarnação em Capela, porém espírito de grande elevação moral, aguardar por seu amado algumas dezenas de milhares de anos até que ele pudesse vislumbrar mínimas claridades no horizonte da alma e estivesse liberto para retornar a seu planeta de origem. Vemos, mais que isso, Elvira deslocar-se voluntariamente de seu orbe que se transformava em planeta de ventura e bem-aventurança, ao nosso planeta de dor e sofrimento, e aqui assumir um corpo de carne unicamente por amor, para auxiliar o espírito de Ernesto a conquistar o progresso de que necessitava no campo moral.

E nesse amor que resiste a tudo (à separação, às provações, ao sofrimento), nesse amor eterno e infinito, é que reside, a meu ver, a maior lição dessa obra.

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9 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

"neste natal, meu bom velhinho, emprestarei minha cooperação ativa ao trabalho do Aniversariante da data: procurarei uma família que se encontre naquela situação de gente doente, aflita, desvalida ou necessitada e a ela prestarei socorro. Farei uma visita, falarei do Divino Mestre, levarei suprimentos, não sei o que mais... Ajudarei, apenas, na medida das minhas possibilidades...

Gilberto,obrigada por tirar as vendas de nossos olhos.
Que seu presente ao bom Noel sirva de exemplo e reflexão a vários corações .

"Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos."
Parabéns

Dulce Morais said...

Gilberto,
Achei esse presente absolutamente perfeito!
Não há melhor que o amor a oferecer, não é mesmo?
Amigo,
A sua presença, a sua insubstituível imaginação, a sua amizade, são, para mim, maravilhosos presentes da vida.
Obrigada!
Abraço!

E.P. GHERAMER said...

Caro Gilberto.
Seu texto é um verdadeiro testemunho de uma pessoa que, mesmo consciente do esquecimento - coisa natural,pois lá se vão algumas primaveras -, soube lembrar a todos nós a verdadeira origem deste evento anual. Quão emocionado fiquei ao relembrar meus bancos de Escola Dominical... Voltei no tempo e me vi de calças curtas ouvindo as aulas dominicais. Muito obrigado por este presente que, inicialmente, seria somente para o Papai Noel, mas que acabou sendo para todos nós.
Um grande e fraterno abraço, Gilberto!

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Gilberto, esse livro parece ser muito interessante.
Parabéns Maristela.

Maristela Ormond said...

Super emocionada... Obrigada, obrigada, obrigada! Uma das mais belas coisas que me aconteceu neste ano de 2014 foi ser aceita por vocês do "Tubo de Ensaio", fazer parte dele mesmo com toda essa pequenez... sinto-me lisonjeada. Só posso agradecer. Obrigada Gilberto.Muita Paz!

Isa Lisboa said...

Gilberto, acho que o Papai Noel ficou comovido com o seu presente! E a família que tiver a felicidade de ser presenteada ficará certamente muito grata e muito mais feliz! :) Um abraço

Rosicler Nunes dos Santos said...

Parabéns a todos que tiveram a real Consciência do verdadeiro sentido do natal

Gilberto de Almeida said...

Amigos, não sei como agradecer tantas palavras tão carinhosas...

Claudiane, que maravilhosa lembrança... Esse poema estava esquecido em algum cantinho da memória e agora me vejo dentro dele, com mais uma porção de gente de boa vontade querendo tecer uma nova manhã...

Dulce, amiga, irmã, da mesma forma sinto-me agraciado por Deus por contar com sua amizade. :D

EP, consegui viajar no tempo com você e imaginá-lo na Escola Dominical. Pequenas bênçãos da vida que compartilhamos transformam-se em grandes bênçãos. Obrigado, meu amigo!

Maristela, tenho lido o que você escreve e, conforme já tive a oportunidade de comentar, encanta-me o seu transitar pelos caminhos espiritualistas da vida. O seu presente tem tudo a ver com isso. Paz e bênçãos do Alto, minha amiga!

Gilberto de Almeida said...

Isa, levar um sorriso ao rosto de alguém é sempre uma oportunidade divina. E você acabou de me fazer sorrir. Obrigado, amiga. Um abraço!

Rosicler, concordo com você! Todos devem ser parabenizados!

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