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Desafio Natal 2015 -Quem se dá - Por Isa Lisboa

“Ao pé da Árvore de Natal, apenas um presente sobrava. Um pequeno cartão identificava o destinatário: “Para quem tem mais valor”.”

O Tubo de Ensaio lançou aos seus autores o desafio de criarem uma obra que tivesse como mote a ideia que acima transcrevo. A primeira ideia que tive foi de vos falar de um conjunto de pessoas que este Natal dedicou o seu tempo e o seu Amor a algo que consideram maior do que elas próprias.

As pessoas de que vos quero falar são os voluntários da Associação Colmeia Vigilante. Esta associação prepara, todas as semanas, uma refeição para entregar aos seus utentes. Com as dádivas que recebe, prepara também cabazes com produtos essenciais. É uma associação que está perto das pessoas, conhece as suas histórias, as suas necessidades e que, para além dos bens que distribui, entrega também um pedaço de Esperança e calor humano. 

Neste Natal, a Associação organizou um jantar de Natal para as cerca de 100 pessoas que apoia. Para além da ceia, incluiu também uma entrega de presentes que tinham sido pedidos ao Pai Natal. 

E porque decidi falar-vos da Colmeia Vigilante neste desafio?

Durante o ano e especialmente no Natal, encontramos pessoas que procuram angariar donativos para as associações que representam. Quem tem essa possibilidade e essa vontade, contribui com o que lhe é possível. 

Ora, esse é um contributo que demora apenas alguns segundos do nosso tempo. No entanto, o contributo dos voluntários é a soma de várias horas de dedicação. Mas é um contributo que é oferecido de coração, e que alegra quem o dá.

São horas oferecidas a quem tem mais valor. E, por isso, o presente que ficou debaixo da árvore, ofereço-o à Colmeia Vigilante, aos seus voluntários e a quem benefecia do trabalho deles. Ofereço-o também a outras associações, às que têm o seu trabalho com mais ou menos visibilidade. 

Bem hajam pelo vosso coração grande!

Isa Lisboa


Desenho: Ana, para o jantar de natal da Colmeia Vigilante

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Minhas Pazes (Resposta “Pazes” de Ricardo Reis de 1916)

Procurando seguir
Por caminhos certos...
Procuro acertar no caminho,
No meu destino ou carma
Flores eu Amo,
Apaixonadamente...
E tenho um jardim que me povoa.
Flores...
Rego-as por vezes
Com lágrimas...
Outras...com gotas
De água corrente,
Rosas…tenho sempre
Em minha alma,
Guardadas…
Brancas...se transformam
Quando penso em Iemanjá
Ou Oxalá…
Laranjas amareladas …
Cor de fogo ardente
Quando penso em Oxúm...
Maravilhosa, poderosa,
Tão magnífica que a sinto 
Flamejante de amor...
Beleza espelhadas nas águas
Límpidas do lago de meus olhos.
Verdes e amarelas...
Quando sinto em minha pele
A presença de Iansã...
Mais Lilases que roxas,
Poderosas e profundas
As da maravilhosa Nanã...
Mas quando me lembro de Oxóssi,
Árvores povoam minha
Imaginação…
Pássaros voando,
Corças saltando e,
O sol lá muito longe...
Escondendo seus cabelos
Por detrás dos troncos
Ao longo de todo o horizonte…
Na sombra, fica apenas o medo
A dúvida de não conseguir
Vislumbrar a verdade...
A verdadeira razão
Dos sonhos que me atropelam...
Do amor que me possui…
Da paixão que em mim flui...
Ao riscar numa página
As escritas,
Umas mais espontâneas que outras…
Mas, todas nascidas pela força
Da mesma nascente.
Vivo … sim vivo,
Mas não simplesmente...
Porque nunca me senti
Igual a mim mesma…
Nem mais, nem menos…
Porque não sei viver só,
Nem sei viver acompanhada...
Sou errante...
Procuro incessantemente
O meu lugar...
Suave seria
Poder viver só e acompanhada
Ao mesmo tempo…
Ser grande e nobre
É o meu sonho...
Mas, esse é o destino 
Dos escolhidos
Por dons magníficos...
Que penso não ter.
Viver simplesmente
Também não é fácil
Ou mesmo acessível...
Pois precisava ser capaz
De me deixar levar,
Pela aragem mais leve,
Ao nascer do primeiro luar
De qualquer primavera …
A vida comigo conversa,
Devagar e depressa,
Procura dizer-me,
A cada instante, 
Que os Deuses
Comigo se importam...
Porque, para sua luz,
Sou seu suporte...
E sem o tempo certo
A luz se apagará...
As respostas que procuro,
A missão que tento cumprir,
Ficam por se realizar...
Fica então, necessariamente
No meu coração,
No compasso por ele impresso
Em minha alma...
a dor da imperfeição
E a cada instante está,
O pensamento mais profundo
Dos Orixás...Filhos de Olórum...
"Amai-vos assim como eu vos amo".
Eis porque não sei viver…Simplesmente,
Porque, em mim,
Deus e suas divindades...
Refletem como se pensam…
Em mim, se for digna deles,
Encontram o eco da sua razão...
E o da minha existência!
Porque Deus...sendo Deus
E, seus filhos...seus emissores
Eu ...por certo, serei
Seu pombo correio ou candelabro
Para que a luz divina se perpetue
Além da minha simples vida terrena!


2015 - 29 dezembro.

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Para Quem tem Mais Valor


Para quem tem mais valor …
Aos momentos de carinho,
Afetos e vida partilhada...
Para quem tem mais para dar
E não olha para o que poderia receber,
Fica a pequena prenda
Cheia de luz e amor...
Reforço da ceia acabada de partilhar
Com sorriso franco,
Beijos repenicados,
Abraços reconfortantes,
E...uma certeza que
Amanhã jamais será esquecido
Num canto escuro dum lar empobrecido
Por falta de amor!


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Desafio Natal 2015 - A Caixa - Por Carlos Moraes


ao pé da árvore de natal, apenas um presente sobrava. um pequeno cartão identificava o destinatário: “para quem tem mais valor”... rimos muito a princípio, não nos cabia o pensamento de que alguém pudesse considerar que uma pessoa tivesse mais valor que outra... 

assim, estava claro que presente era coletivo. estávamos prontos para abri-lo, quando uma voz alertou: “ei, não se esqueçam da caixa de Pandora”... aquilo nos imobilizou... e se, realmente, esse fosse um daqueles objetos valiosos, que tornam seus possuidores escravos do que possuem?... e se fosse algo impartível, como seria do coletivo?... e se fosse algo que combina com o branco, mas não com o preto?... e se fosse algo que despertasse a adoração, ou ao contrário, recrudescesse à a iconoclastia?... 

havia muitos motivos para não abrirmos aquela caixa... “ e se” é algo que faz perdurar a inação, teríamos de parar de pensar para agirmos, sabedores do risco de virmos a nos arrepender depois... impulsivamente rasguei o invólucro e quando finalmente abri a caixa fui sugado por um vórtice e arremessado para o fundo... quando parei de girar todos os escombros da casa estavam sobre mim... não ouvia vozes nem detectava movimentos... somente minha mente frenética tentava entender o inexplicável... não sei quanto tempo durou essa situação... quanto mais eu pensava menos eu entendia... até que um grito me tirou da órbita: “pense fora da caixa!”... 

assim, aqui estou eu, vim entregar o presente àqueles que de fato o merecem... ou mais valia o amor?...

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Amar-te é o meu caminho...

O céu o mar e a terra
eu e a noite no silêncio te amamos
dá-me a mão que eu tenho medo do escuro da noite...

Amargo sabor  deste amor proibido
o meu amor é  sereno
amar-te é o meu caminho...

Manuel Marques (Arroz)

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Janela de Esperança


Buscamos no outros uma janela de esperança,

O sorriso que nos escapa…
O abraço que esquecemos,
A cumplicidade no momento de fragilidade,
O amor sem cobrança e sem preço,
O beijo roubado,
As asas da borboleta
O voo que sonhamos poder fazer
Porque no sonho tudo é permitido,
Acordados vemos o colo que nos
Oferece o amigo, amante,
Companheiro de passagem,
O sol nasce e o nosso põe-se...
Porque tardamos a acordar!
O silêncio não nos ajuda,
Queremos que o outro
Nos segrede a sabedoria que esquecemos...
Porque amar é simplesmente viver!
(Poema "Janela de Esperança" de 2015 e pintura de 1997 com o titulo "Esperança", Manuela Frade.)

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Desafio de Natal 2015 - O presente de Ana Clara - Gilberto de Almeida


O mundo de Ana Clara, para quem pudesse penetrar os labirintos de seus pensamentos, era um recrudescer de memórias que a transportavam para outros tempos, outros lugares. Quem a via ali, sentada no sofá  da sala, muda e solitária, enquanto as outras crianças se espalhavam em irreverente algazarra pela casa, não poderia ter noção do que se passava no universo íntimo daquela pequena rolinha que parecia caída de um ninho existente em outra dimensão, não nesta.

O pensamento de Ana Clara ia pelos natais passados, quando a mãe ainda era viva. Não tinha lembranças do pai, nem muitas informações sobre ele. Essas eram reminiscências que a querida mãezinha parecia guardar com ternura infinita, a sete chaves, no templo sagrado de seu coração.

Todas as lembranças de natal, que não eram muitas na juventude de seus nove aninhos, vinham-lhe à mente, de certo modo, como reedições do mesmo quadro de simplicidade e doçura. Em companhia da mãe, na véspera do aniversário do querido Jesus, dirigiam-se, com um grupo de pessoas, a certa rua de sua cidade, onde ela cooperava até alta madrugada com aquela gente tão simpática que servia sopa quente aos pobres e aos necessitados. Quando aparecia uma criança (e apareciam muitas!), sempre tinham uma pequena lembrancinha, embrulhada lindamente, para presentear-lhe. A cada sopa e a cada lembrancinha entregue, aquelas pessoas boas faziam questão de dizer:

- Esta sopa e esta lembrancinha são presentes do nosso amigo Jesus!

Ana Clara lembrava nitidamente daqueles rostinhos, alguns de crianças da sua mesma idade, outro um pouco mais velhos ou mais novos, porém, a maioria, com uma aparência sofrida, triste! A pobreza era notável pelas roupas, às vezes até por um não sei quê no aspecto de sua pele, no cheiro... Algumas, às vezes, pareciam com ela mesma quando ficava adoentada. Mas quando recebiam um prato de sopa, um presentinho, um carinho daquelas pessoas que chamavam a si mesmas de "voluntárias", a menina parecia ver uma alegria escondida brotar de dentro e iluminar aqueles olhares ensombrecidos pela tristeza da vida!

Como era bom aquele amigo Jesus, que trazia luz à escuridão da noite interior!

Mas logo, logo, Ana Clara deixava de lado a tarefa de servir sopa e se entretia com alguma brincadeira ou conversa com aquelas crianças que tanto comoviam seu coraçãozinho infantil.

Madrugada adentro estavam ela e a mãezinha voltando ao lar. Aí era o momento de íntimo contentamento, após o trabalho gratificante e as aventuras caridosas daquela noite. Quando chegavam à casa encontravam a árvore de natal, que ambas haviam enfeitado modestamente, à qual se ajuntava uma das lembrancinhas, que a mãe sempre trazia da atividade noturna. O seu, como o das outras crianças, era um presente entregue por aquele Jesus carinhoso e amado! Felizes, as duas sentavam-se ante uma pequena mesa onde uma vela natalina colorida e perfumada, iluminava candidamente o ambiente.

Então a mãe se punha a contar à filha amada as histórias de vida do Aniversariante Celeste, com tamanha ternura na voz, que ambas, extasiadas pela serenidade acolhedora daquela hora, pareciam levitar por sobre os limites da vida cotidiana, atingindo, pelo menos em seu íntimo, as alturas que sonhamos serem habitadas somente pelos anjos. E nesse estado de êxtase sublime passavam sagrados minutos que poderiam bem ser horas, pois ninguém conseguiria medir,  com os ponteiros do relógio, o tempo em que um ser humano se entrega a outro em verdadeira comunhão amorosa.

Depois, uma pequena refeição, uma oração de agradecimento àquele meigo amigo Jesus e um sono pacífico até a manhã seguinte. Durante esse sono, Ana Clara costuma sonhar com aquele Anjo feito homem, que a acolhia em seu colo no alto de uma colina, à sombra de grande mangueira. A brisa fresca vinda da pradaria, balançava suavemente a túnica alva que vestia o corpo esbelto do Divino amigo. Seus cabelos castanho-avermelhados dançavam candidamente ao canto de rouxinóis invisíveis que teciam, no vento, sua sinfonia de amor. Os olhos doces e azulados de seu protetor dos sonhos contemplavam-na com infinita candura, como se lhe dissessem que no mundo não havia nada a temer; que, no mundo, tudo seria paz enquanto estivesse acomodada em seus braços... Ao amanhecer a menina guardava a impressão viva de que havia estado realmente nos braços do benfeitor dos pobres, dos oprimidos e dos necessitados... E assim passava dias de felicidade com aquela sensação de acolhimento em seu coraçãozinho esperançoso...

Essas eram as recordações felizes da pequena rolinha descida de seu venturoso ninho.

Depois, não demorava muito, e vinham as imagens tristes da ocasião em que a mãezinha adoecera. A menina, pequena criança assustada àquela época, via a mãe querida emagrecendo dia a dia, seus cabelos rareando, a ossatura tornando-se proeminente, mas nada compreendia. Na fisionomia sofrida da genitora, pressentia dores terríveis às quais a mãe parecia resistir com esforço heroico, para nada demonstrar. Ao contrário, dizia-lhe para ser forte, que estava tudo bem!

Um dia, sua mãe, já num dos últimos momentos em que passariam juntas, chamou-a ao quarto, e anunciou com extrema ternura:

- Eu terei que viajar para longe daqui, minha filha. Ficarei esperando... Um dia nos reencontraremos. Enquanto isso, sua tia Elisa irá cuidar de você. Você ficará feliz por tê-la como amiga. A tia Elisa é um anjo que Deus está colocando na sua vida...

A menina compreendeu o que ficara nas entrelinhas e chorou amargamente ao ouvir essas palavras. Mas de nada, evidentemente, adiantou! Poucos dias depois, estava morando com sua  tia Elisa. E poucos dias mais, estava agora sentada na sala dessa tia, à véspera do natal. Sua mãe tinha ido encontrar-se com Jesus. Isso a consolava. Imaginava Jesus segurando a mãezinha no colo, da mesma maneira como fizera com ela em seus sonhos de natal. Assim tinha certeza de que tudo estava bem, de que não havia nada a temer, de que, no mundo de sua mãe querida, tudo seria paz enquanto estivesse acomodada nos braços desse Jesus amado....

Foi quando soou a voz estrondosa de seu Augusto, marido da tia Elisa, arrebatando abruptamente a pensativa Ana Clara de seus sentidos devaneios:

- E, agora, aquele que todos estavam esperando acaba de chegar!  - bradou o tio - A pessoa mais importante da noite!

Ana Clara, de um salto, sentiu seu coraçãozinho disparar! Aquele que todos estavam esperando! A pessoa mais importante da noite! Quem seria? Só poderia ser uma pessoa! Seria possível? Pensava com toda a naturalidade de seu raciocínio infantil, que, em todos esses natais nas ruas de sua cidade Ele nunca aparecera pessoalmente... Mas agora havia um bom motivo! Provavelmente seu querido e amado Jesus viera até ali, hoje, na casa de sua tia, que era um Anjo, segundo palavras de sua própria mãe, para trazer notícias da mãezinha querida! O Semblante de Ana Clara iluminou-se, em maravilhado êxtase!

- Com vocês, o Papai Noel! - prosseguiu o tio Augusto!

A pronúncia dessas palavras teve efeito quase alucinatório na assembleia de crianças que se agrupara na sala maior, onde estava a árvore de natal. Foi uma gritaria geral, um frenesi que a muito custo se acalmou. Logo, Ana Clara pôde ver entrando pela porta da frente uma figura opulenta, de barbas e cabelos brancos, olhos negros e vestida de cetim vermelho. Em nada lembrava a pessoa delicada de seu Divino Amigo, de cabelos cor de ouro, olhos cor de poesia e vestes de luz...

A decepção transparecia no semblante da menina. Flagrante contraste entre sua rigidez marmórea e a efusão de entusiasmo que apropriou-se da meninada! Ana Clara, por certo, sabia bem quem era Papai Noel, apesar dessa figura alegre, embora espalhafatosa, nunca haver participado do rito singelo de seus outros natais. Mas não atinava com o motivo pelo qual o velhinho de barbas brancas fora anunciado como a pessoa mais importante da noite! Deveria haver algo de muito especial, de muito bom naquele velhinho, para ele ser ainda mais importante que o seu querido Jesus... Para ela, aquilo era muito estranho, mas os adultos - esse era o modo de pensar da menina - deveriam saber o que diziam!

Seguiram-se momentos animados em que todos receberam presentes. Depois, o velhinho foi-se embora, as pessoas serviram-se de uma farta e saborosa ceia e, pouco a pouco, os convidados despediram-se.

Mais tarde, madrugada adentro, no quarto improvisado em que estava instalada, Ana Clara não conseguia dormir. Aquele primeiro natal com a família de sua tia Elisa tinha sido uma experiência muito diferente de tudo quanto aprendera e vivera antes e, portanto, uma experiência muito perturbadora. No meio dessa inquietação, tomou uma decisão: levantou-se, tomou papel e lápis e começou a escrever...

Na manhã seguinte, tia Elisa, sempre a primeira a levantar-se, reparou naquele inesperado envelope dependurado na árvore de natal. Intrigada, tomou o envelope e leu: "Ao papai noel".

Tomada de curiosidade, leu a seguinte carta de poucas linhas:

"Senhor Papai Noel,
aprendi hoje que o senhor é a pessoa mais importante da noite de natal,
por isso acho que só o senhor pode me ajudar.

Eu queria que o senhor trouxesse para mim,
neste natal,
o meu amigo Jesus.

Obrigada,

Ana Clara."

Tia Elisa pensou, então, no que a irmã lhe dissera pouco antes de seu desencarne:

"- Você ficará feliz por tê-la como amiga. A Ana Clara é um anjo que Deus está colocando na sua vida..."

E dua lágrimas brotaram-lhe dos olhos.


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Esse cartão é para você


                                  https://www.pinterest.com/source/umacasaigualasua.com.br


         Ela usou todo o seu melhor na confecção daquele cartão... Ao representar a raiz de branco fez no sentido de demonstrar  a possibilidade de que se as raízes tiverem a essência da paz, por mais que as folhagens tenham dias escuros, de uma forma ou de outra, haverá de aprender iluminá-las (afinal, a paz é um exercício diário). 

          Gostou do efeito das nuances e do pensamento  de que ficaria muito feliz se as  cores  representadas no pinheiro viesse provocar reflexão, renovação... 

Agradeceu a Deus pelas pérolas que por hora enfeitam seu próprio pinheiro e sem mais delongas, escreveu:

Não está fácil para ninguém... Mas, não devemos esquecer que o nosso melhor presente será sempre o Amor e a Caridade. 

Feliz Natal!

Claudiane Ferreira

        A todos os leitores, autores e amigos faço votos que tenham um Natal caloroso e que reflitam os versos do Gilberto que deixei de presente para mim e também para vocês. 

                                 ... se o homem, mais humilde (e sábio), um dia
primeiro sem tentar mudar o mundo,
buscasse a luz da própria melhoria!



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Natal suspenso

Imagem daqui

Natal suspenso

Não havia nem roupa bonita nem refeição especial. O Natal, há alguns anos, celebrava-se na solidão. Claudia recordava cada instante daquele ultimo Natal preparado segundo a tradição.

Cinco anos antes, enquanto se dedicava à preparação do jantar que iria ser saboreado em família e aguardava a chegada do seu marido, cantava ao provar o molho que cozinhava. Pensava no quanto era feliz por estar na sua casa, recebendo os seus pais e sogros. Todos ansiavam pela chegada do seu marido, filho e genro para iniciar a refeição.

Quando o som do telefone a despertou dos seus preparativos, nada a alarmou. Nada lhe deu qualquer indicio sobre o correspondente nem sobre o assunto da chamada. Alguns instantes depois, a sua vida tinha sido suspensa à voz que lhe anunciara a notícia. Já não haveria Natal. Nunca mais haveria um sorriso no seu rosto ao acolher o André. Tinham terminado os abraços e o carinho que a vida lhes tinha permitido partilhar durante seis anos. O André não chegaria a casa. A vida terminava ali.

Desde então, apesar da insistência dos seus pais e sogros, dos amigos, da restante família, Claudia vivia o Natal fechada na memória do seu amor. 

Quanto aos presentes, não comprava nenhum, mas havia sempre quem lhe enviasse uma lembrança, um postal, uma carta, entre outras provas de afeto. No entanto, nenhum se juntava àquele que estava ali há cinco anos.

Ao pé da Árvore de Natal, apenas um presente sobrava. Um pequeno cartão identificava o destinatário: “Para quem tem mais valor".

O cartão apresentava a letra de André, escrita cinco anos antes. A frase tinha sido objeto de sorrisos por parte dos presentes naquela sala de jantar, antes da notícia que tudo mudara.

E Claudia, este ano como os outros desde então, continua a observar o embrulho cuidadosamente preparado para ela e hesita. Se o abrir, sabe que jamais poderá sentir a doce expetativa que representa para ela receber um presente do André. Mas, se não o abrir, jamais poderá saber o que ele escolheu para ela nos últimos dias da sua vida.

Mais um ano passará e Claudia continuará a observar o presente. O futuro sendo incerto, nada nos diz se e quando o abrirá. Talvez seja necessário que ela abra de novo o seu coração ao mundo, antes de poder desembrulhar o laço que o enfeita.

Dulce Morais

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Dói-me a distancia que me separa de ti...


Não sabes o que sinto e do que estou proibido de sentir
sinto os teus passos no meu adormecer
e quando tu partes nada resta de mim...

Sinto-te do outro lado dos meus sonhos
percorrendo os caminhos do meu corpo
e tu sempre longe ,tão longe
dói-me a distancia que me separa de ti...

Manuel Marques (Arroz)

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Santo remédio!


Tantas doenças - nem bem sei quais são! -,
tantos os males que roubam-me a calma,
furtam-me o sono na noite que espalma
negras cortinas de hostil solidão!

Beco profundo em que atiro-me em vão,
bruma soturna que envolve-me a alma!
Nada - parece - ameniza ou acalma
as ânsias tristes da triste razão!

Mas não há fonte incansável de tédio
e nem há mal que me faça refém
por infinitos tormentos de assédio:

se a dor da vida, sutil, me detém,
existe sempre este santo remédio:
- continuar trabalhando no bem...

Gilberto de Almeida
22/12/2015



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Desafio Natal 2015 - Para quem de mais valia - Carlos NNeves




" Ao pé da Árvore de Natal,apenas um presente sobrava. Um cartão identificava o destinatário: 
Para quem tem mais valor"




No meio da noite tudo fica cheio de silencio, de olhar retrospectivo. 
Tudo o que passou fica como que paralisado, impresso em cada enfeite, em cada símbolo naquela árvore.
Chegou o grande momento!!
E  o coração esperançoso, desejoso de recuperar, dalí pra frente, muita coisa daquilo que se perdeu.
Tudo está preparado e todo coração sente seu encanto e nenhum, quase nenhum, consegue privar-se disso.
Diante daquela árvore, daquele presente, daquele tempo, "uma cálida corrente de amor inunda toda a terra"... "todos preparam a festa e tentam irradiar um raio de alegria", sejam eles fieis, ou incrédulos, ateus ou devotos...
Esperança renovada em um tempo advento onde os sinos da Missa do Galo proclamam: 
“Nasceu o Deus menino, um Filho nos foi dado... e o Verbo se fez carne”.
E brilha na noite escura a estrela guia pra mim e pra você, para nós e os pequeninos, Santos Inocentes de logo depois... 

Vinde, adoremos!!... Paz na terra aos homens de boa vontade.


Do maior 
ao pequenino
festa, amor 
e alegria
brilha a estrela
do Menino
ao que é
de maior valia.




Ref.: Edith Stein - Teu coração deseja mais - Reflexões e Orações

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A gárgula e o cachorro bravo


Pergunto-me, incessantemente,
por que será que não consigo
fugir das garras do perigo
que insiste a invadir-me a mente.

"Orgulho", espinho persistente,
há tanto tempo já comigo,
é esse o nome do inimigo
audaz que tenho pela frente.

A gárgula e o cachorro bravo
debatem-se em feroz motim:
- É a luta que - orgulhoso!!! - travo

há eras que não têm mais fim,
em terras de quem faz-me escravo,
mas nasce, vive e morre em mim!

Gilberto de Almeida
18/12/2015

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Boas Festas!


É meio à toa,
mas que seja!

Pois afinal
o que me resta
se, no natal,
as coisas boas
que me desejas
são as festas?

Gilberto de Almeida
18/12/2015


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Almaço


Almoço.
Almaço.
Alma só.

Gangaço.
Cansaço.
Cansa só.

Estardalhaço.
Estar palhaço.
Estar palha,

só!

Gilberto de Almeida
18/12/2015

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