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O enigma da vida




                                                              Imagem: traceloops
                                                                Fonte: Tumbir



Se eu tivesse o Dom de voar

voaria entre as nuvens vermelhas recolheria

beijos ardentes que deixei de provar.



Se eu tivesse o Dom de poetizar

rescreveria meu passado 

rompendo o casulo ao som do luar.




A luz do coração instante perpassou, brilhou



obrigando-me a partir.



Claudiane Ferreira






Indriso é um poema formado por dois tercetos e duas estrofes de verso único duplicados.

Foi criado pelo  espanhol Isidro Iturat, que é escritor  e professor de língua e literatura  espanholas. que vive em São Paulo desde 2005

" Um objeto como a poesia é uma plasmação artística de tudo aquilo que o ser humano é e capta do mundo(...) Tentar percebê-la só através da função intelectual é impossível(...) 

Fonte:http://www.revistasamizdat.com/2009/07/revista-samizdat-entrevista-isidro.html



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Ode à loucura...de amar viver!

Foto de Ronaldo Savazoni
Você quer ser perfeito?
Seja!
Quer procurar por ela?
Procure...
Assim, sobra-me mais vida pra eu viver!
Enquanto procuras por ela,
eu a desprezo,
eu a ignoro!
Veja lá, nas prateleiras dos sentimentos,
talvez a encontre
soberba e inútil e prepotente
e muito, muito cara
para se adquiri-la!
Quanto custa?
Ah!, a bagatela de morrer em vida,
ou de viver a vida em morte!
Tu mesmo escolhes!
Ela aceita qualquer das duas...
Porque a perfeição é ausência de vida...
É ausência de movimento...
É ausência de tempo, pois
O que é perfeito não se movimenta.
Porque o faria?
Para onde iria?
O que é perfeito ignora o tempo.
Que significado pode ter o tempo
para a perfeição?
O seu passar ou não?
A perfeição não se completa
com nenhuma coisa,
não se preenche,
não se renova,
porque nada, nenhuma coisa
lhe faz falta,
ou excede...
É perfeito!
Só a morte é assim...
Só a ausência de vida é assim!
Às favas com a perfeição!!!
Eu quero a vida!
Quero o movimento de ir e vir,
parar, continuar, cansar, descansar,
voltar, regredir, avançar!
Quero ver e sentir o tempo passar
para poder olhar pra trás de mim
do que já fui,
e pra frente do que posso ser!
Quero fazer e deixar de fazer,
errar e acertar e
errar de novo e
de novo e
de novo acertar!
Não me macem com a perfeição!
Não me ofereçam-na!
Não me deem o que é perfeito!
Sou humano!
E com todo direito a sê-lo!
Gosto disso!
Amo ser humano!
E o ser humano!
Se a querem, fiquem com ela,
procurem-na, inutilmente...
assim a tua parte de vida e viver
fica comigo!
Quero você, oh! vida!
Vida minha!
Te quero e Te amo,
infinitamente...
loucamente...
desesperadamente...
conscientemente...

Feliz!

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Mentiras que são verdadeiras


Tudo o que eu falo, escrevendo do amor, não é verdade.
Não é a minha verdade.
É apenas o meu desejo de que ele seja da maneira
como o meu desejo quer que ele seja.
Não o sinto assim como o desejo sentir em mim,
Talvez, até, nunca o tenha sentido assim,
Nem de outra maneira qualquer.
Não, nem nunca o tenha sentido
de qualquer maneira que se possa senti-lo.
Apenas o meu desejo de te-lo assim, dessa forma,
em mim, é existente desde sempre.
Apenas o que eu sentiria, se o sentisse,
é o que de verdade há em mim.
Apenas o que eu faria, se o conhecesse,
pelo meu querer do que ele seja,
é verdadeiro em mim.
Um dia, talvez, eu realize o meu querer desse amor
e este querer louco de amar você loucamente.
Um dia, talvez, o meu amor de amar
não seja tão impossível em mim.
Quanto mais cresce em mim este amor de amar,
Mais me vejo distante, amando,
Mais impossível me amar de amor é,
Porque eu não amo na realidade do que é real,
Mas na realidade do que é real do meu amor em mim.
Não é real o que eu sinto de amar, pois
é tanto o amor que me preenche,
que me sufoca com prazer,
que me transborda todo o meu ser e
que me afoga e
que me mata de tanta vida que me dá!
Nada sei de amar apenas,
Só sei amar como meu amor de amar...você!

(De que vale um sentir de amor tão louco,
se só eu é que o sinto, sozinho?
Você é o que meu amor quer amar,
e o meu desencanto não é desencanto do amor,
é apenas o de amar e não ser você o meu amor!)

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Mas o teu corpo agora é vento...

Deu-me saudade do tempo em que teu corpo
vinha todas as madrugadas adormecer no meu...

Mas o teu corpo agora é vento
o teu corpo  é apenas saudade
saudade que me magoa...


Mas é também no teu corpo que corre
o amor que me alimenta...


Manuel Marques (Arroz)

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AMORECANDO

Assim é o amor
gestos e ecos
de cá para lá
de lá para cá

Que não é eco
isso bem sei
amor só é amor
se o amar ecoar
Imagem retirada da web
LitoNazareth2015

"Todos os dias, quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra amor."
(Clarice Lispector)

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Anjo meu

Envolva-me com tua mão
e deixe-me sentir, um pouco da ilusão
de não te ter aqui... deixe-me por
um instante sonhar que me beijas,
finjas que me ama e que vives como
eu vivo...
Sejas por um segundo humana
e me permita te tocar. Tu és tão linda
e tão perfeita que não tenho outra opção
se não loucamente me apaixonar...
Por onde me perdi, só vivo por ti,
agora não tenho mais como mudar,
tu és o caminho que sigo nas noites
vazias, o céu que persigo sem compreender...
Se o universo existe, sejas por um instante,
tal como estrela e venhas ao chão, só para
que eu sinta teu perfume, sejas rosa, sejas
deusa... Mulher de um puro coração...
Pegues as vestes que cobrem tua alma,
deixe-as por um instante cair, entregas
para um anjo toda a profundidade do teu
beijo e para um humano basta o vapor
dos lábios teus...
Josué Brito

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Velho-Maduro


Envelhecer é distrair-se...
... com a fragilidade das rugas...

Amadurecer é abstrair-se...
... da futilidade das rusgas!

Gilberto de Almeida

24/01/2015


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Displicente...

Imagem Web
Displicente,
é como sempre fui,
sempre assim
meio cá, meio lá,
nunca ao meio certo...
meio que sem regras,
ou totalmente solto...
nem futuro,
nem passado,
nem mesmo presente,
sempre diferente,
sempre meio assim
displicente...
Ah! não vai embora não
ideia de mim!
mesmo que eu,
confusamente,
mesmo que eu,
 assim,
ausente,
só consiga me ver
displicente,
sem sonhos de sonhar
comigo,
consigo,
ser diferente,
só mesmo assim,
indiferente!
Ahh..mas, mesmo assim
não me abandona,
ideia de mim!

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Dia nublado


Gilberto de Almeida
22/01/2015

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Frutos do desapego -





                                                            Imagem: Claudiane

Fruta de verão  

No pêssego que 
descasco, encontro a pele
da infância: o sabor
frio da árvore que emerge
da madrugada,
antes que o sol a limpe
da noite
E ao comê-lo,
liberto a polpa do caroço,
seco, que guardo no bolso
para semente noutra
terra. Assim, de árvore 
em árvore, a infância
do fruto não se perde: e 
alguém, ao repetir
o meu gesto, descobrirá
que o poema alimentou
esta raiz com o seu adubo
de palavras.

Nuno Júdice - In Geometria Variável






Quadras para agradecer o imenso carinho

Do pêssego para a goiabeira
não me esqueço do araçá
tombos na ladeira
gargalhadas vim salientar

De Lisboa a Saquarema
Obrigada Susete, pelo Júdice e os postais
desapego foi o tema
até mais.

Claudiane Ferreira




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"Amor"

O que é o amor?
Senão, chama que queima  o coração!
Que incendeia a mente, a procura da razão!
E ao encontra-la, fica cego e não vê os defeitos...
E tal qual uma nuvem vira brisa e nos levita.
E andamos sem pôr os pés no chão!
Uns chamariam de amor...
Outros de paixão.
Osny Alves
“Amor”

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Sombra

Arte: Rahaf Dk Albab

Mar de sal
Lavando o rosto
O coração
Escorrendo
Pelos olhos
Morfeu abandonou-me
Só o cansaço
O fará abraçar-me
Rendida
Me esqueci
Exausta me deixei ir
Para lá da luz de Mim;
A sombra era precisa
Para saber que ela
Não sou eu.
Bato à porta
Procurando o silêncio
Apenas para não conseguir
Ouvi-lo.
Gritaria.

Mas perdi a voz.

Isa Lisboa

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O CICLO DA VIDA.

O CICLO DA VIDA
(Por Maristela Ormond)


Imagem retirada da web

Aprendemos a caminhar, a falar, chorar diante de uma necessidade para chamar atenção de nossos cuidadores, chamar pela mãe toda vez que precisamos de proteção. Tudo isso se aprende quando pequeno e vamos levando até que convenhamos, crescemos e nos sentimos donos de nosso próprio nariz.
A partir daí sentimos a necessidade de sermos nós por nós mesmos, esquecemos até muitas vezes que temos um afago gostoso nos esperando se tudo der errado, um beijo de boa noite, um sorriso de bom dia, temos para onde voltar... E por incrível que pareça só nos lembramos de que temos tudo isso, se realmente perdermos essas referências.
De repente encontramos o amor de nossas vidas, montamos um local aconchegante para vivenciar esse amor e deixamos de lado nossos velhos amores. Claro que não radicalmente, mas as visitas tornam-se cada vez menos frequentes as opiniões que antes nos eram imprescindíveis, já não são mais...
Um dia, descobrimos que nossas referências, nossos pais, estão velhos e são eles agora que necessitam de nosso carinho, nosso afago. Descobrimos que quanto mais passa o tempo, mais nos tornamos adultos e eles crianças.
Descobrimos que seus ouvidos já não são mais os mesmos de antigamente, entendem coisas que não dissemos e se dissemos também não compreendem mais. Descobrimos que seus olhos agora têm uma névoa e que não enxergam como antigamente, confundindo as fisionomias dos próprios filhos, descobrimos que caminham com dificuldade, quando antes nos faziam subir até o teto em seus braços fortes. Descobrimos que suas mãos estão trêmulas e já não seguram mais uma colher para se alimentar e por isso precisam de ajuda para fazê-lo. Descobrimos que voltaram ao tempo da criança que precisa de ajuda para fazer as coisas que fazemos com tanta facilidade porque ainda somos fortes e descobrimos também nesse momento da vida o quanto precisamos deles ainda, que temos vontade de chamar, gritar para que nos acompanhem de mãos dadas a algum lugar, descobrimos que sentimos falta da história que contavam para adormecermos. Descobrimos que precisamos de suas presenças e que já não podemos mais contar com ela.
Descobrimos tarde demais... Tarde demais...
Nossos amores reiniciam o ciclo da vida e esse ciclo pertence a todos os seres humanos, inclusive nós, os poderosos, fortes, irresistíveis, imbatíveis...





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Procuro na noite colher o teu amor...



Procuro-te nas trevas silenciosas da noite
nas horas sem fim sem amor algum
como a noite é longa !
A minha alma rasgou-ma a solidão...


Manuel Marques (Arroz)

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Rascunhos...partes de mim

Meu Rascunho
Um rascunho do que sou 
ou das coisas que sinto,
não importa.
É o mesmo.
Sou eu.
Muita vez ignorado
em meio
a tantos outros,
algo assim como
quando nos misturamos
à multidão...
Uma solidão
de estar só entre tantos...
Nenhuma coisa
do que sou
ou do que sinto,
é mais que isso:
um rascunho,
um improviso,
esquecido, talvez
sem concretizar,
sem passar a limpo.
Rabisco mal feito,
apressadamente
incompleto,
sem destino certo
ou definido.
                                                                      Talvez sem futuro.
                                                                  Quiçá uma obra
                                                               inacabada,
                                                           esperando por conclusão
                                                   e, ainda assim,
                                             uma esperança.
                                      Mas, seja como for
                                e além de tudo,
                        um original.
                                                                      Escrevo e sinto o que
                                                                  escrevo  porque
                                                             hoje é sábado
                                                        e amanhã é domingo
                                                   e porque, para mim
                                              e para minha vida,
                                         essa diferença é
                                    sem sentido!
                                                                      Realidade minha,
                                                                 impar, consciente de si mesma
                                                           e que, mesmo misturada
                                                     à realidade real,
                                             ainda assim, unica,
                                      absurdamente,
                                involuntariamente
                           minha!

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Eu, em Pessoa...

Imagem Web
Eu não sei se gosto de escrever.
Às vezes as ideias se me atropelam em meu cérebro,
e numa tal velocidade que não consigo encostar as ideias à escrita.
Muito de mim se perde nesses intervalos.
Fico incompleto.
Tal qual estava antes.
Por isso, talvez, eu relute em escrever.
O sentido de mim mesmo fica perdido,
porque meus pensamentos sobre todas as coisas
que quero fazer e ser e penso, são tão mais rápidos
do que posso torná-los compreensíveis pela escrita.
Também não gosto de rimas.

Falar os pensamentos escrevendo-os e rimando-os é
formar um entendimento onde o entendimento deixa de existir.
É não ser natural.
É não ter a espontaneidade que tem a vida e o ato de viver.
É negar o movimento e o tempo, o descuido, o informal, o impetuoso,
o único, o inconveniente, o rápido, o verdadeiro, o real.
A rima torna a poesia incompleta no seu verdadeiro sentido.
A minha vida não tem rimas, por isso o seu sentido é completo para mim.
Não há concordância entre os versos que compõe o meu dia-a-dia.
Ninguém jamais conseguiria me biografar
utilizando a concordância, ou a métrica, ou a harmonia e a cadencia
de uma poesia com rimas, clássica, enfadonha, previsível.
Não existem, apenas, versos decassílabos, ou dodecassílabos,
nem mesmo versos alexandrinos ou redondilha maior ou menor
que possam dar vida à minha vida.
Por isso não gosto de rimas em poesia.
Porque minha vida e minha existência é real.
Eu não forço a minha vida
a existir e nem existo em vida, forçosamente.
Eu sinto tudo fluir no entorno de mim.
Eu próprio sou um fluido de mim mesmo,
alguma coisa que se acumula em si mesma,
que nunca é igual em nenhum instante do viver,
mas que, na essência do existir, é sempre o mesmo.
Às vezes quero ser diferente do que sou,
ou ser o que sou e pensar diferente do que penso.
Nunca há, em mim, uma concordância entre o que sou
e o que penso que sou de mim mesmo.
Sempre tenho comigo a nítida sensação de ser mais que um
e o meu todo é sempre dividido entre eu e o que sou de mim.
(Muitas vezes aquele que já fui vem dizer “olá!” àquele que estou sendo, e
aquele que quero ser muitas vezes sente medo
de querer ser e volta a ser o que estou sendo agora.)
Pensar o futuro ou desejar coisas que estão ainda por acontecer
é transformar o presente que estou vivendo,
porque todo futuro é consequência do presente,
dos meus atos e pensamentos de agora,
e todo o meu passado também o é
porque já existiu como presente.
Passado é o presente que deixou de existir e
o futuro é o presente que ainda não me dispus a concretizar.
(Hoje eu já pensei tantas coisas que eu queria escrever,  e
já formulei em meus monólogos internos tanta poesia, e
já conversei comigo mesmo na forma de poesia tantas coisas, e,
no entanto, agora, já de noitinha, não me recordo de coisa alguma
que pudesse ter algum significado, além do significado de só existir!)
Eu gosto das coisas que eu penso,
na forma e conteúdo de como eu as penso,
e sinto vontade de as partilhar e aos meus
momentos de lucidez e consciência viva.
São instantes de clareza, de objetividade e que me fazem
sentir a vida de uma forma diferente daquele modo habitual
ao qual eu estou acostumado.
É assim como se as verdades, ou as coisas que compõe a verdade,
saltassem aos meus olhos e então eu me sinto verdadeiro, real, certo,
tão absolutamente certo como se Deus estivesse revelado em mim;
tão certo como se todas as leis do Universo tivessem sido sancionadas,
promulgadas e ditadas por mim.
(E eu sei que isto não é, nem de longe, nenhuma verdade!)
Convicção. Verdades. Certezas. Dogmas. Teorias.
Realidade. Onde estão?
Onde encontrar a convicção de estar convicto?
Ou a verdade da própria verdade?
E, ainda, como ter certeza da própria certeza?
Não. Eu não me importo com isso tudo.
O que, deverás tem importância para a vida são os opostos;
O Real e Irreal. O Feio e Belo. O Largo e o Estreito. O Fundo e o Raso.
O Certo e o Errado. O Alto e o Baixo. A Luz e as Trevas. O Frio e o Calor.
O Amor e o Ódio. O Pequeno e o Grande. A Alegria e a Tristeza.
O Eu e o mesmo de Mim.
Eu tenho que ter em mim todo o contraditório das coisas que existem.
São elas mesmas que me permitirão exercer o poder
da escolha entre o eu que tenho comigo, escondido de mim, agora

e o eu que já estou sendo hoje, ontem...amanhã, talvez!

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Há uma luz que ilumina o meu caminho

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Há uma luz que ilumina o meu caminho, uma luz que ilumina os caminhos de todos nós, de cada um de nós. Luz que clareia e que norteia os meus pensamentos e as minhas atitudes, os pensamentos e atitudes de todos nós, de cada um de nós.
Sei que Te amo em todas as coisas que existem entre o Céu e a Terra e sei que sou amado por Ti e sei com toda certeza porque tenho olhos de ver e sentidos de sentir e ouvidos de escutar.
Pois, quando olho, sinto e ouço, o entorno de mim é a verdadeira expressão da vida e o que vejo, sinto e ouço são todas as coisas que o homem não possui controle sobre sua existência. São coisas que assoberbam o meu entendimento e compreensão  pois que lhes sinto a vida em exuberância e de forma independente, sem que meu esforço, o esforço de qualquer homem, fosse necessário, não somente à sua existência , mas, principalmente, à sua manutenção.
A Natureza com toda a diversidade de vida que abriga, sempre que lhe presto atenção, ela me diz da desigualdade e da beleza que há na desigualdade. E da harmonia que é possível e existente entre os desiguais. Desde então, eu nunca mais me preocupei com a igualdade entre os seres viventes. Desde então, o único valor que tem gerado o meu discernimento é a harmonia. É o estar em harmonia.
Já não mais me preocupa a perfeição, porque quando sinto as coisas à minha volta, com os meus sentidos, o que percebo, nitidamente, claramente, é o movimento. Movimento que provoca e que faz mudar, que faz adaptar, que faz transcender.
Movimento que transforma a semente em flor.
Movimento que transforma a semente em árvore.
Movimento que transforma o broto da fruta na própria fruta.
Movimento que dá ao pássaro o poder de voar.
Movimento que dá aos meus passos o sentido de caminhar, de ir e vir.
Movimento que faz o meu espírito ser ou não ser. De existir com verdade ou ser uma mentira apenas existindo.
O movimento e o tempo de existir são imperfeitos porque a única coisa que lhes importa, é ser o que são enquanto existem.
A ausência do movimento é a perfeição porque tudo que é perfeito não pode mudar e não pode transformar e não pode transcender. Não pode jamais, em tempo algum, ser outra coisa diferente daquilo que já é. Não pode viver.
Não.
Não me falem de perfeição.
Eu quero a vida.
Eu quero a transformação.
Eu quero a mudança.
Eu quero a transcendência.
Eu quero o movimento e o tempo.
Eu quero a eternidade para ser cada vez melhor.

E sentir o prazer sempre renovado de estar sempre caminhando em Tua direção.

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Quando o brilho de sua estrela interior resplandecerá?



                                                               Art: Rodrigo Marques
                                                               Fonte: http://romaarte.tumblr.com/



Se a noite não tem luar
se apeteça
corra a desenhar

Se o luar adormecer

na própria rede
brinde o novo alvorecer

Se a noite não tem luar/ você não sabe desenhar / ou o luar adormecer

Experimente sonhar... Ouse parir sua estrela interior

amor lunar
amor 
glamour

Claudiane Ferreira



" Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente, que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois a vida é construída nos sonhos e concretizada no amor".

Chico Xavier

"Um sonhador é aquele que só ao luar descobre seu caminho e que , como punição, apercebe a aurora antes dos outros"

Oscar Wilde




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Olhar, apenas isso...olhar

Quando eu olho para o Sol, começo a sentir muitas coisas cheias de calor.
Ele se mostra a mim e eu simplesmente o vejo e sinto calor e isso me basta.
Eu não penso no seu significado.
Eu não penso em como seria a vida em meu planeta sem a luz do Sol.
Sem a sua claridade.
Eu não penso em como seria a vida sem o seu calor.
Apenas olho para ele.
Apenas sinto calor.
Eu não o penso como uma obra de Deus.
Quando a chuva cai, eu não penso nela como água que eu bebo,
que mata a minha sede;
nem penso nela como elemento que viabiliza minha higiene pessoal,
a higiene dos alimentos que eu como.
Penso nela apenas como chuva.
Esqueço-me do seu papel na fecundação da terra.
Não penso nela como vida.
Eu não a penso como obra de Deus.
Sei perceber e sentir o vento quando há vento para eu sentir;
Agrada-me o seu toque suave e gentil em todo eu,
muita vez trazendo frescor ao exagero do calor.
Sinto-o e agrada-me e, no entanto, não agradeço por existir;
Sinto-o e agrada-me, mas não o penso como emissário da vida;
Nem como aquele que leva as sementes da vida de cá para lá e de lá para cá;
Sinto-o e agrada-me, mas não o penso como coisa de Deus.
Eu olho e, no entanto, não vejo as coisas com nitidez.
Não as vejo com realidade.
Eu sinto, mas, não o suficiente.
Eu tateio as coisas, sinto-as pelo contato com minha pele,
sei até o que são e para que servem;
sei, inclusive, se são boas ou ruins;
mas, ainda assim, não é suficiente.
Ainda assim, eu não percebo que são as coisas de Deus para mim.
Eu penso em Deus e digo acreditar n’Ele.
Penitencio-me diante das coisas que,
minha crença e minha fé me dizem serem importantes,
e esqueço-me de realizá-las
e no final esqueço-me de venerar as mais simples
e as mais concretas obras que manifestam a existência
e presença de Deus em mim e fora de mim.
Quando eu olho para meu irmão eu o vejo;
Se tocar nele eu o sinto;
Mas, verdadeiramente, não o olho e nem o toco com amor;
Então, também, não o vejo e nem o sinto com amor.
Não porque não o ame, mas, apenas porque anda não sei que o amo;
Que necessito dele tanto quanto a vida necessita de mim para se expressar!
Talvez, talvez agora...

Sim, é bem possível... Talvez...

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PARA SER ARTISTA



Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e profetizai-nos ilusões. (Isaias 30:10)


Da última vez que conversamos você disse que sabia que as estrelas continuavam lá, pois já as vira em épocas passadas, está lembrado? A que épocas passadas você se referia? - Disse o psiquiatra, procurando dar continuidade à sessão anterior.
- Criar é muito importante para mim; acho que não viveria sem fazer isso – disse Davi, parecendo não ter ouvido.
- Então você confirma sua intenção de continuar a ser um artista? – Perguntou o psiquiatra.
- Se eu disser que sim, estarei abdicando de viver como as outras pessoas? – Disse Davi.
- Diga-me se estou entendendo. Mesmo depois de seus quadros serem rejeitados para os Salões, você acha que isso não interferirá em sua capacidade de continuar a ser um artista, isto é, você ainda terá inspiração para continuar a criar. É isto que você está dizendo? – Perguntou o psiquiatra.
- Seu eu puder retirar-me para um lugar onde possa encontrar a reclusão extrema, eu poderei encontrar isso que chamou de inspiração – respondeu Davi.
- Você sente a necessidade da solidão, é isto? – Perguntou o psiquiatra.
- Não da solidão, mas de sua quietude.  Já não sei se tenho certeza de que sou um artista. Sinto que não nasci predestinado para alguma coisa. Apenas sei que quando estou sozinho, eu faço coisas que parecem ter sua origem em algo dentro de mim; algo que eu não sei o que é... – Foi interrompido pelo psiquiatra que disse:
- O preço de se viver em sociedade é, em grande parte, o sacrifício da satisfação de muitas coisas que nos dão somente o prazer. Temos que respeitar o outro e isso implica em seguir certas normas – disse.
- Nunca me senti bem ao lado dos humanos, a não ser esporadicamente. Acho-os por demais superficiais e às vezes em que consegui viver bem ao lado deles, foi quando eu também me tornei superficial. Eu anseio por uma vida mais plena, mais cheia. Há dentro de mim a insatisfação quanto a esta vida comum da maioria dos mortais – trabalhar, ganhar dinheiro, consumir, beber, rir sem estar realmente feliz ou alegre... – Disse Davi.
E depois de um intervalo, em que parecia estar pensando, continuou.
- Desejo viver num lugar onde eu possa abrir a janela e respirar fundo, sentindo que minhas entranhas estão sendo lavadas por ondas de vitalidade, paz e harmonia. Quero olhar ao redor e sentir que meus olhos brilham ao ver a paisagem sempre vitalizante e saudável. Quero viver feliz, com a mente vazia de coisas pequeninas e supérfluas que enlameiam minha mente, consumindo manchetes de jornais ou fofocas de vizinhos. Quero dar um basta às coisas medíocres, do barulho da televisão, com suas novelas que padronizam o comportamento e impedem verdadeiros sentimentos e emoções. Estou cansado de ser um meio-homem. Quero ser inteiro.
- Já percebeu como é curiosa esta sua maneira de querer viver assim e, ao mesmo tempo, querer criar... o que é a mesma coisa que ser um artista? – Observou o psiquiatra.
- Por quê? – Perguntou Davi.
- Ora, o homem deve trabalhar para prover sua própria subsistência, isto é, comer, beber, ter um lugar para morar e, para isso, precisa que o seu trabalho lhe proporcione isso, nem que seja o mínimo necessário e, como parece que você está desprezando a opinião dos outros, no que se relaciona com sua pintura, então, eles, que já mostraram que não gostam do seu estilo, também não comprarão os seus quadros – falou psiquiatra.
Como se não tivesse ouvido a argumentação do médico, Davi falou:
- Não sei se sofro por excesso de companhia ou por falta completa de solidão. E, enquanto não descobrir, nenhuma decisão que tomar quanto ao tipo de vida que quero levar será verdadeira. Outra coisa. Até hoje sempre procurei entrar em contato com Deus, com o reino celestial, falando muito, orando, pedindo, agradecendo, ou seja, nunca fiquei calado. Mas agora acho que chegou a hora de me calar e ouvir. Devo criar um vazio em minha mente para dar espaço à comunicação divina. Agora eu devo ouvir e deixar Deus falar. Silenciar minha mente para ouvir os sons celestiais – falou Davi como se estivesse conversando consigo mesmo, embora dirigisse suas palavras ao psiquiatra.
E com uma agilidade que espantou o médico, Davi retornou à pergunta feita pelo psiquiatra quando iniciara a sessão.
- Você perguntou de que épocas passadas eu falava?. Pois eu vou lhe dizer, embora não saiba por onde começar – falou Davi.
- Comece com a primeira lembrança que lhe vier à mente – disse o psiquiatra.
- Então, começarei falando do meu filho - disse Davi.


EP.Gheramer

# Fragmento 09 - O ébrio




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A minha saudade és tu...

A minha saudade tem lágrimas de sal
o cheiro do teu perfume
quando dormias nos meus braços...

A minha saudade és tu
o sonho
é o teu corpo nu
que desejo ardentemente...

És a minha saudade
eterna ausente
é o teu corpo  esta saudade
com que sonho loucamente...


Manuel Marques (Arroz)

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Solitude


Solitude
Palavra estranha
A alguns desconhecida
É aqui junto ao mar
Que melhor a saboreio
Deixo-a pousar
Na palma da minha mão
O vento levanta-a
E ela rodeia-me
No abraço de quem
Me conhece
Descansa em mim
E eu descanso nela
Como duas velhas amigas
A ouvir o mar.

Foto: www.pixabay.com

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Falso recheio




Art : Tango

Fonte: Tumbir

Antes de ontem, passeando por  http://meninosemjuizoemversos.blogspot.pt/ , que é o blog pessoal do co-criador desse blog que por hora você leitor visita ou revisita... Me deparei com um poema de título "Vazio", os versos me impactaram de uma forma tão eloquente que  postei aqui:

http://tubodeensaio-laboratorio.blogspot.com.br/2015/01/vazio_7.html

E um dia após, me deparo no Tumbir,com a imagem acima. No mesmo momento que meus olhos viram um estalo ressonou ... Já intuía que daria um pagode.(A imagem, o poema "Vazio" e a imaginação.

Falso recheio

Quem você pensa que é?
Quem sabe pensa ser mais forte que Eu
Quem sabe pensa que descoloriu todo meu Eu
Quem sabe pensa que a primavera  sucumbiu  entristeceu, morreu

Quem você pensa que é?
pensando ou não...   
Não se esqueça que 
sou sempre inundada pelo cheio
quando junto as palmas das mãos
em profunda comunhão...

Falso recheio é isso que você é!
Claudiane Ferreira




O sobrevivente

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Hoje de manhã...

Foto de Ronaldo Savazoni
Hoje de manhã, ao acordar de meu repouso, eu,
sem querer querendo,
comecei a prestar atenção no dia que
também acordava.
Olhando pela fresta da janela
do meu quarto de dormir, eu conseguia
perceber as nuances que o dia ia tomando.
Uma tênue claridade de luz que se atrevia
e se impunha na escuridão que ainda
reinava no meu lugar de morar.
Eram os primeiros raios do Sol que
já chegavam iluminando o meu quintal
do meu lugar de morar.
Vinha já da sua caminhada por outros lugares,
e deixando uma certeza de que,
onde houvera passado,
havia cumprido o que a vida
lhe determinara fazer:
dar manutenção à vida dos seres
que habitam nosso planeta e os deixava
na quietude da noite, companheira fiel do
repouso de todos nós.
Como que acompanhando o meu
lento despertar, pois que eu também
 vinha aos poucos tomando
consciência de mim, ele também
impunha-se com sua claridade e
seu calor de uma forma lenta e
gradual e aconchegante, necessária,
bem vinda e gostosa!
Aos poucos eu percebia que
a Natureza o acompanhava nesse acordar
porque, sentindo sua presença,
dava os primeiros sinais,
também, de sua vida exuberante.
Pássaros aqui e acolá se saudando
uns aos outros, e à vida que os animava
nesse mais um dia que nascia.
As flores, até então recolhidas no
repouso da noite finda, abrindo
como um espreguiçar nosso para,
também, saudar a vida que renascia, mas,
que renascia só por existir sempre
em cada cantinho de espaço desse nosso planeta.
O sono e o descanso de todos os
que viam aquele novo dia, havia sido
protegido, havia sido vigiado e a vida,
em sua forma latente, havia sido preservada,
havia sido respeitada, havia sido mantida.
De forma misteriosa, sublime, incondicional,
a minha vida e a vida de todos aqueles seres
que estavam, junto comigo, tendo o privilégio de
despertar, havia sido conservada.
Eu agradeci e senti que não há expressão
de amor maior que esta que todos nós recebemos
todos os dias e que todos nós deixamos
de perceber todos os dias:
a minha vida a cada novo despertar;
a sua vida a cada novo despertar;
a vida de todos nós a cada novo despertar;

A vida! A vida! A vida!

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Vazio



                                                                   Imagem: Web


Vazio

Quem você pensa que é?
nem eu mais bem sei descrever
Quando por dias se ausenta
eu nem consigo escrever

Vagam meus pensamentos
e as palavras se perdem porque
Conflitam-se todos os temas
da inspiração que é você

Quem você pensa que é?
não mais se afaste de mim
calando-se em meus poemas
não me abandone assim

Deixando sem cor a aquarela
e um vazio que não tem fim
sem luzes e sem primavera
sem flores no meu jardim

Men@

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Corpo, mente e alma


                                                           Art: Marcos Alexandre Cavalcante

Sorriso de notas
cores das auras oscilam
harmonização 

Claudiane Ferreira


"O que o homem pode fazer de melhor para a sua felicidade é por-se em harmonia constante com Deus por meio de súplica e orações"
Platão


Aura
Você com certeza já deve ter conhecido alguém assim: basta chegar perto para se envolver numa maravilhosa onda de luz e paz. Sua energia é tão positiva e contagiante que poderia até ser tocada. Outras pessoas, ao contrário, provocam uma desagradável sensação de cansaço, como se roubassem nossa energia. Esta capacidade de apagar ou iluminar o ambiente reflete o poder da nossa aura.


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TEMPO


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Amar dói !

Quero escutar a tua voz na escuridão da noite
ouvir-te em cada silêncio
despertar do amor que não dorme...



De onde vem este amor que me rasga por dentro
em que a alma se funde com a dor
onde há  desejo e pecado
que arde sangra e dói...



Manuel Marques (Arroz)

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