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Frutos do desapego -





                                                            Imagem: Claudiane

Fruta de verão  

No pêssego que 
descasco, encontro a pele
da infância: o sabor
frio da árvore que emerge
da madrugada,
antes que o sol a limpe
da noite
E ao comê-lo,
liberto a polpa do caroço,
seco, que guardo no bolso
para semente noutra
terra. Assim, de árvore 
em árvore, a infância
do fruto não se perde: e 
alguém, ao repetir
o meu gesto, descobrirá
que o poema alimentou
esta raiz com o seu adubo
de palavras.

Nuno Júdice - In Geometria Variável






Quadras para agradecer o imenso carinho

Do pêssego para a goiabeira
não me esqueço do araçá
tombos na ladeira
gargalhadas vim salientar

De Lisboa a Saquarema
Obrigada Susete, pelo Júdice e os postais
desapego foi o tema
até mais.

Claudiane Ferreira




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4 comments:

Ronaldo Savazoni said...

Sim, Claudiane, os sentimentos atravessam barreiras que, à primeira vista, são intransponíveis e a distância é uma delas, porém, a constância da ausência do objeto do amor o arrefece e fragiliza. O contrário disso é apenas por vontade nossa, mas não a realidade.

Cristiane Vilarinho said...

Que belo!
Às vezes tenho estes momentos de reflexões...
Precisamos de energia da natureza e da vida...
Acredito que a energia que nos sustenta vem de muitos sonhos de infância... Parabéns por esse belíssimo poema amiga especial <3 Claudiane!

Isa Lisboa said...

Clau, espero que aprecie tantos estes poemas como eu, quando os descobri! :) Um beijinho de cá de Portugal e boa leitura! :)

Gilberto de Almeida said...

Gratidão e desapego, duas jóias da experiência humana. Abençoadas, as duas!

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