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AINDA É MUITO CEDO

AINDA É MUITO CEDO


Numa ilha encantada certa vez encontrei,
A caminhar sobre a areia branca um homem.
Ele tinha um olhar triste,
Era como se carregasse os pecados do mundo,
Mas mesmo assim transmitia, talvez por magia,
Uma paz que eu não conhecia...

Senti-me atraído a acompanhá-lo e ele me falou;
Caminhei com vocês,
Passei por muitos e muitos passaram por mim.
Olhei com os mesmos olhos de há tanto tempo atrás...
Vocês me olharam com dúvidas,
Até com um pouco de espanto.
Na maioria foram indiferentes...

Conversei com alguns,
Não reuni mais de dois...
Tentei ajudar a resolver problemas,
Não me aceitaram...
Lembrei coisas importantes,
Não me entenderam...

“É pena, mas ainda é muito cedo!”

Com tristeza vejo que os interesses,
Transformaram os pensamentos que deixei.
Usaram-me para reunir rebanhos,
A caminhar em direções diversas,
Sem um rumo certo...
Amigo, o mundo não terá mais um sermão,
Eu trago em mim o início do fim,
E o dia é próximo...

Naquela praia de águas calmas a noite chegava,
Trazendo a cor de prata da lua,
Misturada com o brilho das estrelas,
Reforçando ainda mais naquele homem a aparência de anjo...
O seu olhar já não era mais triste,
E dele saia uma luz perfumada que entrava nos meus olhos,
Emprestando uma sensação indescritível...

Barra da Lagoa, janeiro de 1984.    DJALMA

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3 comments:

Dulce Morais said...

Ah, Djalma, pudessem os ensinamentos desse caminhante ser seguidos...
Belíssimo e sensível poema!

Seja muito bem-vindo à família do Tubo de Ensaio!
Parabéns.

DJALMA SOARES said...

Obrigado Dulce, eu tenho um carinho especial, por quem considero o único Homem que pisou neste planeta!

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Djalma, o olhar dele, por certo não era de tristeza era um olhar de desespero porque o tempo urgia, ele usava diversos métodos de resgate e nem todos conseguiam enxergar e absorver o mínimo de luz .

Parabéns e bem- vindo!

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