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INSIPICIDADE


 Imagem: Portrait Illustrations by Matt Dixon


As coisas vão se diluindo, e eu nelas.
Com um gosto, um desgosto que da,
sem nada sentir.
(mas isso passa).

Como uma brisa que passa, repassa...
trazendo esse gosto sem gosto,
desgosto de novo que passa também.
(e a minha boca tão seca...)

Tateio com a língua e nada vejo;
sem mistura de qualquer outra cor,
...só o nada de cada dia.

O azul migrou prum mar distante
e os olhos acostumados de te ver,
sem te ver tentam chorar.
Até a saudade foi roubada,
sonhos de longe a levaram...

E assim voam os dias.
Quase já não faz mais sentido o sol.

Ah, a insipicidade que mora.
Durante todo esse tempo
fez o céu ficar cinza...
Quando vai passar eu não sei,
mas também vou passando,
sorrindo a cada sorriso que passa.
É a vida passando e eu passando com ela.

                                                                                                                                                                                CARLOS NNEVES-2015 

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4 comments:

Dulce Morais said...

Carlos,
Há tanta beleza na melancolia dos seus versos!
E tanto sentir em cada palavra...
Afinal, sem só os cânticos e louvores são belos...
Gostei muito!

Carlos NNeves said...

Ô Dulce, quanta generosidade nas suas palavras... Obrigado, viu!!
Afinal ai de nós sem a poesia que permeia toda a vida com seus percalços e alegrias.

Grande abraço!

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Carlos , esse poema tem um ingrediente que ainda não havia provado
em outros de sua autoria que já tive a oportunidade de ler. Gosto !

"Quando vai passar eu não sei,
mas também vou passando,"

Me fez recordar um trecho do Quintana " Eles passarão eu passarinho".

Abraço

Carlos NNeves said...

Uau!!!.... Fiz lembrar Quintana, Claudiane?
Isso sim me da mais munição, ingrediente poético.... obrigado por pelo carinho de seu generoso exagero... :))

Gd abraço!!

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