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O Comprador de Almas

Foto por EP. Gheramer



Hoje, durante minha reflexão matutina, li a passagem em que Jesus, num sábado, curou um homem que tinha uma das mãos secas. Logo depois de curá-lo, Jesus perguntou aos doutores da Lei e aos fariseus - que estavam ali, para encontrarem alguma coisa de que o acusassem -, se era lícito fazer o bem ou fazer o mal num dia de sábado, segundo a Lei. Ao final do texto bíblico, é dito que "eles ficaram com muita raiva". Enquanto lia, lembrei-me que, em outra ocasião, Jesus estava em sua própria casa, junto de seus parentes e que estes insistiam para que ele fosse para as grandes cidades mostrar o que ele era capaz de fazer, isto é, os sinais e milagres que realizava no meio do povo nos pequenos lugarejos. Segundo eles, quem realizava coisas maravilhosas, deveria mostrá-las ao grande público, pois, segundo eles, "quem desejava ser reconhecido" deveria assim proceder.
      Então, quando acabei de ler, pus-me a refletir nas razões daquelas pessoas. As primeiras pessoas que viram Jesus curar num dia de sábado, ficaram com raiva e as outras, seus próprios parentes, queriam que ele realizasse os sinais de que era capaz de fazer em cidades grandes - como se ele fosse um mágico ou alguém que procurasse ser conhecido. Depois de pensar profundamente, embora de maneira rápida, cheguei à conclusão de que poderia dizer que os primeiros, na verdade, não sentiram raiva, mas inveja. Poucos estavam se importando com a transgressão da Lei. Estavam com inveja porque não eram capazes de fazer o mesmo que Jesus fazia. E por que pensei isso? O porquê, exatamente, eu não sei. O Espírito nos leva a lugares estranhos e sem nos dar explicações.

Continuando. Acho que se eles tivessem os mesmos poderes, não hesitariam em correr aos grandes centros urbanos e, diante da multidão admirada e de boca aberta, mostrariam o que eram capazes de fazer e, logo em seguida, passariam o chapéu! E, assim, de apresentações em apresentações ficariam ricos; cada vez mais ricos e com a riqueza, viria o poder. Ah! O poder... Como as pessoas gostam do Poder.
Poderosas e ricas poderiam ter tudo o que os outros tinham e não mais se sentiriam humilhados. Nem humilhados e nem carentes de amigos à sua volta. Ah! Como é bom saber que temos amigos e somos admirados. Êpa! Admirados?! Concordo que é bom e digno ser admirado pelos motivos nobres, verdadeiros. Jesus só tinha uma túnica ao morrer. E mesmo assim foi dividida entre os soldados, ao pé da cruz. Não foi nada fácil para o Filho de Deus aturar os homens - e ainda não o é! Mas Ele não desiste e continua a aturar-nos.
E os parentes de Jesus? Que decepção deve ter sido para Ele... Só mais tarde é que, novamente em Nazaré, ele disse que 'santo de casa não faz milagres' - com outras palavras, que os cristãos bem conhecem. Eles também queriam aquilo que a fama traz! E o que é? Todos já sabem e já responderam: Dinheiro e Poder. E para que dinheiro e poder? Para serem reconhecidos e admirados e bajulados e invejados e outras coisas mais.
Então o Espírito me levou a outros lugares desconhecidos por mim. E comecei a pensar para quê se adquire poder e riqueza em nossos dias e vi que é pela mesma razão de sempre: ter algo que os outros não têm e cause admiração e que, ao mesmo tempo, seduza as multidões. Sim, as multidões, porque são elas que conferem a fama e é da fama que vem a riqueza e o poder. Se a pessoa tiver alguém para dar um empurrãozinho, não é preciso ter algo digno de ser admirado. Esse alguém, ou alguma coisa, cria do nada algo para ser admirado e cobiçado pela multidão. E quem seria este alguém, escondido por trás de algo, que seria capaz de criar uma mentira? O pai da Mentira! Quem é o pai da Mentira? Bem, se eu precisar dizer o seu nome, então estarei dirigindo-me às pessoas erradas e o melhor seria calar-me, aqui e agora. Mas eu sei que sabem de quem estou falando. Assim, só falarei do "algo" por trás do qual está este “alguém". Será que já sabem o que é este "algo"? Vou dar uma pista: é algo que alcança a todos, indiscriminadamente e não pede licença para entrar em nossas casas. Os que responderam que é a Televisão, não acertaram - pelo menos não completamente. Mas ele não pensa pouco, ele quer tudo. E o que é "tudo"? "Tudo" é o homem, porque o homem foi a excelsa obra de Deus, criou-o à sua semelhança e já que ele foi expulso dos Céus, quando procurou ser igual a Deus, então, “ele” quer dominar o que é a imagem de Deus. Para “ele”, é como se estivesse dominando Deus. É um faz de conta. Faz de conta e quem paga são os homens... Quer dizer, quase todos os homens. Mas, de qualquer maneira é uma tristeza, não é verdade? Uma vez dominados, utilizam-se de seus inventos para, cada vez mais, ganhar discípulos para o seu pobre e miserável reino; ele não deixa de ser um vitorioso! E por algum tempo, ainda o será. Ele sabe que é só por um tempo, mas não fica como nós ficamos parados, pensando nisso. Ele continua em frente, realizando sua obra enquanto pode. É sua desforra por ter sido expulso do lugar onde era um "anjo de luz".
Mais uma vez fui levado como o vento, que é imprevisível. Eu, com minha mente ainda imperfeita, olhei para o meu tempo e vi os lugares onde se vendem revistas e jornais e não pude deixar de perceber, claramente, aquelas revistas populares que levam as pessoas, num piscar de olhos, à fama e daí à riqueza e ao poder. Poder sobre o próximo, como eram chamados os seres de nossa própria espécie, não esqueçamo-nos disso! Por falar nisso, como as palavras mudam de sentido: até pouco tempo atrás, o próximo era o outro, a quem devíamos amar como amamos a nós mesmos.
Mas, agora, não se ouve a palavra próximo com este sentido. O próximo passou a ser a outra pessoa a quem devemos odiar como odiamos a nós mesmos. Será que estou exagerando?!
Assim, os inventos estão aí. Não é somente a TV, as revistas, os jornais e a Mídia em geral. Toda e qualquer coisa que é inventada acaba sendo usada para a dominação da mente do homem e para comprar a sua alma.

Há dois Compradores de almas. Um deles, paga na hora, com moeda altissonante que lhe permite adquirir fama, riqueza e poder. Esta é a sua recompensa.
O outro Comprador não lhe oferece nada daquilo que o outro oferece. O que Ele oferece? Bem, isso cada um tem que descobrir por si mesmo. Ele não faz negócio com a multidão. Fala com um de cada vez. Fala com quem quiser falar com ele.

Quer vender sua alma? Compra-se!



EP.Gheramer

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4 comments:

Dulce Morais said...

EP,
Gostei muito da sua reflexão.
Recentemente aconselharam-me a tomar uma ação que iria, sem dúvida, trazer-me muitos seguidores para o meu blog. Não vou aqui descrever essa ação, mas o facto é que senti que, se o fizesse, trairia os meus princípios, a minha moralidade, os meus ideias. Respondi então, que não estava disposta a vender a minha alma. A isso me responderam "Pois quem perde és tu."
Mas será que sou eu que perco? Conservar a integridade, a crença no que considero justo e digno não será mais importante?...
O seu texto é muito importante!
Parabéns!
Obrigada!

JG Costa said...

Permanecer no caminho, em meio às multidões lhe chamando para "errar", é algo difícil, extremo, quase impossível, mas somente "quase... Abraços e parabéns pela belíssima reflexão que nos trás!

E.P. GHERAMER said...
This comment has been removed by the author.
E.P. GHERAMER said...

Dulce e JG.
É um privilégio tê-los como amigos.
Grato.
Um grande abraço!

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