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O muro

Um dia se via a mata, se via o campo
Tão verdejante que era coberto por orvalho
Todas as manhãs... O céu tão límpido e anil
Servia de manto para a floresta inundada
Dos cantos mais inimagináveis de pássaros
Que hoje são mudos...

Não era a mata, não era a nata da noite
Que fazia murmúrios que sinto falta... São
Das imagens frigidas e tão incompreendidas
Que surge a saudade...

Veio o muro, caiu o mundo... Não é só
Um amontoado de tijolos é o cerceamento
Das vontades, das fantasias, das veleidades...

Não foi só um sonho que foi aprisionado,
Foi tudo, tudo aquilo que valia a pena...
Não é um muro é um fim... Dizem que são
Com muros que se constroem os adultos,
São com os muros que constroem homens
Que um dia baseados em um argumento
Obtuso também aprisionará outras perdizes...

Infantes que para viverem o sonho de um
Dia ser diferente, precisaram de escadas
Para pular o conjunto de terra que não
Deixa mais se ver a floresta... que não deixa
Mais termos um amanhã que não seja
Entre tantas grades... 

Josué Brito 

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2 comments:

Dulce Morais said...

Ah, as nossas prisões...
Belíssimo poema, Josué!

DJALMA SOARES said...

Parabéns Josué

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