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Descobrindo-me

O texto abaixo foi uma participação num concurso de um site online em 2011, onde "interpretei" uma adolescente. Gostei!
JGCosta





Não sei se sou normal, algumas vezes acho que sou, em outras nem tanto.
Deve ser essa fase – longa demais – de adolescência que passo, pois segundo meus adoráveis pais – sim, eles de fato são maravilhosos, não estou sendo sarcástica – vivem me dizendo que quando eu chegar aos 18 compreenderei melhor tudo que eles pregam hoje e que para mim é tão difícil de seguir, afinal são regras sem fim existentes para todos os lados em que eu olho.
Para ser sincera, tudo isso me sufoca! Principalmente quando as regras tendem a versar sobre o amor – ah, proibido e delicioso amor, se ainda não o tivesse sentido aqui dentro de mim...
Às vezes, à noite, eu penso em fugir. Mas fugir para onde? Além do mais não é assim que eu espero me recordar dessa época e por mais que o desejo de desaparecer viva se materializando em minha mente, o carinho que tenho por meus pais é imenso e só de pensar em decepcioná-los uma tristeza muito grande me invade, maior até que o desejo de me tornar definitivamente independente.
Eles vivem repetindo que confiam em mim, que querem que eu me torne uma adulta responsável, mas na hora de me darem um pouco mais de liberdade, batem novamente as algemas. Como é então que vou aprender o que de fato é bom ou ruim, se aparentemente fazem tudo por mim?
E ainda por cima querem comandar até mesmo o meu coração! Será que daqui a um ano quando eu atingir a maioridade, como num passe de mágica vou passar a ver tudo de forma diferente, fazer as melhores escolhas, amar as pessoas certas, encarar meus desafios mais seriamente, tudo de um momento para o outro?
Como? Se ainda não sei quais sãos os melhores caminhos a seguir, se ainda não interagi livremente com as pessoas para poder formar opiniões, se ainda não me entreguei plenamente para o homem que eu amo?
Será que toda a teoria que estou aprendendo vai fazer alguma diferença na hora da prática ou será que, como as pessoas normais, vou acabar mesmo errando para aprender?
São muitas perguntas e poucas respostas, e é muita coisa para a minha cabeça.
Quer saber, creio que isso é mesmo o mal da adolescência, vem um milhão de novas informações e sensações, de uma só vez e desesperadamente queremos enfrentar e sentir tudo, na mesma velocidade em que essas novidades nos são apresentadas e isso é infinitamente impossível.
Acho que vou ouvir os meus pais e deixar que o tempo responda a todas as minhas dúvidas. Ao menos vou tentar...

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2 comments:

Dulce Morais said...

Interessante de colocar-se na pele de uma adolescente. É uma fase tão difícil e de tão grande fragilidade, que pode decidir de uma vida...
Parabéns, Joel!

Henoch Amorim said...

Nunca um indivíduo vai mudar logo após os dezoito anos, pois seremos sempre eternas crianças, apenas cada ano vamos ficando mais maduro e experientes. Também nunca seremos totalmente independente, seremos sempre escravos dos nossos sonhos, pensamentos, ideais, e até do passado ou do futuro.

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