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Borras de café



O café está à minha frente.

A água escorre condensada pelos vidros, mas posso ver quem passa. Não consigo ver-lhes as expressões nos rostos. Só aos poucos que entram. A maioria dirige-se ao balcão e sai logo de seguida. Alguns ocupam outras mesas, mas também não consigo decifrar-lhes o rosto.

Ontem tive um bloqueio na escrita, talvez esteja bloqueado todo esse lado da minha mente.

O dia cinzento não ajuda, sinto falta da luz do sol, de caminhar sem fugir da chuva. De sentir o calor a bater-me na cara…

O café, lembro então!  Deixei-o esfriar, nem parece meu.

Peço outro, bebo-o. Sinto o forte amargo a descer-me pela garganta e sinto mais coragem para ir. A cafeína funciona sempre.

Ficaram borras de café no fundo da chávena. Não as sei ler. Também, de que me serviria? Possivelmente tanto como estes mergulhos no nevoeiro do passado.

A empregada levanta-me a chávena, já não vou mesmo saber o futuro hoje.

Decido então sair, estou pronta para ser dia.

Ao abrir a porta, uma surpresa: o sol voltou!

Isa Lisboa

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2 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Estar pronta, talvez seja o segredo.
Beijos

Isa Lisboa said...

Acredito que sim, Clau! Deixar ir a ansiedade e andar calmamente, caminhando no presente ;(
Beijinhos

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