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Esquecido


Assim é o tempo, cruel, indômito, impiedoso mesmo!

Antes eu era um Adônis, pele lisa, postura altiva, supremo...

Hoje estou perdendo os pelos, músculos flácidos, com granjas de galináceos circundando meus olhos, meio torto, meio estranho, um inteiro dissabor...

Do que me resta nada me sobra, a não serem as sobras ou quem sabe a sombra onde dormito, excluso que fui das graças da beleza.

Não fiz história nem de mim farão versos, vou ter de me contentar com o anonimato.

Não fabricaram ainda uma máquina do tempo ou fonte da juventude que preste, assim para mim não existe regresso, somente lembranças de quando os holofotes buscavam minha fronte.

Só resta dizer adeus, melhor rabiscar, por não ter a quem o dizer, e deixar de recado no mural do mercado com uma foto anexa, de quando eu ainda era o máximo. Quem sabe alguém se compadeça e me leve uma tigela de leite morno, para acalmar a minha pancinha* que não para de roncar.


Miau!







* Barriguinha

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2 comments:

Claudiane Ferreira de Souza da Silva said...

Joel, adorei seu microconto.

"Não fabricaram ainda uma máquina do tempo ou fonte da juventude que preste, assim para mim não existe regresso, somente lembranças de quando os holofotes buscavam minha fronte." -

Precisava mesmo me lembrar ?
Abraço.

Isa Lisboa said...

O ser humano ainda tem um fascínio muito grande pelo que se vê, esquecendo o mais importante. Na sua relação com os animais e com as pessoas...

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