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Soneto de natal



Da manjedoura, há dois mil anos, surge à mente,
dos labirintos da memória, tênue aviso
de paz, a incomodar-nos, num conciso
lembrete vivo, tão singelo quão pungente.

Mas, tal mensagem, enxergamos pela lente
duma ilusão..., da nossa falta de juízo!
E, entorpecidos, esquecemos do sorriso
de amor do Cristo, a conclamar-nos, docemente...

Quisera Ele, acaso, o nosso desvario
de comilança, consumismo e ostentação
por celebrar-lhe a imagem pura e imorredoura?

- Ou que abrigássemos quem sofre e passa frio
no tabernáculo de austero coração,
servil e humilde imitação da manjedoura?

Gilberto de Almeida
23/11/2015



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2 comments:

Anonymous said...

Gilberto seu soneto é intenso...

"Mas, tal mensagem, enxergamos pela lente
duma ilusão..., da nossa falta de juízo!"

Abraço.

Claudiane Ferreira

Gilberto de Almeida said...

Meu modo de ver a forma como comemoramos o natal não anda muito favorável aos nossos costumes, Claudiane. Ingiro, mas não digiro! :(

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