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coração pulsante e dilacerado de um amante nada amado


me corto a cada amor que tenho
e vou me cortando a vida toda
a única função que tenho na vida
é me cortar, me ferir, me ver sangrar
e pelo sangue que eu vejo escorrer
eu poupo as lágrimas dos olhos
               — e choro vermelho meu sofrimento

minha função na vida
— se é que tenho função na vida —
é cortar quem eu amo
e vou cortando e ferindo e achando graça
da desgraça que é amar
quem nunca me amou
e só repousou em meu poço de ardor
por noites que valeram segundos
               (meu choro vermelho é meu sofrimento)

e os pulsos que ganem querendo logo a morte
e o chão que cisma beber o sangue
e o sangue que cisma comer o chão
e o coração tem medo de parar
de sentir e de amar
e dizer sim ao invés de dizer não
e de se abrir tanto a qualquer um
               (a vermelhidão do choro é da cor do meu amor)

e quanto mais me corto
mais me morro
nesse caminho torto
nesse morro morto que é o amor
nessa montanha íngreme
nessas palavras de dor
nessas dores de amores
perdidos
e sofridos
de amor sem amor
               (haja pulso pra tanta morte!)

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3 comments:

Gilberto de Almeida said...

Intenso, meu querido amigo! Intenso e sofrido! E você passa essa intensidade e esse sofrimento a quem o lê... Ah! Quem dera um dia conseguíssemos fazer do amor um horizonte de libertação e não um porto de sofrimento...

Dulce Morais said...

Amar é belo... mesmo quando a mágoa segue.
Versos muito intensos...

Josué da Silva Brito said...

Lindo, meu amigo!Um poema impecável, como se pudesse esperar algo diferente de ti!

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