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De chuva, de amor (Atrás dos muros)

Quão bom ver de tão próximo a tua face
E deleitar de teus toques arredios, experimentar
Da tua boca e da tua carne sem nem mesmo
Figurar na tua austera presença...

Tão bom te amar de milhares de metros e me
Perder nos muros que nem a chuva pode
Ultrapassar... Gritar de cima de incompreensíveis
Lajes e dizer verdades sem nem mesmo perceber.

Mirar a miragem que se chama dia e ver
Apenas pássaros que não tem medo da chuva...
Encarar teus olhares como se cada estrela
Do céu, que ainda está claro e azulado,
Fosse uma pupila tua.

Pegar na terra que germina com a doce
Garoa e sentir como se fosse intimidade
Que cada fino solo de areia pura fosse um
Grão da beleza que só tu podes ter.

Sentir que os mares, tão medonhos e tão
Grandiosos, fosse uma extensão até agora
Não assimilada da tua benevolência e da
Tua simplicidade.

E olhar para dentro e ver uma alma tão cheia
De vida, como se fosse feita a alma minha
De sonhos... tudo tão vivo e tão feliz... quão bom
O amor da ilusão tenra ou a tenra ilusão do
Amor recluso entre tantos portais.

Bom gritar sozinho e não ser por ti ouvido, talvez
O grito perto de ti tivesse o som de um suspiro
Ou nem fizesse barulho algum... chove lá fora,
Não ouvirias nada, nem um susto sequer.

A chuva bagunça teu rosto e mistura tuas cores
Tantas, teus cabelos de estátua grega maravilhosamente
Se tornam cascata... Não escutaria, chove muito lá fora...
Ah a chuva nova para um novo amor. 

Josué Brito 

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1 comments:

Dulce Morais said...

Josué,
Como sempre, muitíssimo belo!

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