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Poesia em pequenos versos


Por que é que escrevo tão pouco
em poemas pequeninos?
(nesse estranho, pobre e louco
suceder de desatinos?)

Por que é que eu me contento
com tão pouca poesia
se andar nas asas do vento
menos é do que eu queria?

Se a poesia é infinita
e resplandece no céu,
por que tolice se agita
minha alma, no papel?

Se a natureza garante
a exuberância formosa
da estrela mais radiante
ao perfume duma rosa,

da arquitetura da rocha
à beleza do poente
ou no amor que desabrocha
num coração descontente,

por que será que eu escrevo
composições sem valor,
sem fragrância e sem relevo
sobre a Voz do Criador?

Mas, porém, se fico atento,
uma voz  (não sei de onde!),
num sentido desalento,
entristecida responde:

- cada ser consegue, apenas,
dar daquilo do que é seu.
São pequenos, meus poemas,
porque pequeno sou eu!

Gilberto de Almeida
31/01/2016

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1 comments:

Anonymous said...

"Se a poesia é infinita
e resplandece no céu,
por que tolice se agita
minha alma, no papel?"

"- cada ser consegue, apenas,
dar daquilo do que é seu.
São pequenos, meus poemas,
porque pequeno sou eu!"

Gilberto seu poema funcionou como um formão de entalhe.
Em 2016 ainda não consegui escrever uma poesia sequer.

Grata pela reflexão, por sua preciosa presença nesse espaço, por sua luz.

Claudiane Ferreira

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