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Sufusão
























Insistes à vida, não entendes que o
Esquecimento que me darias seria dádiva...
Recorre sempre à fuga quando tu encontras lápides,
Não deixas nada ao meu corpo, nem mesmo
As coisas, que dizem os loucos, que são
Inalienáveis, me roubas... Levas o respiro
Descompassado e o respingo do suor frio.

Tiras minhas lágrimas, o sufoco dos dias
Esquecidos, mas me deixas as pobres almas
Que gritam em meus ouvidos, que me lembram
Que já é tarde, porém parece que o sol
Nunca dantes houvera vindo.

Cantas suave e com pouco vigor, não
Obstante perene. Não deixas estancar
O sangue, amarras-me com teu pranto,
Com o seu canto que gosto, fazes-me escravo,
Doente da minha própria dor.

E assim vão indo os momentos, todos
São escravos, eu temo, quem não seria,
Tu insistes à vida, mas o que me deixas
É a morte, o dom secreto de toda flor.


Josué Brito 

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