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Soneto para quem cuida


Trata o doente como fora flor
suave e delicada, algo assim
qual planta abençoada em teu jardim!
Aduba, rega, faz o bem que for...

Mas poderá, alguma vez, se opor
o próprio enfermo ao teu ditoso fim!
É a insanidade, o sofrimento, enfim,
a luta atormentada contra a dor...

Releva! E vê se entende o ser aflito
que, adoecido, irrita-se, esbraveja
e não te ajuda o mínimo que seja.

Apenas serve! E aguarda d'O Infinito
o amor que semeaste com desvelo -
que é teu!... E junto ao Pai irás colhê-lo!

Gilberto de Almeida


(31/07/201)

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Ponte de luz

                                                         Imagem: Jose Suassuna
       
" Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam"
Leonardo Boff



Flor com acúleo?
Caminho  esquecido?





Flores de Jacarandá
ponto de luz
Hora de voltar para cá!

Claudiane Ferreira





                           

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MEU PEDIDO

Imagem retirada da web
MEU PEDIDO
(Por Maristela Ormond)

A cada pedido que faço a cada oração proferida, percebo que não devo pedir e sim agradecer ao muito que me foi dado e passou despercebido ao meu olhar desatento.
Percebo que em volta de mim existem pessoas que necessitam muito mais, que tiritam de frio pelas ruas, ou queimam-se debaixo de um sol escaldante, sem uma gota d’água para beber. Percebo que meu cobertor é o mais poderoso do mundo e a minha cama a mais macia. Que a água que bebo a cada manhã ao acordar, é a mais límpida e refrescante que poderia ter. Percebo que embora não esteja viajando pelo mundo e sentindo os prazeres das mais lindas paisagens, posso estar interagindo através um velho microcomputador que ainda possuo para observar o quão lindo é o mundo em minha volta e ao mesmo tempo o quão feio é, quando vejo maldades, mentiras, intrigas e pessoas desfiguradas pela pobreza e pela fome ao redor de meu mundo. Percebo ainda o quão é importante meu agradecimento, pois percebo também que não sou melhor do que nenhum outro ser humano, que todos somos iguais e sentimos a mesma dor, o mesmo frio, as mesmas alegrias e que, portanto, devemos sempre pensar e observar o quanto é válido nos colocarmos no lugar do outro para saber exatamente o que ele está sentindo...
Ao juntar minhas mãos e orar, antes de qualquer pedido, devo agradecer pelo tanto que meu foi dado e ao menos tentar amenizar a dor que muitas vezes, encontra-se bem do meu lado e deixo passar sem uma palavra de conforto, sem um copo d’água para suavizar a sede, sem um pedaço de pão para amenizar a fome.
Mas um pedido preciso fazer e, este sim é importante. Para que todos nós possamos mudar algo em nosso redor, para que nossos olhos se abram ao amor, à tolerância, à caridade. Para que possamos modificar o mundo paulatinamente e sejamos abençoados por uma força maior, a força do amor.  


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APRESSADA


APRESSADA

Estação do Metro super lotado,
todo mundo, mais que apressado,
é uma situação, meio que
de incivilizado.

Mas do nada, surgiu “ ela “ ,
também, um tanto quanto apressada,
com uma linda saia estampada,
que entre as demais, se despontava.

“ ela “ tinha um cabelo, bem liso,
parecia ainda úmido,
um tanto quanto em desalinho,
provavelmente, mais tarde,
receberia um carinho.

Incrível, uma Mulher de saia estampada,
mesmo que um pouco apressada,
mas por isso mesmo. Se destacava,
das outras “ melhores das iguais “.

Mulher, vestida de Mulher,
mesmo com o cabelo em desalinho,
tomara que ao fim do dia,
receba o melhor do Carinho.


( 19/07/2016 )


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A maturidade

Imagem da Web



















Antes mesmo de abriste os olhos,
Quando tu eras ainda filha do ventre
E no ventre se encontrava a carne
E éreis tu e ele as verdades, mesmo
Quando os olhos não te pertenciam
E tudo que tivesse visto fosse nada
Mais que turgidez...

No dia em que vieste do pó e
Tu se fizeste ser do nada... Lá
Estava aguardando languido na
Clepsidra, como se um dia o tempo
Passasse.

O amor, que te toca hoje a face
E se entranha no teu próprio
Ventre e te conhece cada aleivosia
E entrega ao mar cada um de teus
Pecados, esperava-te e já existia
Como se teu âmago fosse feito
Para amar.

O coração que te não pertencia
Na primavera primeira despertava
Então ao fulgurante pálio do dia 
E dissesse pela vez única o que
Acreditava ser amor.

Todavia, o sentir te assistia antes
Mesmo de tu desprenderes o sorrir
Na vida fora das vísceras... cultivava-te
Feito videira para que quando viesse ao
Solo a flor da figueira já tivesse fecundo
O teu coração.

Acompanhar-te-á a essa e velará o
Corpo para que se diga eterno. E levará
Consigo a alma do fiel amante, como
Pombas vós partireis a evo na mesma
Quimera que criara o amor.

Poeta Josué Brito 

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Hora do nascimento


Pobre alma imprevidente e entorpecida...
Tateia pelos séculos, na estrada
de sombras e pesar, desnorteada,
nas dores que o egoísmo consolida...

Pobre alma, até que um dia se decida
buscar melhor caminho e, fatigada
dos erros recorrentes da jornada
suplique novo corpo, noutra vida!

E Deus consente - é júbilo celeste! 
Mas quando os anjos trazem, sem demora,
notícias de um casal que lhes empreste

o amor e o berço  - à alma devedora! -
e o apoio necessário ao novo teste...
... É aí que nasce um filho! - É nessa hora!

Gilberto de Almeida
(15/07/2016)

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Olhar d'alma




                                                        Imagem: br.pinterest.com


"Sim, existem muitos tipos de pintores. Muitos... Mas, ao longo da História, jamais existira um pintor de lembranças, até que Gabriel pensou: do que é que as pessoas mais gostam? De suas lembranças! O que é que faz tanta gente feliz? Lembrar, lembrar e lembrar os melhores momentos de suas vidas...
Serei pintor de lembranças!... "



Há algumas semanas atrás, me deparei com o livro "O pintor de lembranças" resolvi reler e surgiu a ideia: fingir ser uma personagem e imaginar que lembrança gostaria que fosse  pintada. 

Depois de um passeio ao país das minhas recordações, entrei em completo estado de inércia por não conseguir decidir qual teria sido a mais importante.

Da infância a lembrança que ficava indo e voltando era a do meu pai deitado no chão da cozinha fingindo de morto e eu chorando. Quem dera pudesse ele ainda fingir.

De amor de filha direto para o amor de mãe. A primeira olhada? Não, dessa eu tenho foto. Daí comecei a imaginar uma tela em 3D a retratar a primeira mexida dentro de meu barrigão. Xii, melhor não, os outros filhos ficariam enciumados. Outras tantas surgiram...

Será que a escolha ficaria bem mais fácil se não tivéssemos a atravessar atualmente uma grande crise econômica? Poderia ao invés de encomendar uma única tela encomendar várias. Bem feito quem mandou supor que o Gabriel, "o pintor de lembranças", não cobraria barato, mas, nem teria como sua arte ter um preço popular, pois, imagino que não deve ser muito fácil retratar em tela, recordações alheias... 

Depois de algumas semanas resolvi que chegara o momento e sem saber ainda o que retratar me pus a escrever. Ao me deparar com o Gabriel pedi que gravasse em seu coração as palavras abaixo, para traduzir em forma de arte.

A luz que reflete um olhar preenchido de admiração e gratidão atravessa fronteiras além vida terrena.

Darei o nome a essa tela a ser pintada "Olhar d'alma".

Ao terminar de colocar o ponto final acima, abri um livro na biblioteca  da escola e parece que a citação estava a me esperar.

"Se batermos às portas dos corações - acredito que iremos escutar os sons dos movimentos determinantes." (Daisaku Ikeda) 


Claudiane Ferreira

E você qual recordação gostaria de ver retratada em um quadro ?



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A desilusão dos amores


Imagem da Web



















Falta-me desespero para as lágrimas do amor,
Para as estrelas que te prometi no leito
Em quanto nos perdíamos na ilusão
Que achávamos eterna, mas foi o vento...
Foi relento... se perdeu, se perdeu em nó...
Se esfriou feito saudade. Morreu por
Falta de zelo...

Falta fogo nas palmas, falta canção ao peito,
Parece mortalha... tarda sentimento. O que
Restou foi estória, foi poesia muda, foram
Escravos ainda aprisionados na ilusão
Guardada na lua...

E nós vamos caminhando na nossa falta
Que chamamos de destino, traçando a
Ausência como se fosse sempre nossa
Verdade, mas afinal é, foi o desamor
Que nossos próprios corpos
Construíram.

Falta tempo e versos... nosso amor se findou,
Findou o tempo para o céu azul com as lágrimas
Que lhe pertencera com as palmas que
O sentimento lhe dedicava... Vai o corpo
Em sua essa, com a vida perdida em si,
Com o caminho descoberto entre as faltas...
Com o coração que não lhe pertenceu
E sem amada que ainda lhe estava por vir.

Josué Brito

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Capítulo 5 - O Lado Escuro da Luz


Não passara despercebido a Benjamim, o longo período de silêncio em que ficou depois que terminara de ler o seu livro de modo sistemático, isto é, começando do princípio e não mais da maneira aleatória como o fizera até então, abrindo-o em qualquer página e lendo um trecho desgarrado e por isso tornado incompreensível. A luz que via agora, de dentro da mais densa treva, contrastava com o racionalismo, com o determinismo versus o livre-arbítrio, com o intelectualismo e a discussões e tudo o mais concernentes à vontade do homem, em contraste com a vontade divina.
Pode ver que por defender uma religião intensamente pessoal, em oposição à religião institucional, colocara-se em choque com a falsa moral formada por ela. Ele acusava a igreja oficial de não refletir o cristianismo genuíno, por haver acomodado a religião ao poder social, visando o convívio conformista e pacífico da humanidade, à custa do crescimento de cada ser humano em sua individualidade inerente. E isso era uma situação com a qual ele não concordava. Acreditava que isso levava à desintegração física final dos indivíduos, ao mesmo tempo em que impedia seu desenvolvimento espiritual. Ele observava que a primeira coisa que uma pessoa tem que fazer para evitar cometer pecado e viver sem culpa, era não frequentando essa Igreja resignada. E por quê? Porque a pessoa não seria forçada a dizer uma mentira ao afirmar que sua igreja representava a Igreja genuína do Novo Testamento.
Com o rompimento do seu modo de vida anterior, Benjamim se viu livre do absurdo desespero em que havia se tornado sua existência. E isto deu início a uma fantástica produtividade intelectual, com o intuito de expor um vívido quadro sobre o que significa alguém ser um cristão.
Tinha a firme crença de que a vontade tem o poder de formar a natureza humana. Para ele, não há uma natureza fixa, e um homem pode fazer o que quiser, tornando-se aquilo que seus recursos internos fazem dele. Opunha-se àquele falso determinismo, originário em um Espírito Absoluto, que controla todas as manifestações da existência.
Para ele, o homem é o resultado de seus atos voluntariosos, e não aquilo que ele é forçado a ser, por meio de forças externas que enfatizam a irracionalidade do ser e o poder do medo, como fizeram as religiões instituídas. Somente quando está livre dessas forças, é que a pessoa injeta esperança naquilo que parece inútil, permitindo-lhe usar a vontade na busca pelo Divino Desconhecido, o que insufla significado naquilo que, de outro modo, não tem qualquer sentido. Neste mundo o homem é um ser criativo, e não um autômato, manipulado por forças externas.
Também acreditava que sem Cristo, o homem é um ser solitário, que boia sobre as ondas de uma existência aterrorizante. A missão de Cristo ocupa posição central no livramento do homem. Esse livramento é da falta de significação. O cristão espera por atos misericordiosos de Deus, bem como pela sua graça, a fim de ser revertida qualquer situação insustentável.
Após o término da leitura da última página do livro, ele percebeu que desde o princípio, havia enfrentado a vida como se o prazer fosse a essência da mesma. Agora ele podia ver que essa forma de vida parecia envolver o máximo de liberdade, mas, na verdade, faltava-lhe propósito. Ao seguir essa trilha acabara sem valores que pudesse seguir, e desintegrou-se em torno de desejos que nunca encontravam real satisfação. Foi somente depois de ultrapassar esse sentido hedonista, que começou a buscar um propósito na vida. Metaforicamente falando, ele passou a buscar uma esposa e não uma amante passageira.
Observou também que em certa altura da vida, ele experimentou o ideal socrático de que o homem contém, em si mesmo, todas as respostas, pelo que tudo de quanto uma pessoa precisa é um bom mestre ou guia que faça vir à tona o que já existe inerentemente em seu homem interior. Mas, ao longo do caminho, deixou Sócrates e começou a seguir Cristo. Ele descobriu que um homem precisa do Salvador, e não apenas de um mestre.
Foi então que mudou seu modo de encarar as vicissitudes da vida eliminando, progressivamente, todas as alternativas de um problema qualquer que surgisse. Finalmente, com a eliminação de todas as supostas respostas às coisas, e o que restou foi um enorme vazio. E do interior desse vazio, percebeu a sua necessidade de revelação. A essa altura, ele estava se aproximando da abordagem espiritual da vida. Esta aproximação desencadeou sentimentos de temor, porquanto soube que, agora, estava tratando com um grande poder.
É por essa altura das coisas que Deus pode intervir, elevando o indivíduo acima daquilo que é meramente ético.
Nesse ponto, a vontade de Deus aparece suprema e a abordagem espiritual não está sujeita a explicações lógicas. Está eivada de paradoxos. O paradoxo supremo é o próprio Deus.
O herói das tragédias renuncia a si mesmo a fim de expressar o que é universal. E, diferentemente do que ocorre na ficção, o homem de fé renuncia ao que é universal a fim de obter a si mesmo. O homem de fé segue pelo caminho superior.
Ao terminar a leitura e fechar o livro no qual ele próprio deixara registradas as diferentes fases da trajetória de toda sua vida, percebeu que estava diante de uma decisão que teria que tomar se quisesse continuar fazendo seu próprio caminho - estava diante do salto da fé.

Continua...

EP. Gheramer




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Desnuda-te...

Há um desejo que me empurra como se o teu corpo fosse meu
o meu coração cansado desta solidão bate  forte
quem nos proíbe amor de nos tocar-mos ?

Desnuda-te ao menos uma vez perante o meu desejo
ama-me como sempre sonhas-te em amar-me
e deixa-me ouvir a tua voz na escuridão do silêncio...

Manuel Marques (Arroz)

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Haverá o tempo do amor



























Há de ser um dia... o ser menos
Escravo. Os ponteiros que formam as
Mãos, que afagam, poderão ser
Eternos e os beijos que aquecem a alma
Ganharão a eviterna lembrança.

Paralisados olhos apaixonados serão
Abraços que navegam o corpo e
Os toques ígneos serão verdades
Não serão apenas passagem de uma
Poesia que já se fez.

A compassada e perdida vida, que
Segue sempre os mesmos rios e que
Se perde sempre nas mesmas vilas,
Há de se arrevesar... aprender de novo
O que nunca aprendeu sobre amor.

O tempo há de se pausar... a pausa
Profunda para dois... Segundos hão
De durar o tempo que só tem
O tempo que é do amor.


Josué Brito 

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