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Dá-me um sonho que seja nosso...

De memória em memória atravesso-te
nas minhas lágrimas ainda restam alguns sonhos
procuro palavras,procuro-te...

Silêncio e mais silêncio
o vazio a realidade o sonho
o sorriso nos lábios de um amor triste...

Grito surdo,sonho de poeta
na noite escura o teu olhar fulmina-me
dá-me um sonho que seja nosso...

Manuel Marques (Arroz)

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Setembro

Setembro
faz isso
Deix(a)gosto
Passado


LitoNazareth

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Fica em mim esta noite...

Vagueio na escuridão desta noite
nos meus sonhos há fragmentos de solidão
sombrias madrugadas de ilusão


Nem sempre da janela do meu quarto encontro o sonho
são inocentes os meus olhos quando te olham
e no silêncio da noite a alma resiste .

Fica em mim esta noite
até que tudo se dissolva em sonhos
abraça-me e envolve-me de amor.

Manuel Marques (Arroz)

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Independência (ou morte)?

Imagem: Google


Hoje, dia da Independência do Brasil.
E eu fico me perguntando: que independência? 

A cada nova notícia nos jornais e nas redes sociais,
minha inconformação aumenta.
Vejo estampada a notícia de um abuso sexual num coletivo.
E nada fez a justiça para punir o indivíduo. 
Quatro dias depois, o mesmo "homem" repete o ato contra outra mulher.

E o mesmo se repete em outro Estado mais alguns dias depois.
Ambos os casos são reduzidos a nada, a pó.
A uma insignificância sem dó.
Pois os sujeitos "responderão" em liberdade.

Quanta impunidade! 
O ato em si não atinge apenas àquelas mulheres.
Mas a todas nós.
Que temos nossa liberdade ameaçada a cada segundo.
Poder? Podemos. Sempre poderemos mais. 
Não deixaremos de lutar.

Mas, como prosseguir?
Se de plenos poderes gozam Legislativo, Executivo e Judiciário.
E como ficamos nós? 

Exploradas/os a cada dia.
A cada dia desatando nós.
Tolhendo vontades.
Cortando gastos.
Comendo o necessário
para não morrer de fome.

Sem nome. Só números.
Estatisticamente comprovados.
Como os daqueles/as negros/as e favelados/as.
Que são mortos/as ou detidos/as mesmo sem terem cometido crime algum.
A cor da pele como justificativa.
De que? 

Mas, falando em números,
os de ontem me deixaram ainda mais chocada.
Em muitas malas estavam (guar)dados muitos milhões.
51 MILHÕES de reais, para ser mais exata.

E mais uma vez meu coração se parte em milhões de pedaços.
Ao refletir que com tanta coisa esse dinheiro poderia ser gasto. 
Dinheiro que é nosso. Dinheiro que é do povo. Dinheiro. Muitos.

De cá, apenas assistimos
nossos direitos serem tomados.
Basta uma canetada e está consumado.
20 anos de cortes em investimentos na população.

Bem que poderiam clamar não por "ordem e progresso", mas por Ordem no Congresso.

Só sei que nosso povo trabalhador,
com o suor de seu labor
leva para casa ínfimos novecentos e poucos reais por mês.
Para alimentar muitas bocas e alguns ideais.
Ideiais e sonhos. 

Como o sonho de ver filhos/as, netos/as e sobrinhos/as com diplomas na mão.
Para quem sabe no futuro conseguirem colocar no papel aquilo que seus pais, mães, avôs, avós, tias e tios não conseguiram.
Para quem sabe usarem a caneta e
reescreverem uma nova história.

Uma história de libertação.
Uma história sem opressão.
Uma história sem corrupção.

Uma utopia? Talvez.
Talvez uma utopia mais uma vez.
Mas, vivemos de utopia.

Pois que a história fala que somos independentes.

Mas continuo a me perguntar: que independência?

Marcilane Santos, 
07 de setembro de 2017.



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Agradecimento | Soneto: Uma palavra

Caros amigos leitores e escritores, meu último compartilhamento aqui foi em 29/01/2016, e sinto que devo desculpas pela minha ausência.

A Família Tubo de Ensaio é, e acredito que sempre será um ótimo lugar para se prestigiar e partilhar o que sentimos, que serão nossas eternas e memoráveis lembranças. Aquelas que nos aquecerão fielmente.

Sou grata por tudo que já me aconteceu aqui e por fazer parte. Muitas das obras que li, me ajudaram bastante, e seus excelentes escritores também.

Um viva à vida, que fica mais linda quando podemos desfrutá-las das melhores maneiras possíveis.

Deixo aqui meu soneto, e mais uma vez, meu agradecimento!


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A Culpa Não é Do Celular



Por Osny Alves


Com a possibilidade de enviar muitas mensagens em um clique, a sociedade tem enlouquecido a si própria. O exibicionismo virou a modinha do século, crianças na idade de brincar de bola ou boneca ou melhor que isso, lerem um bom livro, se sujeitam a tirar selfies de seu rosto, de seu corpo, de suas intimidades, como se fosse algo normal é que o pudor fosse algo negativo e ultrapassado. O mais interessante é que isso tem atingido uma classe maior de pessoas, e temos visto jovens e adultos, fazerem a mesma coisa! Esses dias recebi no app do WhatsApp, uma anciã fazendo um filme, onde ela tirava peça por peça, até ficar totalmente nua, se insinuando tentando seduzir alguém do outro lado da tela de seu celular, a senhora beirava seus setenta anos de vida, e parecia insana, menos para quem fora daquele banheiro achava que ela seria a nobreza e retentora da moral e dos bons costumes. Ou o mundo quase todo enlouqueceu, ou fui eu que enlouqueci. Mas a verdade é uma só, a malícia e a falta de vergonha é contagiosa, bem como se fosse um vírus contaminando a tudo é a todos. Parecem zumbis, mortos-vivos, caminhando pela face da terra. Hoje é comum ver pessoas filmando a si próprias e seus parceiros realizando aos obscenos, escandalosamente e postando na internet, como se fosse uma simples foto de rosto. Fico pensando na coragem ou irresponsabilidade dessas pessoas, essa insanidade total que tem afetado o mundo, atravessando a moral da sociedade, sua fé no religioso, destruindo culturas e lares. Outro dia vi no celular de um colega uma menina que pedia para que a filmassem transando com diversos meninos, e dizia: - "olha aí fulano como é que se coloca chifre"... Penso eu que ela queria punir a si própria, pensando equivocadamente que estava punindo o namorado. Nossos celulares tinham que ter um tipo de filtro que recusasse nudes, filmes pornôs, pouca vergonha de idosos, adultos, jovens e crianças... Músicas que falam abertamente sobre tudo relacionado a sexo e crimes, dos mais hediondos. Em nossas escolas estão cheias de vídeos pornográficos que rapidamente viralizam e em questão de segundos tomam conta das redes sociais e na maioria dos casos quem liberou tais vídeos, foram as próprias "vítimas". É incrível como a inversão de valores se agigantou com imensa rapidez, tal qual como o mar de lama que devastou Mariana e outras cidades, ou como o Vesúvio que cobriu de larva cidades inteiras destruindo tudo o que com sacrifício foram criadas. O que é moral hoje em dia? E bons costumes? Ainda vamos ouvir que são uma espécie de animais em extinção. Nem tanto a Burca, nem tanto o Nude. Mantenhamos o equilíbrio. A sociedade já tem muito pecado e crime com que pagar, e quem vai pagar a conta são as crianças dessa geração e dos que estão por vir. Hoje o natural é o voyeurismo, exibicionismo, e tantas outras coisas que sabemos que o mundo entrou num caminho perigoso, um colapso sem volta.

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O TEU DESEJO É A TUA ORAÇÃO



‘Meu coração grita e geme de dor’ (Sl 37,9). Há gemidos ocultos que não são ouvidos pelos homens. Contudo, se o coração está possuído por tão ardente desejo que a ferida interior do homem se manifesta em sons externos, procuramos a causa e dizemos a nós mesmos: Talvez ele tenha razão de gemer; e talvez lhe tenha ocorrido algo. Mas quem pode compreender esses gemidos, senão Aquele a cujos olhos e ouvidos eles se dirigem? Por isso diz: ‘Meu coração grita e geme de dor’, porque os homens, se às vezes ouvem os gemidos de um homem, ouvem frequentemente os gemidos da carne; mas não ouvem o que geme em seu coração.

E quem seria capaz de compreender por que grita? Escuta o que diz: ‘Diante de Vós está todo o meu desejo’ (Sl 37,10). Não ‘diante dos homens’, que não podem ver o coração, mas ‘diante de Vós’ está todo o meu desejo. Se, pois, o teu desejo está diante do Pai, Ele que vê o que está oculto, te recompensará.
Teu desejo é a tua oração: se o desejo é contínuo, também a oração é contínua. Não foi em vão que o Apóstolo disse: ‘Orai sem cessar’ (1Ts 5,17). Será preciso ter sempre os joelhos em terra, o corpo prostrado, as mãos levantadas, para que ele nos diga: ‘Orai sem cessar?’ Se é isto que chamamos orar, não creio que possamos fazê-lo sem cessar.

Há outra oração interior e contínua: é o desejo. Ainda que faças qualquer outra coisa, se desejas aquele ‘repouso do sábado eterno’, não cessas de orar. Se não queres cessar de orar, não cesses de desejar.

Se teu desejo é contínuo, a tua voz é contínua. Ficarás calado, se deixares de amar. Quais são os que se calaram? Aqueles de quem foi dito: ‘A maldade se espalhará tanto, que o amor de muitos esfriará’ (Mt 24,12).

O arrefecimento da caridade é o silêncio do coração; o fervor da caridade é o clamor do coração. Se a tua caridade permanece sempre, clamas sempre; se clamas sempre, desejas sempre; se desejas, tu te recordas do repouso eterno.

‘Diante de Vós está todo o meu desejo’. Se o desejo está diante de Deus, o gemido não estará? Como poderia ser assim, se o gemido é a expressão do desejo?

Por isso o Salmista continua: ‘Meu gemido não Vos é oculto’ (Sl 37,10): Não é oculto para Deus, mas é oculto para a multidão dos homens. Ouve-se por vezes um humilde servo de Deus dizer: ‘Meu gemido não Vos é oculto’ e vê-se também esse servo sorrir. Será por que o desejo está morto em seu coração? Se o desejo permanece, também permanece o gemido; este nem sempre chega aos ouvidos dos homens, mas nunca está longe dos ouvidos de Deus” (Comentário ao Salmo 37,13-14; CCL 38,391-392).

Santo Agostinho de Hipona, +430

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Tende o amor

Tendem o corpo e a alma ao sepulcro.
O olhar dotado do acaso sem escrúpulos
Viajando ao além... se arrefecendo aos poucos,
Criando mundos que não são compatíveis, mas
Que são seus, que são únicos. 

Consoante a uma ampulheta fria e calculista,
As mãos se vão distanciando... Cria-se um mar. A
Sublimação dantes eviterna e fascinada
Torna-se esquálida,  alimentada
Pelo  próprio dissabor.

Faz-se vivo a brecha, o instante, o momento...
Onde o coração não mais se acalenta. Esfriou-se.
As simulações fazem faces, fazem beijos,
Fazem entregas, todas falsas, todas dotadas
De amargura.

E no fim qual a verdade? Qual a real ventura?
Todos os homens são falsos... Todos os pensamentos
São vagos, estão, enquanto se diz eu te amo,
Em outras desventuras.

Josué da Silva Brito 

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