Referência
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RESILIÊNCIA
Quando eu era estudante de engenharia civil na Faculdade de Engenharia
da FUMEC em Belo Horizonte, hoje Universidade FUMEC, havia uma cadeira chamada
Resistência dos Materiais onde estudamos sobre um assunto chamado Resiliência,
que, por conceito, pode ser entendida como “a
capacidade que possui determinado elemento de retornar ao estado inicial após
sofrer influência externa. Podendo ser definida como a capacidade de
recuperar-se de (ou resistir a ser afetado por) algum tipo de choque, insulto
ou perturbação. A propriedade de resiliência de qualquer objeto pode ser
descrita por meio de sua capacidade de: mudar (adaptação, expansão,
conformidade e conforto) quando uma força é aplicada; funcionar adequadamente
ou minimamente enquanto a força é efetiva e retornar a um estado normal
(esperado e pré-definido) quando a força se torna ineficaz ou é retirada.
Dessa forma, o grau de resiliência de um objeto depende de sua habilidade de
preservar suas características mínimas durante todo o ciclo de estresse, desde
o momento do impacto, passando pela exposição adversa, até após a retirada da
perturbação” (CARALLI).
Pois, bem, o fato é que não pude deixar de associar tal conceito,
cunhado nas ciências exatas, às várias situações emocionais, físicas e
psicológicas pelas quais passamos no decorrer de nossas vidas, onde somos submetidos
a verdadeiros testes de resistência como se viver a vida fosse parte da rotina
de laboratórios de materiais em ensaios de resistência em.
Mas, de fato, não seria isso verdade?
Sendo assim, tentando entender e refletindo sobre o conceito de resiliência aplicado ao nosso atribulado viver, encontrei um artigo sobre resiliência de autoria de Carolina Vila Nova cujo interessante conteúdo compartilho:
AFINAL, O QUE
É RESILIÊNCIA?
“Acredito que uma das maiores
lições que aprendi nos meus últimos anos foi a tal da resiliência. A palavra
pode estar na moda, mas nem de longe, é algo que se pratique com facilidade. É
preciso maturidade e força de espírito para vivenciá-la na prática.
Gosto de pensar num exemplo
assim: se uma criança morre de medo de injeção, pode ser que no momento da
aplicação, de medo e revolta, ela comece a chorar, gritar e a debater-se. Como
o medicamento deve ser tomado, alguém irá segurar a criança até que ela esteja
então medicada. Mas é claro que o choro, os gritos e o “ser segurado à força”
acabam sendo muito mais traumáticos do que apenas a dor de uma agulhada.
Temos tanto medo de sofrer, que
somos capazes de fazer tudo contra uma possível dor, na crença de que somos
fortes o bastante para eliminar os sofrimentos de nossas vidas.
Somos tão inocentes e imaturos,
que durante a maior parte da vida choramos, gritamos e nos debatemos exatamente
como aquela criança. E quem nos segura é a própria vida, que nos imobiliza ainda
mais, quando tentamos fugir de uma determinada situação.
Se eu me revolto em relação a
minha família, a minha raiva me faz sofrer ainda mais aquilo que já me machuca.
E quanto mais eu alimento este sentimento, maior ele fica. O sofrimento cresce
à mesma medida em que eu vou me tornando mais dependente deste rancor.
Se no trabalho eu não aceito
como as coisas funcionam, mais elas continuarão a funcionar da maneira que me
incomoda.
Se a pessoa que eu amo me irrita
de uma determinada maneira e eu não aceito esta determinada característica,
cada vez mais visível este ponto se torna para mim. Quanto mais eu não gosto de
uma pessoa, mais eu terei que conviver com a mesma.
É incrível o poder da atração
que a raiva e a revolta possuem. Quanto mais eu não quero uma coisa, mais esta
coisa gruda em mim.
Não é fácil aceitar todos os
familiares exatamente como eles são. Nem as situações no trabalho, quando elas
parecem injustas ou ruins. Ou ainda a pessoa que eu espero ter o resto da vida
ao meu lado, com um defeito irritante. Ou então conviver com alguém que eu
detesto. Nada disso é fácil.
E então, como funciona a tal da
resiliência nisso tudo? Aceitando tudo e a todos exatamente como eles são. Este
é o primeiro e maior passo. Quando eu paro de brigar internamente, mentalmente,
com aquilo que me incomoda, eu dou início a um “acalmar” dos ânimos.
Quando eu paro de julgar os meus
familiares e entendo que eles têm o direito de ser como são e me lembro de que
eu também tenho defeitos, toda a raiva e revolta dá lugar a uma paz de espírito
antes nunca sentida. O aceitar as diferenças inclui aquilo que me incomoda. O
que difere daquilo que eu sou ou penso, visto com respeito, me torna humilde e
livre, uma vez que compreendo também as minhas imperfeições.
Somos todos iguais, seres
errantes, aprendendo uma lição por dia, na dor que a vida nos impõe. E nas
poucas alegrias que ela verdadeiramente oferece. Se no trabalho alguém me
incomoda ou algo me perturba, entendo que de alguma maneira irei crescer com
aquilo. Seja no dom da paciência e da tolerância, ou no me sobressair com calma
e autocontrole. É mais do que talento o ser que se autodomina. É a liderança de
si mesmo num mundo onde tantos ainda acreditam que ser forte é questão de
autoridade em relação aos outros.
Aceitação é a palavra chave para
uma vida menos sofrida. Porque quando um sofrimento chega, o me debater apenas
prolonga e intensifica a dor. Quando eu aceito, permito que a dor chegue,
observo, analiso e aprendo algo com ela. Desta forma, assim como a injeção da
pequena criança pode se tornar um drama ou uma leve picada, nossas vidas podem
se tornar mais fáceis, se eu aceito o que a vida me impõe.
Nada vem sem alguma lição. E
quanto mais eu aceito o que chega, mas rápido também se vai. Resiliência não é
um ato e nem um momento. Resiliência é prática, e constante. Aprendizado que
nos ilumina por dentro. E depois por fora”.
Logo, creio que aceitar as coisas e as pessoas como elas são é de fato
de grande utilidade, pois as contrariedades e aflições que daí podem surgir nos
fazem refletir e lembrar que vivemos como que num deserto e, por isso, não
devemos por a esperança em coisa alguma desse mundo senão e somente em Deus.
Referência
Carolina Vila Nova Afinal. O que é resiliência em http://lounge.obviousmag.org
Marcos Allemand. Engenharia de Resiliência em http://www4.serpro.gov.br/
Tomás de Kempis. Imitação de Cristo, Livro1, Cap. 12
CARLOS NNEVES
NOV/2016
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