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Nem tudo são flores!

Trago um pequeno conto para os amigos, escrito no ano passado, um daqueles que ficaram gravados em minha mente...
JGCosta


Clique na imagem para ver de onde ela veio!


Quando eu era pequeno meu pai me ensinou que existiam duas maneiras de fazer tudo na vida. Eu optei sempre pela mais difícil.
Por quê? Minto dizendo que não faço ideia. Na verdade costumo dizer que deve ser porque gosto de sofrer ou...
Ou as maneiras mais fáceis nem sempre são as mais corretas.
Um belo exemplo disso foi quando comecei a namorar pela primeira vez, na casa dos 17 anos, com uma garota linda de 16. O que mais eu ansiava era pelo sexo, desesperadamente. Mas, por uma questão de postura e respeito para com a mesma, decidi agir como um cavalheiro e ela literalmente me chutou. Seis meses depois estava grávida de outro. Descobri, por A + B, que a perdi por respeitar demais.
Não teria sido muito mais fácil me deixar levar?
Na escola tentei avidamente fazer inúmeras amizades, mas na maioria das vezes preferia ficar sozinho, devorando grossos volumes de ficção ou livros de história. Quantas vezes não fui tomado por um cara estranho, e assim sem querer ia afastando os colegas, que só se aproximavam de mim para obter ajuda.
Por que eu me aprofundava tanto em meus sonhos de olhos abertos e me isolava dos demais?
Nas empresas que trabalhei o fato se repetiu. Profissionalmente eu interagia muito bem, mas quando o assunto caia para o lado pessoal, eu sempre era esquivo ao extremo, dando sempre preferência aos meus assuntos e passatempos pessoais. Festas de confraternização, nem pensar, churrascos, longas bebedeiras em bares, tudo isso não fazia parte da minha agenda.
Será que eu me achava superior culturalmente de todos que me cercavam?
Mesmo depois de casado, todo o relacionamento externo seguiu o mesmo padrão, mas tive que tentar aprender a me dividir, a dar um pouco da minha atenção para alguém que não fosse somente eu. Tentei, tentei, não consegui e claro, o divórcio chegou como num passe de mágica.
Seria o egoísmo uma das minhas “qualidades”?
Demorei a entender que sempre agi desta forma por simplesmente isso fazer parte de mim, do que eu sou, e quando finalmente cheguei a esta conclusão, aprendi a me aceitar. Mesmo hoje, sendo chamado de Doutor pela maioria, um título do qual não me acho merecedor, a velha frase do meu pai sempre ecoa em minha mente: existem duas maneiras de se fazer tudo na vida...

“Doutor Mathias, o vereador Jarbas deseja lhe falar.”
“No telefone ou pessoalmente?”
“Ele está aqui na recepção”
“Mande-o entrar Clarisse. Obrigado.”
Onze de agosto, o Dia do Advogado, e o meu primeiro presente é um político. Bom, segundo presente, minha doce secretaria Clarisse, um verdadeiro achado, já havia me presenteado com um belo vaso de tulipas, minhas preferidas, e uma irresistível caixa de bombons.
“Como vai Doutor?”
“Deixe de lado o Doutor. Vou bem, muito bem, sente-se.”
“Você parece mais alegre hoje, alguma programação especial?”
“Nada de mais, processos e mais processos, uma infinidade deles.”
“Até parece que foi ontem Mathias, lembra-se do colégio, o quanto a gente aprontava. Você ainda parece o mesmo rapaz, enfeitado com alguns cabelos grisalhos na lateral da cabeça.”
Creio que ele nunca me conhecerá de verdade. Nunca estudamos na mesma classe e o máximo de contato entre nós foi um esbarrão maldoso da sua parte, no corredor da cantina. Será que devo dizer isso a ele?
“Você, meu caro vereador, está realmente com a aparência de alguém com 50 anos...”
“Sempre esqueço que o Doutor não tem papas na língua...”
“Perdoe-me a sinceridade, mas não é crítica, é um elogio. Os homens não devem aparentar exatamente aquilo que são?”
Eu sabia que esse olhar de fuzilamento viria, hoje mais rápido ainda do que o normal.
“Pensou na minha proposta?”
“Qual delas?”
“Abandonar esse escritório e advogar exclusivamente para a Câmara?”
“Vocês já tem um excelente advogado por lá.”
“Ora, não seja ridículo, ele não passa de uma ameba crescida demais, para todos os lados.”
“Não penso assim, ele já se saiu bem em diversos trabalhos.”
“Você continua sendo ridículo Mathias, falta muito para que ele chegue ao seu patamar.”
“Ou será que lhe falta mais decoro profissional?”
“Pra quem?”
“Estávamos falando do seu advogado?”
“Ah, lógico, lhe falta muitas qualidades, por isso que eu e os colegas insistimos tanto para que aceite esse cargo.”
Como gostaria que ele pudesse entender que eu jamais poderia aceitar esse cargo. Vai totalmente contra os meus princípios e nem é a minha área principal de atuação.
“Jarbas, já falamos inúmeras vezes sobre isso e a minha resposta continua sendo a mesma: não me enquadro às expectativas que vocês, nobres edis, tanto desejam.”
“Queremos somente que você faça o melhor por nós Doutor, e isso é a sua maior virtude. Lembre-se: ótimos honorários o aguardam por lá!”
“Não são os valores que discutimos anteriormente que me desagradam, meu caro, mas serão as condutas que terei de tomar.”
“Mas é só seguir as Leis...”
“E as interpretar em favor dos meus clientes, sim, esse é o meu encargo público. Mas prefiro continuar advogando para a minha atual clientela.”
“Insisto Mathias, não existe diferença entre cá e lá...”
Se eu não falar agora, vou ter um treco, alguém segure a minha língua.
“Existe toda a diferença do mundo, vereador Jarbas. Aqui eu determino quais serão meus clientes e minhas causas a serem defendidas. Lá eu estarei amarrado ao compromisso de representar ou ao menos chefiar a representação de todos os componentes da Casa.”
“E isso implica em que?”
“Implica que não gosto que nada seja decidido por mim, resumidamente é isso!”
“Clientes são clientes.”
“E advogados são advogados...”
“Você torna tudo mais difícil do que é.”
“Pois é, assim pensava também meu finado pai...”
“Deus O tenha, foi um grande homem.” – Ele disse com a mão direita sobre o coração.
Foi mesmo, o melhor de todos que conheci, com suas qualidades e defeitos.
“Você o conheceu?”
“Não, somente de nome...”
Foi o que pensei.
“Que pena, iria gostar muito dele, jogava xadrez como um russo, falava alto como um italiano e gostava de viver como um brasileiro...”
“Não mude o foco Doutor, você não pode reconsiderar a minha proposta? Precisamos do melhor no comando do nosso setor jurídico.”
“Agradeço muito pela consideração Jarbas. Por favor, faça com que esse meu agradecimento chegue aos demais edis, mas tenho outras metas para o futuro.”
“Última palavra?”
“Sinto muito.”
“Bom, como é que você diz mesmo? Aquela sua frase...”
“... nem tudo são flores!” Disse rápido interrompendo-o.
“É verdade. Mas não esqueça, a proposta continua valendo, caso mude opinião.”
“Assim como a minha porta sempre estará aberta a novos clientes.”
“Desde que você aceite defendê-los...”
“Obviamente vereador. Passar bem.”
Como tudo em minha vida, metodicamente construí uma sólida carreira de advogado, pautado principalmente no princípio de poder defender àqueles cuja causa eu considerasse justa. No começo da minha profissão, quando optei pela advocacia criminal, como rege o Código de Ética e Disciplina da Ordem de Advogados do Brasil, sempre tive o cuidado de não cometer um deslize sequer, manchando assim uma carreira que queria seguir até o fim da vida.
Eu sabia muito bem, através da mídia, a quanta andava as ações dos vereadores no meu município, em diversas esferas, e não queria correr um risco desnecessário, apesar das pressões referentes à minha contratação, sempre cogitada por anos a fio. Poderia haver um momento em que essas insistências se tornariam insuportáveis e eu não dispusesse de mais um pingo de paciência para lidar com a situação, correndo o risco de me tornar uma pedra no sapato de algum poderoso senhor da cidade e assim angariar inimigos. Bom, como o verbo é no futuro, deixemos para ele as consequências de meus calculados princípios.

Foi seis meses o tempo em que o citado futuro reservou para uma mudança de postura da minha parte, situação na qual me coloquei por livre e espontânea vontade.
O mesmo vereador Jarbas, agora correndo risco de cassação, se encontrava detido em cela especial na cadeia local, acusado de tentativa de homicídio, e no aguardo de uma audiência em júri popular. O descompromissado advogado que o defendia simplesmente lavou as mãos e abandonou o caso, alegando envolvimento pessoal.
Numa tarde como outra qualquer sua esposa me procurou no escritório e conseguiu me convencer a defendê-lo.
“Ele precisa do senhor.” – Ela começou dizendo com os olhos molhados.
Era uma bela senhora, de fato, na casa dos 40 anos, corpo esguio, educada, fina mesmo. Impossível relacioná-la com o príncipe em forma de sapo, sem abusar do sarcasmo, de como eu definiria o seu esposo Jarbas.
Fiz um gesto para que prosseguisse.
“Foi tudo uma armação, ele não fez nada!”
“Sra. Jamile, preciso ser sincero: todos dizem isso!”
“Não! Ele não fez nada mesmo. Só bebeu um pouco demais, nós dois bebemos. Depois caímos no sono deitados nas cadeiras, em volta da piscina. Havia mais três casais conosco, todos compostos por colegas vereadores do Jarbas. Qualquer um poderia ter entrado na chácara e disparado contra mim, depois chamado a polícia.”
“A senhora chegou a entrar em coma por dois dias, estava embriagada, como pode ter certeza que ele não atirou, tomado por uma insanidade qualquer?”
“Ele me ama, jamais me faria mal algum, eu sei disso. E que motivos ele teria?”
“Diga-me a senhora.”
“Nós dois temos muito dinheiro, viemos os dois de famílias abastadas. Não tenho nenhum seguro milionário em meu nome. Jamais nem pensei em traí-lo com outro homem, amo o homem que ele é, da maneira como ele é.”
“E quem mais poderia querer lhe matar?”
“Não tenho inimigos! A única explicação seria alguém tirá-lo do caminho, por questões políticas, mas isso não tem lógica. É seu último mandato, está abandonando a carreira para se dedicar a arte, sabe, ele é um exímio pintor.”
“Não conhecia esse dom do Jarbas, bem, na verdade intimamente pouco sei do seu marido. A senhora terá que fornecer todos os mais íntimos detalhes que souber, de ambos, e a partir desse momento começar a ser totalmente honesta comigo.”
“Já estou sendo explicitamente sincera com o Doutor...”
“Desculpe-me contradizê-la, mas não está! Tenho anos de experiência com todos os tipos de pessoas e a senhora oculta algo.”
“Em relação a que eu poderia estar mentindo?”
“Ao fato de nunca ter traído seu marido. No momento em que falou olhou para as mãos e desviou o olhar...”
“Foi por pura timidez. O Doutor é muito bonito e tem os olhos mais azuis que eu já vi.”
“Agora que estamos começando a finalmente ficar mais íntimos, me chame de Mathias. E não se preocupe, sei que não está mentindo, só usei de um pouco de manipulação para deixá-la mais a vontade. Agora me conte tudo, todos os detalhes daquela tarde, cada vírgula é importante.”
Depois de 30 minutos sem que mais nenhuma novidade surgisse a dispensei. Precisava falar com Jarbas, caso fosse aceitar o cargo. Toda a história narrada me levava para um quebra-cabeça perfeito, sem nenhuma peça faltando. A Sra. Jamile, a vítima, apesar de envolvida emocionalmente com o suspeito, seria a testemunha perfeita, até demais. Perpassava uma sinceridade que ia além do normal.
Na cadeia, depois da rotina para liberação de visita, facilitado pelo meu conhecimento de longa data com o delegado, pude ter algum tempo de privacidade com Jarbas, um sujeito aparentemente arrasado.
“Que bom que veio Doutor. Falei para Jamile que o amigo seria minha única chance.”
“Se você não é culpado, qualquer bom advogado dará conta de lhe libertar.”
“Mathias” – disse ele quase sussurrando – “Armaram pra mim! Somente um excelente advogado como você vai encontrar uma maneira de me livrar. Por mais que eu não tenha nenhum motivo, também não tenho nenhum álibi. Estava deitado segurando um revólver no colo, enquanto Jamile sangrava para morrer ao meu lado.”
“Sei de todos os detalhes: ninguém ouviu nada, foram todos para o outro lado da chácara, enquanto vocês descansavam. Quando chegaram e viram a cena, chamaram a ambulância que veio acompanhada pela polícia. A perícia constatou que ninguém modificou a cena do crime. O tiro foi disparado pela arma que estava presa à sua mão. Foi constatado vestígio de pólvora em seus dedos... Calma homem!”
Jarbas chorava como uma criança chegando a soluçar. Por um momento tive vontade de abraçá-lo, creio que foi isso que me motivou a lhe defender.
“Tenha calma! Farei tudo que puder para livrá-lo daqui. Vamos começar com um habeas corpus e tirá-lo da cadeia.”
“Obrigado Mathias.” – Ele conseguiu dizer entre os soluços.
Três dias depois Jarbas estava livre, aguardando o julgamento em liberdade, nunca sofrera um simples processo nas costas, tinha residência fixa e pleno desejo de colaborar com a investigação.
Eu me esforcei ao máximo para buscar uma solução para o seu caso, mas quando me vi num beco sem saída, às vésperas de comparecermos ao tribunal, propus a Jarbas que tentássemos um acordo com o promotor do caso, para abrandar a sua pena, no que ele foi categórico:
“Prefiro a decisão do júri e a batida do martelo. Jamais vou admitir que atirei em Jamile, jamais!”
Com essa sua decisão tudo ficou mais difícil. No dia da sessão fiz uma das minhas atuações mais brilhantes de que tenho lembrança. Chamei sua esposa para testemunhar, ele próprio, os envolvidos diretos que participaram do incidente, outros amigos de longa data. Pintei um quadro de inocência perfeito, recheado por um amor pleno, mas literalmente “chovi no molhado”. Nenhum dos meus argumentos tirou da mente dos jurados a visão das fotografias do corpo da vítima e a do revolver com o acusado.
Tentei ao menos convencê-los de que foi um ato impensado, de uma pessoa fora de suas condições normais de raciocínio, pois se tivesse a clara intenção de matar sua esposa, teria então atirado em sua cabeça ou no seu coração, não em sua barriga. O juiz o condenou a cinco anos de prisão em regime fechado, por tentativa de homicídio, com todos os direitos a redução da pena prevista em Lei.
Fiquei muito abatido com a decisão, mas Jarbas me agradeceu profundamente, em meio a um abraço desconcertante.
“Você é um grande amigo e um excelente advogado. Vou lhe confessar algo: eu menti!”
“O que você quer dizer com isso?” – disse enquanto o policial encarregado de conduzi-lo se aproximava.
“Eu nunca tinha ouvido falar do seu pai, mas tenho certeza de que ele teria orgulho do filho que trouxe para esse mundo.”
Quem diria que alguém conseguiria arrancar um sorriso de meu rosto tão facilmente, principalmente num momento igual a esse, aonde por dentro o sofrimento chegava a doer. Foi a última coisa que Jarbas viu da minha pessoa, uma cabeça balançando negativamente com um sorriso bobo na face. Uma semana depois, numa aparente confusão na penitenciária para onde ele foi enviado, alguém lhe tirou a vida. Creio que perdi o único amigo de verdade que eu fiz na vida, mesmo isso ocorrendo de forma tão inesperada. E justamente quando eu começava a aprender a fazer as coisas da maneira mais fácil.
Nunca tive certeza do que de fato aconteceu com ele na prisão, cuja investigação não levou a nada, nem do verdadeiro culpado do disparo contra Jamile. Mas certa desconfiança se apossou de mim algum tempo depois, quando recebi uma pequena correspondência, que por algum motivo tinha certeza de que havia sido engano, pois vinha do Canadá e não conhecia ninguém que residisse ou estivesse de férias por lá. Só notei que estava enganado ao constatar que se tratava de uma devolução de correspondência que não chegara ao seu destino.
Era um envelope simples, com inúmeros selos cobrindo quase todo o seu lado esquerdo, e diversos carimbos azuis. Mais pela curiosidade do que por qualquer outra razão, o rasguei cuidadosamente e retirei de lá um cartão fino com uma única frase digitada no centro, enquanto belos desenhos de tulipas enfeitavam as bordas.
“Voei” para a delegacia. Não foi constatada nenhuma digital na correspondência e na central dos Correios fui informado que a carta não foi entregue diretamente no balcão de atendimento, mas coletada numa das diversas caixas de armazenamento próprio para envelopes que existiam na cidade, em diversos bairros afastados do Centro.
Devido a um controle interno, conseguiu-se descobrir até o bairro onde a carta foi colocada, mas nenhuma testemunha do fato surgiu após a divulgação do fato na mídia. Assim encerrou-se o último capítulo da minha pequena amizade com o agora finado Jarbas. Jamile eu nunca mais vi, mudou-se para bem longe. Bem que gostaria de encontrá-la qualquer dia desses para lhe perguntar se em algum momento seu marido havia lhe mencionado a minha frase preferida, e que por algum motivo estava impressa naquele bilhete.

Prefiro ainda acreditar que tudo não passou de uma brincadeira, que acabou se tornando uma despedida, pois como é fácil de constatar, na vida nem tudo são flores...

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Olhos nos olhos

Imagem da web

Olho nos olhos
Daquele que me renegou
Daquele que um dia me fez chorar.
Olho e tento ver luz
Mas afundo-me em plena escuridão.
Reconheço aqueles olhos 
De outro alguém.
São tristes
Revoltos
Melancólicos
Rancorosos.
Aquele olhar dói na alma, então,
Quem chora por ele, agora, sou eu.
Num Segundo
Divergem-se
E enfim posso ver luz
Naqueles olhos.
A sombra negra sobre ele desaparece.
Olho novamente
E o fio de esperança se esvai.
Era engano
A luz que vi
Era traços da luz do sol
Refletida

Sobre o espelho.









Por Jéssica Morgan




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Duas faces

Foto: Malagueta, Isa Lisboa 







É doce sua cor
Picante ela esconde
Como tudo, dual



Isa Lisboa

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Meditações de um cogito deslocado


Serei um satélite ou qualquer outro objeto fora, do ar, manchete, comercial – classificado que não se ler? Ao retroceder no tempo minha mente desajustada avança plugada em algo ligado, desligada do real recebendo uma carga de informações, parafernagens, bagulhos, rodando o barato; realidades indefinidas, uma fração que enverga, pressiona o rosto contra o papel divagando linhas retas, tortas, forma visual, carga semântica, metacomunicação, meta de intervalos, desesperança, propaganda, imprensa – milhares de vogais e/ou estrelas colocadas em órbita ao redor da minha cabeça.

Sonhos carbonizados, palavras sem laudo. Esqueça tudo, o eterno um alvo distante, o difícil foi chegar até aqui – 



Por Claudio Castoriadis
Imagem: fonte web

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Conversas do Tubo de Ensaio - Claudiane e Diego D' Avila


De Claudiane para Diego

"Felicidade é viver e não se arrepender"

Diego, dei início a esse nosso desafio à duas vozes, com o verso acima de um poema seu "Teu Ateu", publicado em 14/08 no Tubo de Ensaio. Gostaria de saber se o ato de escrever te leva ao patamar de felicidade e como se dá esse processo criativo?

Se existe um patamar da felicidade, acredito que escrever já tenha me levado até ele. Costumo dizer que a escrita é meu ansiolítico ao tempo que é minha energia. Tenho um amigo que define felicidade como uma balança, onde de um lado temos as tristezas e do outro as alegrias. Se a balança pender para as alegrias, estamos felizes naquele momento. Quando escrevo eu consigo converter parte da melancolia, da amargura e da angústia que for em alegria. Acho que já consegui responder como se dá o processo também.

Você já escreveu algum texto que tenha se arrependido de ter publicado?

Não digo que me arrependi de ter publicado, mas já editei uma ou outra publicação por haver solecismo ou excesso de exposição minha ou de outras pessoas, pois já usei o blogue para contar sobre minhas viagens, sobre o meu dia, hoje não é mais minha intenção.

Faço essa pergunta baseado em uma postagem de título "Passatempo Inútil" ,do seu blog pessoal http://passatempo-inutil.blogspot.com.br/ que vc afirma que algumas escritas suas são emblemáticas. Qual postagem sua você considera até hoje mais emblemática?

É até curioso citar isso, pois justamente hoje resolvi voltar com o nome anterior "Leão de Gaza". Eu resolvi fazer uma homenagem nesse período à Graciliano Ramos e hoje, 10/11/13, encerro a homenagem, além do que recebi comentários e e-mails chamando minha atenção que o título anterior combina mais comigo. Agora respondendo a pergunta, eu tenho uma maneira de escrever utilizando, algumas vezes, signos, emblemas. Gosto de misturar realidade com ficção, de utilizar elementos da Natureza, das mitologias, das crenças, ao tempo que abordo temas sociais e relacionamentos humanos. Talvez a mais emblemática seja “O profético advento do leão”.

Ainda na postagem de título "Passatempo Inútil" você comenta que existem certos livros, músicas ,filmes e peças teatrais que nos transformam. Gostaria que você partilhasse pelo menos 1 de cada e comentasse como cada um. de alguma forma. modificou-o

Esta pergunta é injusta, rs. Ter que escolher somente um é um desafio. Mas vamos lá.

Começando pela peça teatral vou citar uma das últimas que vi, no começo deste ano, chamada “Mefisto” da Cia de Teatro Urgente (ES) e que, por coincidência, descobri ter sido produzida por um amigo de um amigo meu. A peça falava da tentativa do artista de se vender para o Estado, também fazia alusão ao “Fausto” de Goethe. O que me marcou muito foi a atmosfera de terror, o clima de medo. Passei a partir daí a ter mais vontade de escrever sobre personagens que causam medo, o diabo por exemplo.

O filme “Melancholia” de Lars von Trier bate de frente com as regras impostas, de forma sorrateira, pela sociedade, e como a pessoa que percebe isto passa a viver. Também fala de como estamos despreparados para um processo tão natural que é a morte. Assisti o filme várias vezes e senti uma mudança, um novo olhar sobre algumas construções históricas da sociedade, como o casamento.

Poderia citar o “Angústia” de Graciliano Ramos que me motivou a fazer a referida postagem. Mas prefiro citar “Alienação e Humanismo” do Leôncio Basbaum que mudou para sempre a forma de como vejo a nossa relação com o trabalho, neste sistema capitalista, e sua nítida consequência: a desumanização.

Música, vou ter que citar “Pagan Poetry” da Björk, não tem como não divagar na música. Ela inspira, excita e, claro, transforma. Sempre tive dificuldades em escutar músicas internacionais, aquela mania nossa de preconceito que infelizmente todos nós temos, mas aí perdemos oportunidades como esta. Taí, quer uma transformação melhor? rs

O poeta José Paulo Paes diz em seu livro É isso ali: A poesia não é mais do que uma brincadeira com as palavras. Nessa brincadeira, cada palavra pode e deve significar mais de uma coisa ao mesmo tempo: isso aí é também isso ali. Toda poesia tem que ter uma surpresa. Se não tiver, não é poesia: é papo furado.
E para o poeta Diego D'Avila o que é poesia e o que ela tem que ter ou não?

Poesia não deve ter regra. Poesia é arte, arte é poesia. Os pássaros cantando, o som das águas numa cachoeira, pintura, dança, cinema, tudo isso é poesia.

O que chegou primeiro para vc a música ou o poema?

O poema. Meu primeiro poema eu fiz num acampamento, num paraíso chamado Matilde aqui no Espírito Santo, belíssimas cachoeiras. Minha primeira música foi depois de muito tempo. Se chama “Teaser dos deuses” e ainda não foi gravada.

Prefere escrever em silêncio ou gosta por exemplo de ouvir uma música?

Geralmente escrevo em qualquer situação. Tem situações que prefiro o silêncio absoluto, apenas o barulho de minha mente. Mas confesso que, ultimamente, tenho escutado muito as Solitudes de Dan Gibson no momento em que estou escrevendo, aquele lance dele de misturar instrumentos musicais com sons da natureza é fenomenal.

Agradeço a oportunidade de conhecer melhor a Claudiane, de acordo com as respostas logo abaixo. A inciativa do Tubo de Ensaio é ótima, inovadora e espero conhecer muitos outros participantes e autores através dessas conversas.

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De Diego para Claudiane

Desde que fui ao teu blogue pessoal, pela primeira vez, percebi que tratava-se de uma escola pública. O que te levou para área da educação?

Minha mãe é professora e uma das minhas brincadeiras prediletas na infância era levar meus amigos para a varanda da minha casa e passar dever para eles copiarem do quadro negro. Mais tarde, com 13 ou 14 anos convenci a minha mãe a, uma vez por semana, dar aula no lugar dela, preparava aulas diferentes e os alunos adoravam e aprendiam. Nunca tive dúvida quanto ao meu dom. Por isso, a área da educação.

Recentemente você publicou sua primeira poesia concreta. O que significa escrever poesia?

Olhar o mundo com os ouvidos, enxergar com o coração, remexer minhas emoções, tocar uma alma distante, emocionar-me, voar...
Em relação à poesia concreta, aconteceu o seguinte: aprendi a curti-la com nosso autor do Tubo Gilberto de Almeida, como ele anda sumido desafiei-me a criar uma.

Tuas publicações no Tubo de Ensaio tem muita relação com a natureza, como "Corujando além mar","Desfolhando em uma perfeita imagem metafórica", "Como o tempo vai, o tempo vem...".
Existe alguma relação com a natureza ou você a utiliza como metáforas em seus poemas?

Diego interessante essa sua observação, relendo algumas poesias percebi que a maioria foi inspirada pela natureza e em outras tenho a natureza usada metaforicamente. O meu eu poético plasma com a natureza. Hehehe
Abro um parêntesis para comentar o título  "Corujando além mar ", que foi uma homenagem  a Cyril, um amigo que mora em Portugal (por sinal, foi ele que nos sorteou) Os  haicais  foram inspirados em algumas imagens de corujas ( paixão em comum) . 

Em uma de nossas conversas achei curioso a cor alaranjada te fazer uma referência política. Costuma escrever sobre temáticas sociais fora ou dentro da blogosfera? Se não, o que gostaria de escrever caso precisasse?

Não. Sobre a corrupção e a sua impunidade, pra mim, causa primordial dos problemas sociais no país.

“Mesmo quando o bullying acontece fora da sala de aula, a escola tem responsabilidade, porque os desdobramentos desta prática estarão presentes no comportamento dos alunos”. Esta é uma afirmação publicada em seu blogue (http://emmra-pedagogiadoamor.blogspot.com.br/2011/10/o-que-e-bulying.html). Apenas o bullying é de responsabilidade da escola ou qualquer outro tipo de violência também é? A educação pública é eficiente neste combate?

Acredito que a maior parte dos princípios são construídos em casa, na família, o restante, já nasce com a pessoa (o que chamamos de índole). Agora, a ética pode ser muito bem trabalhada nas escolas; contudo, um professor não pode cobrar valores éticos se ele mesmo não os compreende ou não sabe contextualizá-los. Sendo assim, considero que as escolas, públicas e privadas, necessitam melhorar muito sua eficiência neste aspecto.  Por fim, acredito que a escola não seja a responsável por todos os tipos de violência, mas sim, o Poder Público corrompido e ganancioso. Todavia, alguns tipos de violência poderiam ser minimizadas com trabalhos de contextualização de valores éticos, como por exemplo, uma peça teatral, onde se trabalha a amizade, a cooperação, a liberdade de escolha, o respeito, os conflitos, a disciplina, a assiduidade, entre muitos outros.

Em algum lugar me lembro de você comentar que tem começado a escrever poemas há pouco tempo, me corrija se estiver errado, e o Tubo de Ensaio contribuiu para isso. O que vem a seguir? Tem desejo de ter um blog onde publicará teus poemas?

Diego, a leitura de poemas passou a fazer parte da minha vida, há onze anos, quando inscrevi os meus alunos em um concurso do Itaú Social. O material oferecido, de excelente qualidade, possuía várias oficinas a serem realizadas até o produto final. Agora, recentemente, quando entrei em contato com a nossa anfitriã Dulce Morais só havia a cara e a coragem, mas poesia, nenhuma. Todos os meus poemas foram criados a partir da minha admissão no Tubo de Ensaio , sendo assim, é como se o blog fosse meu e não tenho pretensão de criar um outro blog.
Hoje também participo http://dankamachine.blogspot.pt/
Aproveito para agradecer a Deus em primeiro lugar afinal  é da natureza que vem minhas maiores inspirações, a Dulce por ter confiado em mim, a você por estar dividindo esse momento saboroso comigo, a todos amigos e leitores do Tubo de Ensaio.

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Fugir contigo

Ashish Khetarpal-Mindless Lovers


Se quero fugir contigo? 


Não, primeiro quero que me encontres!



Então, estarei em ti, qualquer que seja o lugar.

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Etapa estressante & Escrevo esperança


          


"Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero.
Quando chegamos ao fim da noite, encontramos a aurora."
Georges Bernanos



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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As horas

Das horas tratam-se estas frases
A primeira abertura de seu olhar
Onde sinto que somos capazes
De criar as riquezas de se amar

Ao primeiro minuto do nascer
E o pulsar tranquilo do coração
Já posso sentir e vê-lo crescer
O laço unindo a nossa direção

No decorrer do nosso minuto
Passa-se aquela oportunidade
De sempre dar a cada segundo
A magia de ter a cumplicidade

Os milésimos dos segundos
Dizem que há cumplicidade
Dos nossos mais profundos
Sentimentos sem maldade

Nesses centésimos e tanto
Quero que saibas urgente
Que para o mundo eu canto
Que te amo magicamente

Mas não veja este ponteiro
Que o tempo quer mostrar
Pois, para mim, o dia inteiro
É pouco para eu te amar

Bom, das horas eu quis dizer
E o quão bom é você nelas
Pois o que tanto quero fazer
É te ver feliz sem olhar elas


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Vem mesmo que andes para lá da Lua !

Vem meu amor
vem com a luz do luar
atravessa a saudade
e o tempo
mas vem....

vem mesmo que andes para lá da Lua
Vem meu amor
mas vem...

Manuel Marques (Arroz)

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UM SONHO DE TUBO por Danka Maia


   
      A melhor parte de se despertar de um lindo sonho é saber que ele ainda poderá ser uma bela realidade. Deitei com as pálpebras pesadas, precisava dormir. A lua clara quando a Clau (Claudiane),chegou no meu portão, como nossa amizade permite e como só ela sabe fazer:

-Dan,tô entrando! Tem ninguém sem roupa ai não né?-Gargalhei respondendo:

_Se tiver, verás a visão do inferno!-Estava sentada na sala quando habitualmente fico, tentando achar meus contatos do Tubo de Ensaio,Dulce,Isa,Cássia,Osny,apesar de sermos mais,contudo os que mais tenho proximidade.Contudo todos simplesmente haviam desaparecido.

-Clau, não acho ninguém, sabe dizer se algo aconteceu? - A ventania amiga deu aquela gargalhada cheia de luz tão peculiar e contrapôs:

- Dan,esqueceu? A festa, o encontro,todos nos esperam,combinou que passaria aqui para irmos juntas. Oi?-E mais risos dispararam. Num alto de uma colina cujo uma cascata junto ao pé da serra onde estava o suntuoso salão de festas estava todos. A lua era cheia e clara,o céu límpido e tão azul. Que sensação de alívio brotou em mim ao me deparar com a afetuosa Dulce, enfim recebi o abraço sempre tão caloroso e seus beijinhos. Seu riso era o mesmo,tímido,sincero e radiante.Sua frase foi:

-Bom demais Danka!- Todos jaziam ali, as conversas exalavam enfim sem telas, mouses e emocions. Agora tudo era ao alcance dos olhos, do toque das mãos. Clau e eu nos separamos, afinal, estamos sim há ruas uma da outra. No meio de tantos reconhecimentos passei por Osny Alves que me fez entender que a inspiração não o visita ou o confidenciam lascas de ideias e sim se manifesta através dele. Encontrei Cássia Torres e sua energia vibrante descendo as escadas, o riso entre nos foi inevitável assim como o bem querer. Entretanto foi quase no fim da confraternização que uma mão tocou-me o ombro:

-Danka? -Eu reconheceria aqueles olhos verdes em qualquer lugar inda que nunca os tivesse visto fora da tela do meu computador. Era Isa Lisboa, saia de uma dança com Carlos Saramago, dois amados de minha alma finalmente ali, não mais dentro de mim,e quando achei que diria isto: A aparência tem sim a sua importância,nos proporciona o toque,o riso,a alegria de pessoas que as vezes fazem mais parte de seu cotidiano do que aquelas que se deitam debaixo do mesmo teto contigo.
   Por horas conversávamos, tive o prazer de estar com todos, de poder me aproximar até do que não sou próxima, não por vontade ou gosto, meramente porque nem sempre o mundo virtual permite tal aproximação.
Os olhos de todos eram meus, e os meus os acolheram como brilho, nunca me senti tão iluminada. Isa brincou coma situação:

_Estamos mesmo Fora ou Dentro da Caixa?

_Deixamos de sermos Instantâneos de Preto e Branco, disto tenho certeza, somos enfim coloridos!Ou  estamos Crazy?- completou Dulce o gracejo.

Carlos sorriu e replicou:

_ E se estivermos dentro da tela e não sabemos?

Deixei fluir sem pensar nos meus lábios:

_Que tela enorme somos!

Mas o fim veio. Era hora de voltar. No entanto,a sensação,os semblantes,o som dos risos,cada um deixou sim uma marca em mim no caminho confidenciei a Clau e mar revolto dessa vez era brisa, serena e tranquila, e antes que terminasse ,por mim arrematou:

_Sei  bem o que quer dizer Dan.- Ao descer daquela carruagem mágica e turbinada modelo 2013, despedi da amiga e completei a mim mesmo:

_O melhor é que agora sei que deixamos de ser poemas, trovas, contos e afins. Inda que em sonho, formamos o maior Hacai do mundo seja físico ou virtual. Somos elos de uma única utopia: Um Tubo Sem Fronteira!

A todos, sem exceções,minha singela homenagem.

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BORZEGUIM


BORZEGUIM


Eu Adoro meu Borzeguim,
eu o ganhei de uns Amigos Afins,
eles moram la na Serra da Canastra,
que as vezes dá uma Saudades
que se alastra .

Meu Borzeguim é Confortável,
Maleável e Impermeável,
mas para alguns,
usa – lo na cidade é inaceitável.

Mas eu agora na Cidade grande
sou um Jeca – Tatu,
fico procurando o canto do Anú,
meia assim Jururu.

Bom seria se pudesse
ir pro meio do Mato,
ficar estupefato,
fazendo Poesia
na beira do Regato.

Mas estou na Cidade Grande,
levando a vida sem aflição,
apurando a audição,
a procura da Passarada,
que, mesmo na Cidade Grande,
na época da Florada,
faz o fundo musical,
na Aurora nublada.

Mas eu gosto mesmo
do meu Borzeguim,
porque enfim
eu sou simples assim,
e já não estou
muito preocupado,
se alguém gosta de mim.

Marco Aurelio Tisi

( 10/11/2013 )

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Beijo

Foto: Isa Lisboa






Delicada flor
No verde se esconde
lembra teu beijo

Isa Lisboa

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JOANINHA

JOANINHA

É uma Solitária Joaninha,
as vezes ela esta Vermelha com pintinhas Pretinhas,
outras vezes esta Preta com pintinhas Vermelhinhas,
ela tem escondida sob as carapinhas, suas asinhas,
que fazem com que ela vá conversar
com suas Amiguinhas Florzinhas,
mas tem vezes que a Joaninha fica Toda Pretinha,
é porque ela esta muito Tristinha,
e também tem outras vezes, e é muitas vezes,
que ela fica toda Vermelhinha,
é porque ela tem muitas Saudades,
e ela fica tam Vermelhinha,
porque essa Saudade é do que não volta mais,
Mas o que agora a Joaninha, só quer ficar
Vermelhinha com pintas Pretinhas,
ou Pretinha com pintas Vermelhinhas,
pra poder ir conversar com as Florzinhas,
e poder voar por ai Sozinha.

Marco Aurelio Tisi

( 09/11/2013 )

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Passeio

Por ali caminho
Nada procuro. Vejo:
Alma florida.

Isa Lisboa

Foto: Isa Lisboa

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Soltando as amarras





"Daqui a alguns anos estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez.
Solte as amarras! Afaste-se do porto seguro! Agarre o vento em suas velas! Explore! Sinta! Sonhe! Sinta! Descubra!"
                                                                                                                                                Mark Twain



Agora que tal um voo no passado ouvindo a música "Sonho de Ícaro, na voz e interpretação de Rick Valen?





Obs: Na verdade o sonho de Ícaro não era voar. Conheça sua história 
http://pordentrodaciencia.blogspot.com.br/2005/08/o-sonho-de-caro.html

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Confissão

Foto: Dulce Morais
Confissão

À pedra direi:
Um a um te contarei
Passos perdidos

Dulce Morais

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Tudo Que Deveria Ter Falado... Por Danka Maia

 



 

Ela deitou-se suspirando em sua cama quente e fria, olhou para o teto fechando um pouco os olhos e por um instante pensou:
_Como posso acreditar em algo que jamais existiu?
Alicia virou-se na posição fetal e começou a relembrar o primeiro dia que o tinha visto na saída da cafeteria ao lado da Faculdade. No dia seguinte ela estava lá olhando para o relógio apenas a espera dele.
Sorriu com a lembrança, apanhou seu velho diário debaixo do travesseiro e principiou a escrever aquela carta que talvez jamais chegasse ao seu destino final.
Oi! Como vai? Eu estou bem, mas você eu não sei. O motivo é que não sei mais muito sobre você, no entanto, ainda sei muito sobre mim. Parece que tudo passou, foi embora, acabou não é verdade? Não te vejo mais e a saudade, traduzida em um nó aqui no coração, na alma, me lembra de tudo, de tudo que não te contei. Pensei que havia sido clara, agora acho que não. Simbologia não funciona muito quando precisamos falar do invisível. Metáforas até são boas para se falar do inconfundível, por isso acho que falhei! Falhei porque não disse tudo com nitidez, me perdi pelo medo do não correspondido e confessei sem declarar o amor que eu já não esperava que você percebesse. Como poderia? Você nunca nota nada além desse seu mundo pequeno, egoísta, medíocre... E que eu tanto amo!
Presentes, poemas, músicas, não são suficientes, quando se precisa dizer na cara o que sentimos,a questão é às vezes a coragem é mais fácil de ser escrita do que incorporada.
Hoje, confesso que pensei em você.
Lembrei-me de tudo, de tudo o que eu pelo menos vivi, senti saudade e refleti em como seria a vida, a vida que a gente não viveu,que jamais viveremos porque jamais existirá. Acho que você não notou ou se notou, não me tocou, talvez, não quis me magoar, apesar de ter me machucado da mesma maneira.
Nem a amizade ficou.
Tudo bem assumo que sobrevivo e bem sem sua presença, assim, mesmo que um pouquinho mais infeliz do que era antes.A questão é que até a tristeza era mais feliz ao seu lado,só nunca te falei. Amores novos nos levam pedaços velhos que nunca mais acharemos. Isso é só uma parte, trechos de tudo que te ocultei.
A vida é feita de escolhas e lamento, porém encaro e aceito que você não me escolheu. O que posso fazer? A dor é única,e a vida segue.

E hoje, em que meu coração sente sua falta e meus dias se acostumaram sem você, quero somente lhe desejar bom dia, ou melhor, uma boa vida!

Sem mim, sem nós...



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Instância Criativa


É fugaz a teia vida
nesse palco que é Terra
mas não viva de fachada.
Quero ação (tua alma berra)!

Claudiane
27/10/2013


"A vida é uma sombra ambulante/ um pobre ator que gesticula em cena/ por uma ou duas horas! Depois não se ouve mais nada! Um canto cheio de som e fúria!" Dito por um louco e sem significado algum.(William Shakespeare. Mac Beth. ( Ato IV)



De que vale o eterno criar, se a criação em nada acabar?
                                                             Goethe

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Pincelada

Foto de Isa Lisboa


Salpico de cor
Um pouco de alegria
Neste Outono


Isa Lisboa

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Corola

Foto: Brian Carter

Corola

Recolho sonhos
Nas pétalas pintadas
Rastos da noite

Dulce Morais

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Nos olhos

Olha-me nos olhos
É lá que encontrarás
A parte de mim
Que ficou
Presa no limbo
É lá que está
A pista
Para a chave
Que um dia lancei ao vento
Talvez esperando
Que alguém a encontrasse
Olha-me nos olhos
E vê
Que te convido
A entrar neles
Vê que eles tudo dizem
Do que sou, do que fui
De que quero ser tua.
Olha-me nos olhos
E acha-me o coração
To darei
Porque meu ele já não é.

Isa Lisboa


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Elegância

Imagem: Our Beautiful World & Universe

Elegância

À luz do dia
Na água se desenha
A elegância
Dulce Morais

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Esquecidas

Foto: Zé Suassuna Oliveira

Esquecidas

Escondi imagens
Numa caixa fechada
Perdi a chave

Dulce Morais

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Ao Céu

Foto: Zé Suassuna Oliveira

Ao Céu

Venha a chuva
Alimentar a terra
Sedente de paz

Dulce Morais

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A tua nudez corre-me nas mãos!

Deixa misturar o meu corpo com o teu
tua imagem  teus traços
prende-me ao perfume do teu corpo...

Amante que não vieste
como a noite prometeu
a tua nudez corre-me nas mãos...


Toma o meu corpo transparente
transforma-o em calor
e amor
mulher nua
teu corpo é tudo o que cheira...

Manuel Marques (Arroz)

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Para vida em outra face



                                                                   Imagem: Google

PARA VIDA EM OUTRA FACE

Flores celebram passagens

no picadeiro, já me fiz aço.

Nuvem de luz, saudades.

                                      Claudiane
                                      28/10/13


Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abracá-la.
                                              Clarice Lispector


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Guardado

Foto: Zé Suassuna Oliveira



Águas do lago

Reflectem minha imagem


Guardam meu sentir


Isa Lisboa

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